O VIDRO ESCURO QUE cobria toda a extensão do que deveria ser uma parede escondia completamente as quatro mulheres que acompanhavam a movimentação das pessoas no salão principal. As mãos mal tocavam o vidro, elas não precisavam chegar muito perto para sentir a sensação de poder, de dever cumprido e principalmente: o sucesso.
Mesmo sendo totalmente diferentes, elas tinham todos esses sentimentos em comum e deveriam ter mesmo. Serem as primeiras mulheres donas de uma casa de swing era fazer história no Rio de Janeiro.
E terem seu estabelecimento sacramentado como o melhor do estado fazia com que elas pudessem se sentir convencidas.
Mas elas mereceram aquilo tudo. O Templum tinha sido erguido com muito suor, sacrifícios e mentiras. Sim, muitas mentiras.
Porque não tinha como explicar à uma sociedade naturalmente machista que uma mãe de família, uma estudante de medicina, uma herdeira vinda de uma família extremamente religiosa e uma mulher livre, podiam sim serem donas de uma casa de swing. Por isso, elas não eram conhecidas por nada disso.
Ninguém ali as conheciam de verdade.
Verena era a criadora de tudo ali. Sempre foi uma mulher forte, decidida e livre. Liberdade poderia facilmente ser o seu sobrenome. Era linda também, sempre cobiçada em todos os lugares por onde passava e o Templum tinha se tornado seu sonho mais ou menos no segundo ano do ensino médio, quando a ideia veio por meio de um livro que lia. Há três anos atrás ela tinha apresentado à proposta as suas três melhores amigas e ali estavam elas. Seu nome no Templum era Mafdet, uma deusa antiga da mitologia egípcia, uma das deusas da justiça e das execuções que se ocupava em proteger os aposentos dos faraós e outros locais sagrados contra o ataque de animais venenosos.
Allana era melhor amiga de Verena desde o ensino médio e cursava medicina. Independente, sensível e orfã, ela aceitou a proposta de Verena por necessidade. Ela cresceu num orfanato e foi sozinha boa parte da sua vida, tudo o que conquistou foi fruto de muito suor e lágrimas. O Templum passou a pagar as suas dívidas e a sua faculdade e ela sempre seria grata à ele, mas não imaginava o seu futuro ali. Era Maat, deusa egípcia da justiça, da verdade e da ordem.
Ivana era a mais nova, entretanto, a que mais tinha responsabilidades. Casada e com dois filhos, ela esconde o Templum com unhas e dentes de todos. Morre de medo que sua família e principalmente, seu marido, Robson, descubram com o que trabalha. A única pessoa que tem conhecimento do Templum (além de suas amigas), é a sua empregada Jane, que está sempre aposta para cobrir os rastros da patroa. É Ísis, deusa egípcia do amor, da maternidade, da fertilidade e da magia, protetora da natureza e considerada modelo de mãe e esposa.
Letícia não tem muito com o que se preocupar na vida. Sendo herdeira de um império de perfumaria, foi a principal investidora do Templum. Paulista, ela se mudou para o Rio de Janeiro depois de conhecer as três mulheres e se tornar amigas delas. Não se importa muito com a exposição de seu nome caso descubram que ela é uma das donas da casa de swing mais cobiçada pelos cariocas, mesmo tendo uma família extremamente religiosa e louca. Namora Felipe, um homem dos "sonhos". Gosta de pensar que é Hator, deusa egípcia das festas, do vinho e da alegria, considerada guardiã das mulheres e protetora dos amantes.
Juntas, elas passaram por bons e maus bocados, e você vai ver que passarão por ainda mais.
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Templum
RomanceQuais são os fatores que acompanham o poder? A discrição? A sinceridade? A ousadia? Ou o objetivo? O que faz alguém almejar o poder? O que faz alguém se acostumar com ele e tratá-lo como um velho amigo? Quatro mulheres descobrem o quão diferente pod...
