Quando o "Eu te amo" virou pop
Quando o "eu te amo" virou pop amor quase se perdeu
Quando o "eu te amo" virou pop as ruas ficaram cheias de pessoas
Quando o "eu te amo" virou pop as noites passaram a ter outro sentido
Quando o "eu te amo" virou pop, aqueles que amam, lamentaram
Quando o "eu te amo" virou pop, as cartas passaram a ser escritas
Sem emoção, rasas de sentimentos
As músicas a enganar com suas melodias,
Conduzentes de danças banalmente replicáveis
Os quadros a deixar de ter traços com história
E as memórias a se perder com o tempo,
Vítimas das expectativas "adoráveis"
Quando o "eu te amo" virou pop, tornou-se plausível
Se apaixonar pelo mau, pelo vilão.
Compreendeu-se os aspectos da aventura
E virou pop transar no chão.
Antes praticávamos essas loucuras
Por pouca sorte de não ter um cama
Antes, quando o "eu te amo" não era pop
E o prazer era coisa santa
Agora não, o afeto deixou de ser contido
Sabe, amamos textos, transeuntes, vizinhos.
Sem critérios.
Podemos trair por puro amor.
Podemos matar por amor, fugir por amor
E ficar por amor.
Tudo.
Uma palavra solta.
O que já não há na atualidade
Agora todos estão juntos
Agora todos podem amar.
Verdadeiramente?
Mousin, onde está o sentido?
Se uma ideologia passa a ter tantos integrantes, não se torna passível de mudar?
Será que amar é o mesmo sentido de quando não era pop?
Vou ficar aqui, deitado esperando o tempo passar.
No século em que escrevo esses versos há tanto o que fazer,
Mas eu os escrevo por julgar saber o que é amor
E entendo por ele ser inteligível, e sinto, por ser popular.
Lembre-se que "amar" os poetas não sabem se é nobre
Mas é fácil, e por isso faço.
E por isso escrevo. Por não ser julgado.
Vou escrever a você o amor clássico
De quando havia sentimento
E do qual o mundo se esqueceu.
Pois, quando o "eu te amo" virou pop
O amor quase se perdeu.
Quase
Por Camila Josefa e Serafim
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Quando o "Eu te amo" virou pop
ŞiirPoema escrito por Camila Josefa e Serafim. Apresenta a contemporaneidade e liquidez dos sentimentos, segundo a perspectiva do eu lírico - um homem que ficou parado na melhor parte do tempo, quando o "eu te amo" não era pop.
