Indecisão e frustração

117 4 12
                                        


Igor

Por mais que eu goste das atividades extracurriculares eu não suporto mais ter que ver a cara desse garoto. Normalmente eu me dou bem com todo mundo, sério, mas tem alguma coisa em um veterano específico na escola que me tira do sério o certo elemento nomeado Lucas. É algo que eu adoraria exterminar das minhas manhãs desde o momento que eu cheguei na escola — sério, todo mundo sabe que ele não vale nada.— o sino tocou e o professor de matemática liberou todos, mas ouvi quando ele pediu para que eu permanecesse na sala. — Igor, o que está havendo? Cara, você de fato tem talento é um ótimo aluno, mas as reclamações só aparecem. Algum problema em casa? — dei a volta em duas cadeiras de frente a minha, meu acento se encontrava na parede perto da porta. — Fessor, sério? Está tudo bem em casa, eu só não concordo com certas coisas nessa bosta e... — Eu adoraria ter terminado minha linha de raciocínio com Marcos até uma batida sem graça, descarada e irritante me interromper. — Licença. Professor, estamos precisando dele — o jeito que ele apontou pra mim quase me fez rir com deboche. —O time todo está esperando. — Concluiu o insuportável. Marcos me olhou como se aquela conversa não tivesse terminado e me liberou.

Lucas

Os meninos já tinham liberado o vestiário e como eu tive que ir chamar a princesinha da Disney acabei me atrasando. Procurei minha bermuda no armário e bati com a cabeça no mesmo por lembrar que esqueci na lavanderia. — Lucas você é um idiota. — disse em voz alta para mim mesmo. — Está aí algo que concordamos. — Eu iria reconhecer essa voz nojenta até no inferno, me virei do armário e olhei Igor, ele já estava sem camisa e perambulando pelo vestiário procurando sei lá o que. — É ótimo quando optamos por não se meter no que não é da nossa conta. — Digo procurando o short oferecido pela escola no armário e começo a me despir, é estranho, mas sinto os olhos de Igor seguirem meus movimentos até que eu vista toda a roupa para o futebol. — Seu short parece com os das garotas, faz sentido já que vocês têm tanto em comum incluindo o gosto pra homens, né? — eu queria jurar que ele não disse uma coisa dessa, de verdade, antes que desse conta de mim eu já estava perto suficiente para respirar o mesmo ar que ele quando apontei o dedo em seu peito o ameacei para parar com essa merda, ele riu entre dentes e ajeitou o topete, com a distância que normalmente mantemos um do outro não da pra notar o quanto ele era mais alto que eu. — Você é tão estúpido, Igor. — O nome dele soou como se eu estivesse me referindo ao ser mais baixo e nojento da terra, pois eu estava. — Porque a garotinha está toda vermelha? Será se estou certo e sou um dos seus fetiches? — ele disso isso mais perto, o que me deixou sem reação, talvez eu realmente esteja vermelho, talvez eu esteja pensando em fazer uma merda, mas a voz de Paulo chamando seu nome ao entrar no vestiário fincar os pés no chão o que me faz soltar o ar e me afastar o máximo que eu posso do Lucas e seguir meu caminho para o campo.

Igor

Eu não consigo pôr em palavras a raiva que eu estou do Lucas, sinceramente eu conseguia conviver com ele até agora, eu vi a hora que todos saíram do vestiário menos ele, eu entrei e o vi sentado lá, tranquei a porta e fui até ele. — Sério, cara. Qual seu problema? Tudo bem você não gostar de mim, mas estragar meu jogo? Caralho você não pegou uma bola, moleque. — Aconteceu tão rápido que eu apenas senti o gosto de sangue na boca, não acredito que esse filho da mãe socou minha cara, eu o fulminei com olhos antes de pegar ele pelo colarinho da camisa e pressionar contra a parede, as mãos dele estavam marcando meus pulsos. — Qual o seu problema Lucas? — Me solta Igor, me deixa em paz, estrume. — Ele me chutou e eu o soltei tempo suficiente para puxá-lo para o chão e prendi as mãos dele. — Por que você estragou o jogo? — o silêncio dele me consumiu e eu apertei mais seus pulsos. — Por que, Lucas? — falei apertando mais os pulsos dele. — Vai a merda, você acha que o mundo gira em torno de você? Palhaço. — Tinha lágrima escorrendo dos olhos dele, e eu não sabia se o estava machucando de verdade ou era algo que eu não conseguia ver. — Me solta Igor, ou eu vou gritar. — antes ele pudesse realmente gritar eu o beijei, beijei mesmo e soube que ele correspondeu quando senti o gosto de sangue se misturar com o de sua boca, eu ainda segurava o braços dele, mas deixe afrouxar o suficiente para ele erguer o corpo e continuar me beijando comigo em seu colo, a que ponto minha loucura chegou, isso precisava parar, eu não queria, mas precisava então me afastei dele às pressas e fiquei de pé ajeitando o cabelo, eu estava nervoso? — Igor, eu... — ele já estava de pé se aproximando de mim, eu não queria ouvir, então devolvi o soco, destranquei o vestiário e sai correndo de lá.

Earth and LightWhere stories live. Discover now