Capítulo único

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Todas as lojas de eletrônicos estão com seus estoques chegando ao fim. Os governos de todos os países buscam estratégias para tentar atrasar essa crise eminente. Os fabricantes reclamam que não tem mão de obra disponível para aumentar a produção, visto que até mesmo os próprios trabalhadores se entregaram ao vírus.

A violência começou aos poucos. As lojas de telefonia foram sendo saqueadas por selvagens em busca de aparelhos telefônicos, já que os fabricantes de máquinas fotográficas profissionais e filmadoras não deram conta e terminaram toda produção. A força policial não dava mais conta, fazendo com o que o caos consumisse as cidades.

Com o exército enviado para ajudar a controlar a população e os infectados, pensaram que o caos seria controlado de vez, mas estavam todos profundamente enganados. Os soldados foram aos poucos afetados pelo vírus e não tinha escapatória, você era pego de um jeito que não tinha salvação. Com todas as alternativas do governo falhando, estávamos todos entregues ao fim.

Os aeroportos ficaram um caos depois de tanta gente tentar sair do país. Pouco depois ficamos sabendo que o mundo fora atingido, então a escapatória não existia. Os infectados transmitiam com sucesso o vírus para todos que tinham contato e até para quem estava longe. As informações não existiam porque nada era descoberto, nem tempo de estudar tínhamos. Precisávamos correr.

Desde então tentamos sobreviver como tribais em cavernas, saindo somente quando é realmente necessário. Sem internet, telefone e nada que envolva a tecnologia, estamos, pelo menos por hora, livres desses animais que só pensam em infectar mais pessoas.

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Alguma coisa não estava certa. Os gritos e as gírias que se ouvia nas ruas cessaram de súbito. O buraco que era nosso esconderijo um segundo atrás, escuro como a noite, agora estava tomada por luzes e mais luzes dos infectados. Haviam nos encontrado e não tinha nada que poderíamos fazer. A maioria de nós se entregava aquele vírus simplesmente aceitando aquele aparelho e clicando naquele botãozinho vermelho que os infectados não paravam de gritar o nome. Já o resto que resistiu, infelizmente não aguentando toda aquela cena de dominação, se matou do modo que conseguiu. Os infectados começaram a tirar fotos e filmar todas as pessoas mortas ao chão.

No mesmo dia, nos vários sites de criação de conteúdo, os vídeos com mais destaque se tratavam do mesmo assunto: "Gravações de pessoas se matando"; "Invadi uma caverna de sobreviventes e olha no que deu"; "Invadimos uma caverna assombrada!!!!"; "Vídeo ao vivo direto de uma caverna com pessoas mortas".

Não foi diferente de redes sociais que surgiam fotos com legendas de "pobre gente que não sabe aproveitar a vida" ou "quantos likes esses guerreiros merecem?". Nos sites que eram controlados por pessoas que ainda sobrevivem sem o vírus aparecia o seguinte título: "A geração vlogger e digital influencer domina o que resta de pessoas normais.".

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