Sheffield, High Green, 11 pm.
Alexander Turner
Eu precisava sair daquele lugar. Não aguentava mais os gritos e ameaças que recebia semanalmente da mesma fria pessoa. Precisava sair e precisava ser rápido, não sei como agiria se ficasse por mais alguns minutos na sua presença. Decidi, então, virar as costas e tomar um rumo que nunca tinha traçado. Iria para algum lugar longe para poder pensar, repensar e talvez até refletir sobre como minha vida mudou nesses últimos meses.
Fazia frio no espaço caótico do lado de fora e, pegando meu casaco, abri a portar indo em direção á uma caminhada que me esperava. Eu necessitava deste refúgio e assim o fiz.
Caminhava perambulando pelas ruas frias e solitárias enquanto uma fina neve começava a cair sobre meus cabelos me fazendo estremecer, mas me aquecendo por dentro. Esta fina neve representava a esperança e perseverança, uma vez que em todos os jornais dizia que não teríamos neve neste inverno, e me fez acreditar por um segundo que tudo voltaria a ficar bem.
Continuei caminhando, continuei sem rumo, até que avistei uma árvore seca, quase morta, na margem de um lago totalmente turvo e encoberto pela noite. Tomei a decisão de chegar mais perto desta obra tão magnífica que me deixara encantado. Conforme ia chegando mais perto o vento cantava e balançava meus cabelos como se estivessem pregando uma peça. Shakespeare ficaria orgulho, tenho certeza.
A árvore que parecia morta começa a dançar pois o vento a convidou. Era, de fato, uma cena linda de se assistir e tive a imensa sensação de privilégio por ser espectador de tamanha apresentação. Contudo, algo faz prender minha atenção na dança que estava sendo executada diante meus olhos. Era uma voz fina, quase infantil, quase pura demais. No mesmo instante me virei para certificar se estava acompanhado. Ninguém.
Retorno minha atenção á árvore e continuo a escutar a voz angelical cantando em meu ouvido. Sentia ela cada vez mais perto, mais aconchegante, como se tivesse achado em mim seu refúgio. Era uma versão lenta mas vibrante da canção de ninar "Ring-a-ring o'roses"
-Você me parece familiar.- diz a voz , doce e pensativa, cuja não sabia de onde e nem de quem vinha. Estaria eu sonhando? Decidi entrar na brincadeira. Só poderia ser uma brincadeira, certo?
-Somos todos iguais numa escuridão dessas.- Falei com certo tom de deboche, tentando arrancar mais informações sobre a pessoa por trás desta voz.- Onde você está? - Silencio fora minha resposta. Parecia que mesmo a árvore tinha congelado depois deste pequeno diálogo.
-Você pode me ouvir- Mais uma afirmação do que pergunta, foi o que recebi da voz. Soltei uma risada infame. Chega de piadinhas.
-Onde você está?- reformei minha pergunta mas continuei não recebendo resposta. Comecei, então, a ficar sem paciência e , trilhando passos e andando em círculos, tentei achar dono desta voz.
-Você consegue me ouvir!- A voz está alegre, foi exclamada. Depois de soltar essa frase, ouvi vários burburinhos, mas não consegui identificar nenhum deles. - Por favor, diga-me que consegues me ver.
-Se você saísse de seu esconderijo, talvez.
-Não, Alex. - Nesse momento eu congelei. Como essa pessoa sabia meu nome? O que queria de mim? - Você tem que acreditar, mas não estou aqui.
-Quem é você?
-Isabel. Isabel Salvatore.- Isso só poderia ser uma piada. Isabel Salvatore apareceu nas capas de todos os jornais de Sheffield há dois meses atrás. Fora assasinada enquanto estava andava pelas ruas sozinhas de seu bairro, era o que está descrito no jornal.Isabel Salvatore está morta. Quando percebeu minha falta de resposta, continuou- Você não sabe o quanto eu tentei entrar em contato. O quanto eu tentei me comunicar. Você pode me ouvir, Alex. Você é o único que pode me salvar.- A voz parecia estar próxima, mas não havia ninguém ali. Eu estava sozinho e sabia disso, salvando pela árvore e o lago. Eu estava sozinho e delirando. Olhei uma última vez a paisagem que estava diante meus olhos, virei-me e tentei sair.
-Não! Por favor, não se vá. Eu preciso de você. Por favor, confie em mim.- Não dei ouvidos e continuei minha caminhada para fora daquele cenário. Isso era ridículo! Eu estava agora ouvindo os prantos de um fantasma?
Enquanto caminhava, a voz parecia ter me deixado em paz, entretanto eu não parava de pensar sobre. Teria eu imaginado tudo isso? Tenho a capacidade de imaginar tal acontecimento?
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Cornerstone
Mystery / ThrillerNo meio de uma noite turbulenta, Alex Turner sai de sua confortável casa para espairecer. Durante uma volta na cidade ele descobre algo que não estava preparado para descobrir. O que ele deve fazer? Essa história é baseada em "Cornerstone". A ideia...
