09/07/2019
04:37 am
Aquilo se tornou algo tão rotineira após aquele dia terrível. Meus olhos se abriam lentamente às 04 da madrugada — como o seu vizinho que todos os dias colocava Butterfly, do Loona, às 03 da tarde.
Uma comparação não tão pensada, sabendo que naquela hora em que eu despertava, após poucas horas de sono, me levantava para ir até o banheiro.
Talvez um banho melhore o meu humor, pensei. Bastava poucos minutos no chuveiro para que eu me escorasse naquela parede gélida e molhada do banheiro, deslizasse e chorasse repentinamente.
Era aquele dia.
Era um dia terrível.
Sua esperança era de que após os prantos, visse um alívio. Nem todas as coisas são como esperamos — sendo esse o motivo de o seu alívio nunca ter chegado depois de lágrimas e lamentações.
A escola ? Era um aluno muito dedicado, mas os professores notaram seu isolamento.
Os amigos eram apenas alguns objetos que pudesse usar para arranhar a sua pele.
Isso pode aliviar um pouco, eu pensava. Mas naquele dia eu estava determinado a fazer aquilo que sempre hesitei fazer — por coincidência, a lâmina que havia comprado há um tempo estava no banheiro e a vejo cair próxima de mim.
Encaro o objeto ainda dentro de uma embalagem.
Fiquei apreensivo e como de costume, mordia os lábios. Nervoso. Encolhia o meu corpo cada vez mais e ficando em posição fetal, as gotas do meu cabelo molhado caindo e se chocando no chão. Aquele som da água do chuveiro me deixava ainda mais tenso.
Meus olhos já ardiam novamente.
Tomei coragem e — aos poucos — minha mão direita ia de encontro ao objeto, no qual estava pensando se faria mesmo alguma diferença. Por um lado penso que aquilo me faria bem, por outro nem tanto. Mesmo assim segui com a escolha de que faria isso, estava determinado. Mordi o lábio inferior e peguei a embalagem com a lâmina ainda muito nova, encarei o produto por alguns segundos antes de abrí-lo. Ao abrir pensei em todas as coisas que já haviam acontecido comigo, eu não tinha um dos melhores contos do passado — na verdade, foi uma época que não quero vivenciar nunca mais.
Com a lâmina já fora daquela embalagem, eu já não pensava em fazer mais nada além de cumprir o meu objetivo naquele momento. Então posicionei meu braço em cima do meu joelho, coloquei a lâmina em cima de uma parte do meu braço e vi em uma linha fina de sangue já se formava mesmo ainda não completando tal ação. Fechei os meus olhos e antes de continuar, ouço um barulho alto vindo de algum lugar dentro de minha casa. Me assusto com aquele barulho estrondoso e decido ver o que tinha acontecido.
Me levantei do chão do banheiro, fechei o registro do chuveiro, me sequei com a toalha lilás que ali tinha e — após terminar de secar meu cabelo — enrolei a toalha em volta da cintura. Abri a porta do banheiro colocando a cabeça cuidadosamente para fora, olhando para o corredor da casa. O ambiente frio e com uma luz fraca vinda da janela da sala deixava o ambiente ainda mais bucólico. Procurei por muitos lugares algo que parecia ter sido a causa daquele barulho, exceto o terraço. Fui até a sala para pegar o molho de chaves que ali tinha, — senti meu braço arder um pouco — então continuei andando até a porta que dava acesso ao terraço da residência. A porta era de um modelo antigo, então ainda era um pouco difícil de se abrir. Logo que abri a porta, desci as escadas calmamente ouvindo o ranger dos degraus amadeirados e velhos. Pego uma lanterna em cima de uma penteadeira — também muito velha — para iluminar os locais mais escuros. Havia apenas uma única janela ali, observei a mesmo e notei que ela parecia ter quebrado ou coisa assim. Vejo que atrás de um balcão havia um rapaz — ele era grande, tinha suas madeixas tingidas do que parecia ser loiro platinado, lábios rosados e vestia apenas uma calça, confesso que era muito bonito — aparentemente desacordado. Mesmo que estivesse assustado com tudo aquilo, me mobilizei facilmente e decidi ajudar. Me aproximo e vejo uma tatuagem em suas costas onde tinham duas asas, além disso apenas alguns leves hematomas.
