~ Prólogo ~

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Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace
You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Pray it won't fade away
- Halo by Beyoncé

Ouço um ruido. Meus olhos ainda estão fechados. Nada se move em meu interior. Ainda não aconteceu. escuto algo começar a se mover lentamente ao longe. O frio faz meus músculos se contraírem e minha pele se irritar. Não sinto dor ou nada do tipo. O barulho e o movimento do meu coração faz meu peito se contrair. Sinto meu sangue quente agora correndo em minhas veias como se estivesse recluso e agora fora liberado. Aos poucos vou tomando a sensibilidade do meu corpo humano. Posso mexer os dedos dos pés. Meus braços e os outros membros se movem como se estivessem soltos do meu corpo. Sinto um formigamento em minhas costas exatamente onde minhas asas se encontram e, agora, se recolhem para dentro do meu corpo humano. Então, abro os olhos e observo em volta. Estou flutuando ou algo do tipo. Meus olhos aos poucos criam foco. Há areia branca e pedras de todos os tamanhos com musgos e algas se mexendo lentamente sobre elas como se estivessem dançando. Não consigo ver muito a minha frente, mas a ausência de luz faz o lugar parecer um gigantesco quarto pintado de vários tons de azul. Tento emitir um som mas apenas algumas bolhas saem de minha boca. Não me movo, apenas observo elas subirem até que um brilho branco ofusca meu campo de visão. Aos poucos o lugar vai se iluminando e criando forma. A luz reflete em cada centímetro do lugar que, aos poucos, vai ganhando vida. Algo liquido entra em minha boca e corre pelas minhas vias aéreas que começam a arder de imediato. Meus pulmões se contraem e uma dor percorre meu corpo. Não sabendo o por que do desconforto, olho em volta mais uma vez. A luz ja iluminou todo o espaço, ou meus olhos ja se adaptaram a claridade do lugar. Estou no fundo do mar. Só agora sinto o sal em minha boca. Só agora senti a falta do ar oxigênio. Só agora entendi o por que estava flutuando, ou melhor, boiando. Tento mexer meu corpo, o que sai é apenas movimentos desengonçados. O desespero toma conta de meu corpo. Então, como em um brilho dourado dentro de meu cérebro, entendo como é nadar. Estendo o corpo, abro os braços e as pernas e fecho-os em perfeita sincronia. Aos poucos vou subindo, deixando a escuridão e me clareando pela luz do sol que reflete na água salgada do oceano. Chego a superfície e sugo o ar delicioso e fresco que enche meus pulmões. Sinto os raios solares penetrando minha pele. Minhas pupilas ainda estão se acostumando a claridade, mas aos poucos vou abrindo meus olhos. Passo as mãos sobre os mesmos e vejo a areia a menos de vinte metros. O calor e a umidade do local é impossível de não ser percebido. Tambem vejo a cidade irradiando energia e vida. Carros se movem nas ruas criando uma trilha sonora perfeita. Meus lábios se contraem formando um grande sorriso em meu rosto. 'Estou aqui!' grito para mim mesmo em meus pensamentos. 'Você esta aqui mesmo, pode acreditar!?' Não, não consigo acreditar. Não vou esperar mais para desfrutar de tudo isso. Mexo os braços e as pernas, nadando em direção a areia. A cada braçada na água meu coração se acelerava mais ao ponto de senti-lo pulando em meu peito mesmo com o atrito do meu corpo com a água. O sorriso não deixa meu rosto de jeito nenhum. Assim que sinto o toque áspero dos grãos de areia na sola dos meus pés, deixo de nadar e começo a correr até a praia. A sensação dos grãos de areia se acumulando, grudando e entrando nas fendas entre meus dedos é incrivel. Agora parece que todas as emoções possiveis de se sentir encontran-se dançando em um redemoinho em meu peito. O ar é fresco, o vento sopra forte. Paro no meio da grande planicie de areia que leva até a orla da cidade e olho em volta. Minha respiração esta pesada devido ao grande esforço fisico. Ainda não estou nem um pouco acostumado a ser humano. Olho para o mar e vejo um barquinho navegando ao longe. A vela esta sarpada de forma que posso ver o azul claro com lintras brancas do tecido cintilando em meio aos reflexos da agua. faço uma anotação pessoal: 'Peciso andar em um desses!'. Ha algumas rochas cinzas perto dali. As ondas se chocam violentamente contra elas e se quebram formando uma banheira de espuma salgada e seguindo com o olhar um pouco a direita vejo um pier. A roda gigante e a montanha-russa estão ativas. Gritos ecoam por toda parte vindo dos brinquedos radicais. Quando me dou conta, minhas pernas estão se movendo pela areia em direção ao parque, então começo a correr pela areia. A agua do mar impulsionadas por uma pequena onda quebrada que ja fora uma grandiosa onda, de vez em quando cobre meus pés e humedece ainda mais a areia. O sol quente começa a evaporar a água sobre minha pele nua dos braços e da nuca. Minhas roupas finas estão encharcadas e pingam água salgada. Paro simultaneamente e afundo os pés na areia. O vento sopra e me arrepio. Um arrepio bom. Meu rosto dói de tanto sorrir. Então, abro os braços e sinto a vibração de tudo em minha volta. As cores, os sons, os aromas... Tudo se conecta em plena harmonia.
- Huruuuuuu! - Eu grito para botar para fora tudo o que sentia naquele momento, e o que realmente sentia era paz, a mais intensa e pura paz.

Guarde para mim seu coraçãoStories to obsess over. Discover now