Capítulo I

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Estrada de merda! O carro estilo caminhonete balança mais uma vez.

Bufo enquanto Led Zeppelin ecoa pelos meus fones de ouvido, intrigada, quem seria esse homem tão isolado e tão rico?

É meu último ano de medicina, a última fase do meu internato. Eu estava feliz por ter chegado a onde estava, mais feliz ainda por ter conseguido essa oportunidade de cuidar de um desconhecido, oportunidade essa que paga inúmeras vezes melhor que um internato cansativo.

- Onde estamos? - puxo os fones enquanto pergunto ao caipira que dirige o carro enviado pelo meu paciente secreto para me buscar.

- Passando por Cruz del Sur, doutora. - ele responde numa voz calma.

- Quem é o paciente? Não me entregaram a ficha.

- É o doutor Gabriel. - ele não me dá maiores detalhes, então decido mudar a abordagem.

- Hum, e qual é o seu nome?

- Josefino doutora, mas pode me chamar de Fininho.

O rapaz aparenta ser mais jovem que eu diz com uma voz mais leve. Ele tem os cabelos cacheados domados por um boné feio, o rosto salpicado por sardas tipicamente caipiras.

- E o que aconteceu com o doutor Gabriel?

- Uma queda de cavalo.

-E ele não foi ao hospital? - pergunto, curiosa.

- O doutor não gosta de hospital. - o menino pondera e continua. - Na verdade ele não gosta de sair da fazenda.

Concordo e faço silêncio. Vendo a paisagem rural linda tomar conta dos meus olhos.

Alguns minutos depois, ele anuncia que chegamos à Fazenda Roseiral.

- É aqui doutora! - o rapaz avisa enquanto me ajuda a descer do carro. - Não é lindo?

Observo os paredões de rosas vermelhas que cercam a fazenda, como um corredor, arbustos arrudeiam toda a casa principal, que mais parece um palácio. O prédio de dois andares num tom de creme exibe detalhes nas janelas e nas portas.

É como um paraíso, coberto de rosas e com o melhor cheiro do mundo. Aquele lugar era o mais bonito que eu tinha visto, mesmo que eu nunca tivesse visto muitos, nada se comparava àquele paraíso florido.

- É sim! - sorrio, emocionada.

Ele me dá mais um tempo para apreciar e me guia até a porta central da casa.

- Essa é a doutora que vai cuidar do patrão. - Fininho diz a uma senhora que varre a varanda, ela sorri e eu a retribuo.

O lugar por dentro é o luxo mais puro que já vi, a arquitetura mediterrânea misturada com algo masculino.

A cada passo que dou, fico mais curiosa para saber quem mora nesse paraíso.

- Eu vou pedir pra alguém levar as "mala" da senhora. - Josefino interrompe meus devaneios.

- Pode ser! E o paciente?

- O seu Gabriel tá no escritório.

- Posso conhecê-lo agora? - pergunto com um sorriso.

- A senhora é quem sabe..

Assinto e ele me conduz pelos corredores da casa, até pararmos diante de uma porta vitoriana amadeirada.

- Pode bater, vou levar os malote da senhora, ao dispor qualquer coisa viu?!

- Obrigada por tudo Fininho, você é muito educado. Pode me chamar só de Rosa, temos quase a mesma idade. - sorrio, o vendo corar pela minha gentileza. Aquilo era raro como uma chuva de diamantes, quando se veria um homem corar?

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⏰ Last updated: Jul 09, 2019 ⏰

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