Capítulo Seis O Enigma

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— Soltem a prancha! — gritou o porco, quando uma ventania tomou de conta dos amigos.

— Vamos morrer! — exclamou Maine, agitado.

— Já estou me sentindo um super homem — disse Carrapicho, soltando a prancha e flutuando no ar.

— Aí vou eu!— gritou Ursa Lina, mais louca do que nunca.

Annohla soltou a prancha, mas não conseguiu voar por um instante, batendo forte na água salgada, engolindo quase um litro de água. De vez em quando, peixes batiam no rosto dela.

— Bota força para baixo, princesa! — gritou o porco. —Também, um barril desses — disse ele para si.

Annohla conseguiu voar, sendo puxada para cima. Alguns golfinhos zombaram dela.

— Bem que ela podia nadar com agente — disse um dos golfinhos.

— Nossa! — falou outro. — Acho que ela pesa mais do que a Keiko!

E assim Annohla, Carrapicho, Maine e Ursa Lina conseguiram sobrevoar o Pão de Açúcar, indo em direção à famosa Floresta de Cristal, somente lá eles poderiam encontrar a Fada dos Desejos e assim realizar um único desejo. No entanto, havia ali uma corrente de furacões impedindo qualquer um de entrar na Floresta por cima. Os quatro foram puxados para o lado direito e lançados com força total em direção a um pântano.

— Socorro! — gritou Annohla, nervosa.

— Acho que vou desmaiar — disse Maine.

— Que divertido!— disse Ursa Lina, se requebrando no ar.

— Alguém nos ajude, não quero me quebrar! — gritou Carrapicho.

Eles foram jogados a uns dez quilômetros de distância da Floresta, caindo em um mar de lamas e plantas podres e fedidas.

— Ai que nojo! — murmurou Maine.

— Que fedor! — cuspiu Annohla, toda cheia de lama. Seu vestido estava marrom.

— Vamos fazer de novo — Ursa Lina falou, toda enlameada.

— Alguém me tira daqui — pediu Carrapicho, atolado até a cabeça na lama.

Ursa Lina tentou puxar o boneco, mas só veio o braço do coitado. Annohla, com muita calma, conseguiu tirar o boneco da poça de lama, mas quase ficou atolada.

— Vamos logo sair desse lugar imundo — disse Maine, tentando limpar os pelos cheios de areia e resto de plantas. — Nunca tinha passado por isso. Estou me sentindo um barrão de tão sujo e fedido.

Annohla começou a coçar a cabeça.

— Maine, olha aqui — ela botou o dedo em uma parte do cabelo. — Dá uma olhada, está coçando tanto.

Maine olhou e levou um susto.

— Minha divina Santa Lola! — disse o gato assustado. — Seu cabelo está cheio de boi e dos grandes. Sai de perto de mim, senão você vai me passar.

Annohla saiu gritando apavorada, tentando tirar os piolhos do seu cabelo.

— Além de princesa, ela é fazendeira — disse Ursa Lina, morrendo de rir da amiga.

— Aposto que foi você, sua piolhenta — falou Maine apontando para Ursa Lina.

— Eu sempre tive piolho, mas eles são gente boa — respondeu a ursa, tirando um piolho do tamanho de uma abelha das costas.

— Eca! — disse Maine. — Quando encontrarmos a Fada dos Desejos, vou pedir para ela um pote de enxofre.

Eles caminharam tanto que ficaram quase mortos. Annohla estava morrendo de fome e sede. Maine estava cada vez mais sujo e Ursa Lina de vez em quando comia porcarias que ela encontrava no caminho.

— O que é isso que você está comendo? — perguntou Maine, curioso vendo a amiga mastigando.

— É um cascudo preto! — respondeu a ursa.

— Me segura, eu vou desmaiar — disse Maine, tendo uma angústia no estômago.

Eles foram andando até chegar à trilha para a Floresta de Cristal. Havia bem perto uma cachoeira de água cristalina, boa para banhar.

— Eu não acredito! — saltou Maine, feliz. — Água!

— E das boas! — cogitou Carrapicho.

Os quatros se deliciaram daquela água maravilhosa. E depois continuaram a jornada. Bem adiante, eles avistaram diversos personagens tentando desvendar um mistério. Tinha uma boneca de cera se derretendo, um cachorro dançarino, uma vaca grávida, um leão triste, um dragão que cuspia água e um monte de anões gigantes.

— Eu sei — disse a boneca de cera, uma parte da boca já estava derretida.

— Você não sabe de nada, boneca de cera — falou o cachorro dançando.

— E você também não sabe de nada — resmungou o leão triste, com cara de quem comeu e não gostou.

— Pois eu, mooo... Sei de muita, mooo... coisa que vocês não sabem mooo... — disse a vaca, ruminando uma bola de capim.

— Não quero saber, eu cheguei primeiro — disse o dragão cuspindo água, na direção de Annohla.

Annohla se desviou do jato.

— Cuidado! — alertou a princesa, mas o dragão não deu a mínima para ela.

Os anões gigantes também disseram que sabiam.

Maine tentou ver o que era aquilo que todos diziam que sabiam. Carrapicho e Ursa Lina tentaram ver também.

Em uma pedra havia a seguinte frase:

Para entrar na Floresta de Cristal

Terão que decifrar

A pergunta posta pela fada!

Mais embaixo a pergunta:

Por que a água foi presa?

@iF

Princesa AnnohlaLeia esta história GRATUITAMENTE!