"Um toque, um olhar e um tiro. Ambos podem ter efeitos catastróficos no ser humano. Imagináveis."
-Vai ficar tudo bem.
Desmaiar e ter uma convulsão apresentam efeitos parecidos: ambos quando exercidos, lhe dão a sensação de que está sonhando.
Será algum mecanismo de defesa?
Quando eu tinha cinco anos de idade, sempre em meio ao medo e às trovoadas fortes, Molly estava lá.
"Vai ficar tudo bem. A chuva vai passar."
Em meio a tanta ausência, Molly se fez presente.
Mas infelizmente, ou felizmente pra alguns... Nós crescemos. A responsabilidade nos cerca, e às vezes, aprisiona. Começamos a viver para ela, e não através dela.
Onde você está, Molly?
Escutar as trovoadas fortes outra vez entrando em meus ouvidos me parecia familiar, o que me acorda junto com o vento frio que entrara pela janela.
As cortinas se movimentavam bruscamente contra o vento que entrara pela varanda.
-Varanda...-Abro meus olhos por completo.
A minha casa não tem varanda.
Estava em uma cama macia, diria que em uma na qual nunca dormi.
Havia malas abertas no chão, cheias de roupas.
Pelo reflexo da tv, vejo a porta do banheiro se abrindo. Deito imediatamente.
Com os olhos entreabertos, vejo um homem. Os mesmos tênis caros de hoje mais cedo.
O mesmo estava sem camisa; segurava uma toalha de rosto, na qual enxugava o mesmo.
Vai seguindo até a varando, parando nas cortinas.
Não pude deixar de notar sua tatuagem na parte superior das costas. Do lado direito. O que mais parecia um círculo, um símbolo...?
Seu corpo parecia desenhado: ombros largos e cintura fina.
Enquanto o admirava, ele virou.
Olhando diretamente para mim. Estreito mais os meus olhos, para que não desconfiasse de quaisquer fingimento da minha parte.
Agora de frente, eu o vi por completo. Outra tatuagem, e talvez a última destacava em seu corpo: uma árvore seca, com vários galhos... pareciam raízes. Ela vinha desde embaixo do umbigo, até na metade do abdômen.
Era linda.
Haviam sardas em seu peito, distribuídas até os ombros.
Suas sobrancelhas pareciam já feitas, mas naturais e bem preenchidas.
Ele se senta ao meu lado na cama.
-Eu sei que você está acordada.-Sua voz era rouca e firme.
Fecho meus olhos completamente, imóvel.
-Ok. Vou te deixar descansar... Qualquer coisa estou na lavanderia, no 1° andar.
Sinto que saiu da cama, levantando-se. Abro meus olhos de leve e o vejo vestir um casaco de zíper, indo ao banheiro e pegando uma regata com algumas manchas vermelhas. E foi aí que percebi machucados em seus dedos.
Segundos depois dele sair, levanto-me.
Vou até a varando e vejo o supermercado WallHiper.
Estava no hotel.
Pelo menos em um Local que eu sei. Preciso sair daqui. Será que Penny ainda está me esperando? Já está de noite.
Olho para o relógio acima da porta do banheiro, eram 21:48.
-Meu Deus...
Minha mãe estava me esperando em casa. Eu tenho que ir.
Eu estava sem o meu sobretudo, apenas de regata sem manga. E lá fora certamente estara congelando.
Saio do quarto e desco as escadas até chegar no térreo.
Chegando na recepção, a atenção de uma criança vai para mim. Assustada e confusa, vem até mim e pergunta:
-O que houve com você, moça?.-Fala olhando para minha calça, que se encontrava com furos e rasgos.
Foi aí que me lembrei de horas atrás... na floresta e no estacionamento.
Procurei o banheiro e me vi no espelho: haviam pequenos arranhões em meus braços; meu cabelo em um coque puxado; minha regata suja.
-Meu Deus...-Preciso de roupas... Do meu sobretudo.
Volto até a recepção.
-Boa tarde, moça. Onde fica a lavanderia?
-Siga direto pelo corredor indo para o banheiro. Vire a esquerda.-Responde a recepcionista.
-Obrigada.
As paredes da lavanderia eram feitas de vidro, de lá pude ver a chuva engrossando. E aquela floresta... escura. Trouxe-me flashs horríveis de mais cedo.
E lá estava ele, em frente às máquinas de lavar.
-Meu sobretudo.-Ele o colocava na máquina, junto com algumas roupas no cesto.-Espero que ele não me veja...
Virou-se para a vidraça da floresta, pude sentir seu suspiro cansado e pesado. Sua mão vai até o zíper de seu casaco e o desce.
-Vou ter que te lavar também... Eu tenho que sair daqui.-O mesmo falou tão baixo que suas palavras pareciam sussurros, nas quais se anulavam com o barulho da chuva caindo.-O que eu fiz...? Merda!.-Joga o casaco no chão, perto da onde eu estara.
Seu semblante era preocupado e desorientado.
Com respirações pesadas apoia-se ao vidro, deixando os braços paralelos entre si, abaixando sua cabeça dentre eles.
Lá fora estava chovendo e frio. Não posso ir embora com apenas uma blusa sem manga... Preciso daquele casaco.
Caiu perto do aquecedor.
Estico-me e o pego. Só não contava com o reflexo do vidro.
Sem pensar em consequências, somente na minha mãe, o visto e saiu pela primeira porta que vejo.
Era apenas um degrau, mas a pressa me consumiu e pisei em falso.
-Era só o que me faltava.-Digo deitada naquele chão de pedra brita.-Que droga.-Arranhou meu antebraço.
Levanto e minha atenção vai para a vidraça da lavanderia, parecia não ter ninguém.
Vou para frente da vidraça, e não vejo ninguém.
-Que...-Reparo no leve reflexo do vidro.-Merda.
Ele estava atrás de mim.
Sentia que não poderia me mexer, o mesmo estava a menos de dois palmos de mim.
As britas vão mexendo de acordo com que se aproxima. Estava tão perto que sentia o calor de seu corpo, sobre o meu, mesmo estando com um casaco não tão fino.
Ele levou sua mão até mim, passando seus dedos em meu cabelo. Os mesmos tiraram um pouco da franja do meu rosto, a botando atrás da orelha, depois deslizando-os em meu pescoço.
Seu toque deixava-me prestes a explodir; arrepios eram a única resposta do meu corpo.
-Quem é você?.-Pergunto com a voz trêmula.
-Nick, me chame de Nick, Emma.
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Of My Womb
Fanfiction"Existem extremos na vida. Creio eu que ultrapassamos pelo menos um durante toda a nossa vida. E você , foi o meu." -Emma Williams. Clonagem Humana: é a cópia geneticamente idêntica de um ser humano. 1...2...3....4... segundos, já o sinto em meu v...
