Uma mensagem inusitada de Pedro II é revelada ao mundo, no dia 21 de novembro de 1921. Seu neto, o príncipe Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, procura uma curadora do Museu do Louvre, que é grande admiradora da Família Imperial Brasileira. M...
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No dia 21 de novembro de 1921, a curadora Giselle Mathieu recebeu uma estranha e inesperada visita no Museu do Louvre. A secretária disse que um homem chamado Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança estava a procura dela. Giselle sentiu um espanto assim que ouviu o nome. Nunca falara com um nobre diretamente, nem mesmo com um nobre francês; quanto mais um príncipe brasileiro. A curadora recepcionou imediatamente o nobre, o cumprimentando com a cabeça levemente abaixada.
- Senhor príncipe! O que devo a honra de sua visita ao Louvre? E o que posso lhe ser útil? Ah, mas antes, quero expressar meus mais profundos pesares pela morte de sua mãe. Admirava muito a mulher que a Princesa Isabel fora durante toda a vida.
- Muito obrigado por vossos sentimentos. Sei que são sinceros, como também sei que és grande entusiasta da história de minha família, e de como governaram o Brasil. Mamãe chegou a me falar sobre ti e sobre tua admiração. Mas senhorita, não fique tão acanhada. Sou um príncipe sem principado; real apenas de sangue e família. Mas entendo que se trata de modos respeitosos e delicados, nas quais muito aprecio. — Disse o príncipe, beijando a mão da moça. E continuou:
- O motivo de minha visita é para mostrar a senhorita um documento único sobre meu avô.
- Sobre o Imperador D. Pedro II do Brasil?
- Exato. Um pouco antes de vovô falecer, ele escreveu um pequeno relato de algo que acontecera um dia antes da proclamação da república. Está neste caderninho, com outras pequenas anotações e memórias que ele tanto escreveu durante o exílio aqui em Paris. Mamãe ficou com este caderninho durante toda a vida, até a sua morte.
Ao ter dito isso, o príncipe tirou o caderninho do bolso do paletó e mostrou a curadora em que página o tal relato começava. Ainda acrescentou que, apesar de todas as memórias do caderno serem de extrema importância histórica, havia uma certa singularidade no relato que ele estava apontando. Mas Giselle não era fluente em português, então o príncipe decidiu ler para ela, traduzindo. Eis o relato:
Faz exatos dois anos que deixei o Brasil, país que servi incessantemente por toda uma vida. Servi minha terra com orgulho, mas foi inevitável sentir a melancolia do momento. O que quero relatar aqui é um estranho encontro que tive com um menino, no jardim do Palácio Imperial de Petrópolis, no dia 14 de novembro de 1889, um dia antes de terem me arrancado dos brasileiros.
Eu estava passeando pelo jardim, por volta das nove horas da manhã. Avistei um menino passando por ele, que tinha jeito de estar procurando alguma coisa que perdera. Tive vontade de ir até ele, mesmo com minhas limitações físicas. Isabel, olhando um pouco de longe, me perguntou onde eu estava indo. Disse que iria até o menino que estava em nosso jardim. Tive a impressão que minha doce Isabel não chegou a ouvir direito o que eu dissera.