Mais uma vez, antes de escrever a última parte do texto que a professora pediu, olhei para o pequeno bilhete que tinha em mãos. Era um papel azul claro, numa folha mais grossa que a comum. A letra no papel era bonita.
— Clara? Você ouviu a pergunta? — Minha amiga Ana me cutucou com a borracha na ponta do lápis.
— O quê? — Escondi o papelzinho desajeitadamente debaixo da folha do texto, sentindo o rosto esquentar. Olhei para Ana — Que pergunta?
Ana, minha amiga de pouco mais de um metro e meio sorriu maldosamente. Seu cabelo era curto, com uma franja bonitinha, que emoldurava o rosto redondo e infantil. Seus olhos castanhos escuros brilharam e eu sabia o que viria em seguida.
— O que é isso? Um admirador secreto? — Ela disse tentando pegar o bilhete, mas eu guardei no bolso a tempo. Ana bufou irritada, mas voltou a sorrir — Que tipo de amiga é essa, que esconde os namorados?
Estávamos na sala de aula terminando um trabalho. Todos os alunos conversavam animados, a maioria ignorando a tarefa, e a professora parecia não ligar. Ela mesma estava sentada com algumas alunas, conversando. Olhei para meus colegas, me perguntando se algum deles tinha deixado o bilhete em minhas coisas, mas nenhum parecia culpado. Talvez Ana estivesse brincando comigo. Semicerrando os olhos, virei para ela.
— Foi você que me mandou esse bilhete? — Questionei mostrando o papel, agora um pouco amarrotado, e tentando parecer ameaçadora.
Ana leu a mensagem, mas para meu infortúnio, pareceu tão surpresa e curiosa quanto eu me sentia.
— Não, eu não faria isso. Que estranho, quem será que te mandou? — Ela disse, olhando o bilhete de novo, como pudesse descobrir quem havia mandado só pela letra.
— Não sei, eu queria saber. Achei estranho também, mas pode ser brincadeira de alguém.
Minha amiga assentiu, pensativa. Segundos depois, ela sorriu, dando um pulo na cadeira como se tivesse tomado um choque ou, infelizmente, tido uma ideia para me zoar.
— Mas pensa bem, se não for piada, nem nada do tipo, quer dizer que alguém está interessado em você! — Disse batendo palmas. — Minha magrela vai achar um namoradinho!
Balancei a cabeça, guardando o papel no bolso da calça novamente, decidida a voltar minha atenção para texto, mas é claro que Ana não esqueceria fácil.
— Será que é alguém conhecido? — Perguntou com uma mão no queixo e com a outra batendo o lápis na mesa. — Pode ser aquele esquisito que fica olhando pra você o tempo todo.
— Esquisito? — Franzi o cenho, tentando lembrar de quem ela falava.
— Sim, aquele dos dentes engraçados, que falta babar em você.
— Não, aquele garoto faz isso com você, Ana. — Eu ri quando Ana revirou os olhos.
— Talvez tenha sido o Nico, sei lá, tirando onda com a sua cara.
— Ele é muito certinho pra isso, fala sério. Além disso, não parece a letra do Nico e a menos que você tenha colocado isso na minha mochila por ele...
O sinal tocou e parte dos alunos entregou o texto, outros deixaram para a próxima aula. Guardei meu material na mochila, sem pressa, e quando terminei, Ana já estava parada na porta, batendo o pé impaciente. Levantei, esbarrando em alguém sem querer. Virei-me para ver quem era. Pedro.
Ele sorriu para mim e eu momentaneamente perdi a linha de raciocínio. Vou dizer o porquê: o Pedro era o tipo de cara que toda garota queria beijar, do tipo que você sonha em viver um romance de filme. Seu sorriso parece sempre ter um toque de malícia e os olhos castanho claros se destacavam em sua pele bronzeada. Alto, atlético e, não bastando isso, inteligente.
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Catching Feelings
RomanceClara tinha a vida bem normal para uma adolescente de dezesseis anos, até começar a receber bilhetinhos românticos de um admirador secreto, exatamente no mesmo dia em que um dos garotos mais bonitos da escola decide pedir a ajuda dela para passar nu...
