Monstros, Luzes e cartas

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                       Diário

18 de Dezembro de 1985,

  Fazem dois meses desde que ela se foi e muitos são os momentos que a saudade bate mais forte em meu peito mas, resisto porque entendo tudo o que está acontecendo com a El e imagino o quão difícil está sendo para ela.

  Gostaria de lhe abraçar forte e a manter em meu colo para todo o sempre, segura e distante da realidade dura na qual somos obrigados a vivenciar e mais uma vez também compreendo esta impossibilidade. É estranho perceber o quanto as coisas estão diferentes e o amadurecimento do nosso conceito de namoro.

   Mas, eu não vou mentir... Tenho medo que a história se repita. Que os 60 se transformem nos novos 353 dias e é aí que as conversas com o Dustin me ajudam, justamente por ele também estar longe da Suzie e saber exatamente o que é ter um relacionamento á distância.

  De qualquer forma daqui á uma semana vamos finalmente nos reencontrar para o natal e poderemos recompensar este tempo, as 353 noites e de quebra o dia de ação de graças que de última hora não pude visitá-la já que o Will pegou pneumonia depois de passar uma madrugada chuvosa tentando reconstruir o 'Castelo Byers'.

                              MIKE WHEELER

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   Rússia, 19 de Dezembro de 1985,

   Um soldado russo abre uma cela dentro de uma espécie de penitência. Ele recolhe um homem mau e o leva em direção á sua pena.

- Onde ela está?- Pergunta o soldado

- Ela é minha propriedade, por que eu a entregaria?- Diz o homem

-Pensei que prezasse por sua vida- Responde o soldado poucos segundos antes de jogar o mal-intencionado num espaço mortal.

Uma alavanca é pressionada abrindo pouco à pouco uma porta. Nela algo peculiar tem sede de carne humana.

O ser retira um de seus braços da porta e já parte para o avanço.

O soldado interrompe a atividade segurando a alavanca e consequentemente fechando um pouco a porta.

- Onde ela está?- Pergunta novamente

- Não sei- Caçoa o homem

De repente a alavanca abre a porta completamente e antes que o monstro o agarrasse o homem mau profere as palavras que salvariam sua pele:

- Mas conheço quem sabe-

    E o homem mau foi se encostando na grade quase aceitando o seu próprio destino como jantar de demogorgon e automaticamente antes da dentada a grade é aberta e o homem é puxado para fora.

  O soldado se restringe em dizer:

- Boa escolha, Brenner-

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Utah, 20 de Dezembro de 1985,

  O ambiente é uma casa. Uma belíssima casa, para se falar a verdade.

Seu interior é repleto de decorações e fotografias penduradas na parede. As fotos são de uma família, que no momento em que posavam estavam aparentemente felizes.

Em um dos quartos desta casa uma menina está deitada em sua cama com uma engenhoca comunicativa em mãos ligada no sinal 6.

  Ela parece ansiosa por algo, já que encara o relógio o tempo todo. Praticamente o intimidando a obrigar os ponteiros retornarem a um determinado horário.

  Para a surpresa da garota, há alguém batendo na porta. Ela olha ao redor e após checar se está tudo organizado no espaço permite a entrada do até então desconhecido.

  É um menino com belos cabelos castanhos e um semblante de preocupação em sua face.

  - El... Ele não ligou, né?- Pergunta em tom melancólico

- Não, faz tempo que não nos falamos mas provavelmente é porque o Dustin e a Suzie estão usando o 'Cérebro' bastante- Responde a garota enxugando algumas lágrimas que brotam em seu rosto.

O menino vai em direção á cama, senta no colchão e diz:

- Então, sobre isso... Na verdade a Suzie está lá fora com a galera do fliperama me esperando-

Chega a ser doloroso ver sua carinha reagindo a isso mas, Will é mais rápido e tenta converter a situação:

- Não importa o que esteja acontecendo, ele provavelmente deve ter bons motivos. Eu posso sentir isso, El. Além disso, você deveria vir conosco para tentar esfriar um pouco a cabeça-

Ela sorri ao ouvir toda esta redação motivacional e diz:

- Não sei, Will... Digo, eu iria adorar mas não me sinto tão confortável assim com o pessoal. Eu não sei mas, só por eles não saberem de tudo me faz sentir uma...-

-Pessoa falsa?- Ele a interrompe

- Sim, uma pessoa falsa- Ela confirma.

Ele segura em suas mãos e diz:

- Não precisa fazer isso por eles mas, por favor se esforce para fazer por mim. Queria tanto ensinar como se joga ' Dig Dug' para minha irmãzinha...-

Ela ergue o olhar e termina o longo diálogo com:

- Tudo bem, Will. Eu vou!-

Will começa a festejar e Eleven sai do quarto gargalhando. Ela dá de cara com Joyce pegando suas chaves e gritando:

- Will, vamos logo!-

Joyce percebe a presença de Eleven e logo interage:

- Querida, e então ele ligou?!-

Eleven faz que não com a cabeça , Joyce a abraça e consola a menina dizendo:

- Tudo bem... Lembra do que lhe prometi? Vão se ver logo!-

Eleven faz gestos de confirmação  e após se soltarem da longa demonstração de afeto Joyce acaricia os cabelos de Eleven.

- Venha conosco, meu bem. Vai ser divertido, sim?- Convida Joyce

- Sim, sair da caverna- Sussura Eleven

- Isso mesmo, estamos saindo da caverna- Sussura Joyce também

Neste exato instante Will aparece após ter trocado de roupa e ele vai direto abrir a porta da casa se desculpando pela demora aos seus novos amigos. Eleven agarra as mãos de Joyce. A responsável apaga toda a eletricidade da casa e todos acabam se dirigindo á saída da casa em direção á uma única tentativa de diversão.

  Porém, quando não há ninguém no novo 'Lar, doce lar' da família Byers, as luzes  de toda a casa piscam na mesma hora. A televisão liga e desliga sozinha inúmeras vezes e as torneiras se abrem porém, o que deveria ser água é na verdade agora sangue. Talvez na melhor das hipóteses o sangue de um porco mas, a consistência era muito duvidosa e fazia acreditar que... Bem. A luz da cozinha aparenta notar o ocorrido e sua dinâmica piscando é tão frequente que a lâmpada se queima.

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⏰ Last updated: Aug 01, 2019 ⏰

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