Eu não me lembrava. Havia jogado aos porcos cada palavra que gastei com e sobre você. Eu não me lembrava porque havia ignorado cada sensação, memória, dor desse tempo. O qual não sabia, mas tinha designado totalmente à você.
Demorei para perceber as falhas. Eu estava cega. Abandonei qualquer vestígio do que estava por vir. Apesar disso, eu sabia. Era óbvio. No entanto, insisti em permanecer naquele torpor inebriante, na extasia que apagava a real situação.
Foram os meus tempos sombrios, os quais me tiravam o sono mas ainda me mantinham dopada. Não conseguia enxergar uma saída para tanta miséria que meu coração já mal suportava. Você me dilacerou, arrancou de mim o que me sacrifiquei pra não perder. Então eu não existia mais. Foi-me tirado com tamanha brutalidade. Isso não foi esperado. O fim sim, mas não como se mostrou ser, sua verdadeira forma. Meus olhos estavam embaçados diante tanta mudança. O fato é que você já era assim, eu que enganei à mim mesma tentando sustentar uma imagem.
