Capítulo 1

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Poncent é uma vila calma apesar da sua localização, fica próxima a planície dos encontros, uma vasta planície contendo as principais e mais seguras estradas do reino de Erloz, entre elas a estrada real, uma noite fresca com o céu estrelado e sem nenhuma nuvem permite a luz da lua iluminar um corredor de uma grande casa onde habitam várias crianças, entre eles um jovem menino de dez anos, de cabelos castanho claro, magro, um metro e quarenta centímetros de altura com roupas velhas e um pouco pequenas para seu tamanho, estando rasgadas em alguns pontos e outros já costurados anteriormente, seu corpo está sujos de lama já seca, estando sentado em um largo e velho banco de madeira, com alguns pedaços faltando do encosto e farpas no acento, que propositalmente foram deixadas para que machucassem a bunda de quem quer que fosse que se sentasse ali e decidisse se mexer muito, mesmo que ninguém queira se mexer, é uma tarefa difícil, já que as pernas tortas do banco fazem com que o banco tenha um lado mais baixo do que o outro, e quem quer que esteja sentado não conseguia ficar muito parado, pois tinha que se arrumar de tempos em tempos para não escorregar nas farpas, de qualquer forma, nunca ninguém sentou no banco sem ser espetado, qualquer morador da casa sabia que se não permanecesse sentado e se fosse pego, o castigo seria pior, de cabeça baixa ele escuta o som abafado que vem de perto, o barulho das outras crianças, o som sai de uma porta que fica ao seu lado esquerdo mais à frente no corredor de pedra fria iluminado pela luz natural e por tochas do pátio próximas a janela, velas penduradas na parede em castiçais de três, nas quais apenas uma era acesa por vez proporcionavam o restante da luz necessário para a movimentação pelo corredor, onde ao final dele está a porta que dá acesso ao salão de jantar, assim sendo chamado apenas pelos adultos que moram na casa, as crianças não achavam que aquilo se parecia com um salão de jantar, uma sala que continha algumas mesas grandes mas que não tinham lugares suficientes para todas as crianças não se poderia chamar de salão, as crianças que não conseguiam lugar e que não quisessem esperar por um, poderiam comer no chão, todas recebendo suas refeições juntas, que não passava de pão, arroz, alguma carne de animal de origem duvidosa que em alguns dias até mesmo se podia achar um pedaço ainda contendo pelos da antiga criatura, mas enquanto os pelos fossem grandes o suficiente para que não pudesse ser de um rato as crianças comiam com mais tranquilidade depois de retirarem os pelos, não que se a carne fosse realmente de rato elas não comessem, algumas poderiam comer a carne de rato tranquilamente, fora a duvidosa carne, outras opções ficavam entre peixes pescados pelas próprias crianças que terminavam os trabalhos mais cedo e saiam para tentar pegar algum, algum ensopado de legumes, mesmo que ninguém conseguia diferenciar os legumes que estavam nos pratos ou se tivessem sorte na primavera ainda ganhavam alguma fruta ao final para adoçar a boca depois da comida que as vezes, em sua maioria na verdade, vinham sem gosto, a comida era muito usada como moeda de troca pelas crianças, sendo as mais valiosas o peixe ou fruta, trocada na maior parte das vezes por alguma peça de roupa de uma criança que já cresceu o suficiente para não poder usar ou a oportunidade de uma criança trabalhar no lugar da outra em alguma função.

No corredor na qual está o garoto sozinho ele pode apenas esperar que a larga porta que fica na parede a sua frente se abra, e a espera é sempre longa quando se está sentado ali na hora de qualquer refeição do dia, quando finalmente a porta se abre após uma longa espera, o garoto vê parada abaixo do batente da larga porta, uma senhora gorda que denuncia o porquê da porta ser mais larga que o normal, baixa e usando um vestido de cor cinza escuro com costuras cor de vinho, cobrindo quase todo seu corpo com exceção de sua cabeça, cabelo até na altura do ombro parecendo deixar o rosto da mulher mais redondo, os olhos quase escondidos por tamanhas olheiras abaixo deles, algum desavisado que a conhecesse pela primeira vez poderia até mesmo achar que ela fosse um homem por causa do bigodinho que cresce a cima dos lábios gordos, o canto da boca suja de comida demonstra o porquê da demora de recebê-lo, chamada de Madre Supa, mas conhecida pelas crianças como Senhora Sapa, a freira responsável por todo o orfanato na qual as crianças vivem, quase nunca sai da sua sala, apenas para seu quarto durante a noite e para usar o banheiro que é um balde em um pequeno quarto privado, que é retirado e lavado sempre pelas crianças, sendo este trabalho o mais caro entre elas, a que não deseja realizar a tarefa precisa pagar caro para outra fazer, a comida que a Madre Supa come é entregue ali na sala, quando ela é obrigada a sair por algum problema causado por uma criança, a criança que causou o problema não é vista por uma boa quantidade de dias, são sempre levadas para a despensa, o ultimo que causou um problema foi um menino gordinho que nunca teve problemas em trocar o trabalho de retirar e lavar o balde do banheiro da Madre Supa pela comida extra, conseguindo assim o porte físico volumoso, era apelidado de bolha já que a gordura o deixou com um formato redondo um tanto exagerado e suava tanto durante os dias quentes ou nos dias que trabalhava, que normalmente era quase todos os dias, que o deixava com um aspecto que parecia uma bolha de sabão de tanto que brilhava pelo suor, só foi visto duas semanas depois de ser levado pela Madre Supa, voltando tão magro que seu apelido de bolha foi até mesmo esquecido, agora ele é chamado de pelanca, pela quantidade de pele que sobrou em sua barriga e peitos agora caídos, todos sabiam para onde as crianças que eram levadas por ela iam parar, é raro encontrar alguma que nunca foi para o mesmo lugar.

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⏰ Last updated: Jul 05, 2019 ⏰

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