Penso em como levar o mesmo para a sala, vejo seu corpo ainda com seu tronco desnudo e coro. Antes de ajudar, subo e coloco uma roupa — decido não ir para a escola hoje.
Volto para o terraço e tento acordar o homem, mas ele não mostrava ter nenhuma reação. Então apoiei seus braços ao redor do meu braço e me ergui com ele sendo arrastado por mim até o degraus da escada. Finalmente depois de uma longa tentativa — pelo mesmo ser um pouco pesado para mim — consegui colocá-lo na sala, deitado em meu sofá. Ele parecia um pouco sujo, mas não liguei e pensei apenas em tentar acordá-lo ou apenas esperar.
Peguei a maior camisa que tinha e coloquei no corpo do mesmo e também um cobertor, já que estava frio.
Vou até a cozinha e preparo um café da manhã. Adorava o cheiro de café pela manhã, mas ela algo ridículo da minha parte já que não bebia. O café era algo que eu apenas usava como aromatizante, o cheiro me acalmava — na verdade era uma das poucas coisas que me acalmava.
Então o que eu optava por escolher era o suco de abacaxi ou de laranja.
No momento em que fazia o café e comia algumas cerejas, olhava o rapaz que estava deitado na cozinha. Ele dormia serenamente, parecia estar em um sono profundo e num estado tão leve. Outra coisa que tive que assumir, era de que ele é muito bonito. Me encantava cada detalhe do seu rosto.
Assim que eu havia terminado de fazer tudo, peguei algumas frutas, geleias e torradas para levar até a sala e dois copos com suco de laranja.
Me sentei na poltrona ao lado do sofá onde o rapaz de fios platinados estava.
Liguei a TV em um canal que passava alguns desenhos, — era outro costume que tinha durante as manhãs — mas a minha atenção naquele momento estava voltada ao rapaz.
Meu corpo parecia querer ter contato com ele, minhas mãos queriam acariciar seus cabelos. Eu estava ansiando por qualquer tipo de contato físico com ele, mas mesmo assim eu me restringia. Parecia ser pecaminoso fazer algo desse tipo. Não queria me deixar levar pelas emoções mais uma vez.
Lembro do que ocorreu hoje cedo, antes de ouvir o barulho causado pelo homem que ali estava.
A cena da embalagem da lâmina sendo aberta pelas minhas mãos, estava se repetindo inúmeras vezes em minha mente. Logo pensei em voltar e continuar aquilo que estava para fazer.
Suspiro.
Pego as coisas que ali estavam — já que o homem parecia não acordar naquele momento — e a levo até a cozinha.
Ponho o copo de suco, que estava cheio, na geladeira e lavo as outras coisas que eu havia sujado. Assim que termino de lavar todos os talheres, volto para a sala.
Vejo que o homem já havia acordado, ele parecia um pouco perdido. Eu estava completamente parado naquele momento e senti as minhas bochechas esquentarem.
O seus olhos encontraram com os meus e por alguns segundos nos encaramos e ele sorriu dizendo:
" — Olá ! Você é o Min Yoongi ? ", disse sorrindo.
" — Muito prazer, eu me chamo Kim Namjoon. ", se levantou e se aproximou de mim.
" — Eu … ”, me praguejo ao prolongar minha fala por puro nervosismo.
" — Como sabe o meu nome ? Quem você é afinal ? ".
Ele sorriu ladino para mim e olhou para o lado coçando sua cabeça.
" — Talvez se eu lhe dissesse, não acreditaria nas minhas palavras. Porém, eu te prometo que não sou alguém ruim. Muito pelo contrário. "
" — Tudo bem, mas pelo menos me diga mesmo assim ! ", exclamo.
" — Eu sou o seu Anjo da Guarda, irei ajudar você e te proteger a qualquer custo. "
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Angelus | Namgi |
FantasíaTalvez fosse um caso um tanto quanto peculiar para Min Yoongi, um garoto jovem, que nunca mais seria o mesmo após conhecer Kim Namjoon - o qual despertava uma coisa ainda muito confusa aos olhos de Yoon. O que seriam todas aquelas macias e brilhant...
