Prólogo

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Vinte e nove de junho de mil novecentos e trinta. Gritos de dor ambientam uma das salas de parto do hospital. Chove na cidade. Três cirurgiões ocupam a sala, um deles passa os instrumentos cirúrgicos para o cirurgião-chefe. Outro acalma a mulher deitada no leito passando a mão em sua testa e pedindo para que ela tenha força. Verificando batimentos e pressão arterial. Tudo ok. Na sala de espera, pessoas ansiosas e aflitas pela chegada da nova integrante da família. Entre um relâmpago e outro, os enfermeiros se entreolham. Chegara a hora. O mesmo que acalma a mulher, agora lhe segura a mão.

"Empurra! Empurra! Força!"

Gritos ensurdecedores tomam conta do local. Parto normal. Trovões, gritos e choro. Alivio. A mulher no leito solta um longo suspiro. Dois dos enfermeiros percebem-se orgulhosos por mais um feito. Seguida de um choro profundo, com os pés e as mãozinhas tremendo, nasce a herdeira da família Ziegler. Franzina com dois quilos e setecentos gramas. Branca como a neve e olhos bem arredondados.

"Mãe, podemos saber o nome da criança?"

"Patrisha. Patrisha Ziegler."

Na recepção os familiares recebem com muita alegria a notícia da vinda da criança. Combinam ali mesmo um grande jantar de comemoração.

Georg, um dos integrantes mais bem-sucedidos da família se anima com a ideia

"A cerveja será por minha conta!"

"Aqui as pessoas também comem" - murmura Karl, seu sobrinho por parte da irmã Catherine, ambos nunca foram muito amistosos um com o outro.

"Mas é claro!" esboça um sorriso falso, entreolhando o garoto de canto de olho "Amanhã mesmo irei providenciar tudo o que for necessário. Vamos dar ótimas vindas à nossa princesa!"

O dia seguinte fora totalmente diferente da noite anterior. Tarde ensolarada, amigos e família reunidos. Chega em uma carruagem rodeada de flores, digna de um nascimento real, Patrisha e seus pais Albrecht e Marie.

Um dos mordomos da família surge para ajudar Marie a descer da carruagem estendendo sua mão para lhe dar apoio.

Franz, irmão mais velho de Albrecht, estoura um champanhe e todos em sua volta alegram-se, pois, a nova herdeira havia chegado juntamente com o raiar do Sol que brilhara em sua face quando sua mãe lhe retirava a manta que a protegera.

Um vulto observa toda a festança de maneira investigativa, se incomoda com os sorrisos que correm nas bocas dos presentes e se retira.

Patrisha é colocada em um carrinho de formato oval, com rodas de madeira semelhantes aos de uma charrete e com um laço vermelho ao lado, cuja cor ali fora batizada como sua personalidade.

É levada pela mãe para conhecer toda a riqueza do lugar onde moraria. Vão até um bosque, enquanto o restante das pessoas passa o tempo bebendo e esboçando o futuro da pequena.

No bosque verdejante, cercado de diversas espécies de flores, com um chafariz no centro e uma bela lagoa ao seu redor, mãe e filha se conectam. Marie retira Patrisha do carrinho e a pega no colo. Com uma das mãos acaricia seu rosto, balança as pernas flexionando os joelhos com leves movimentos na intenção de fazê-la ninar.

"Isso tudo aqui será seu, minha filha. Conforme seu signo, lhe deixarei sempre em contato com a água para lhe purificar de todos os perigos que possam te rondar, pois olhos grandes poderão querer te perseguir, e também quando se sentir triste, poderá vir até aqui respirar o ar puro da natureza e se conectar ao chafariz. Você vai crescer e entenderá a importância desse cantinho, será seu melhor e maior refúgio."

De trás de uma arvore viçosa, um olhar de cobiça pesca mãe e filha.

O Mistério da Ilha da FortunaStories to obsess over. Discover now