O som do despertador ecoou pelo quarto pequeno. E naquele primeiro momento eu senti três coisas:
Um susto que quase mandou minha alma para fora do corpo.
Uma necessidade real de jogar aquele objeto de tortura pela janela.
E um ódio mortal de senhorinhas sorridentes de 90 anos.
Isso porque eu estava sendo obrigado a acordar às 6 da manhã em um sábado, o que vinha se repetindo a quatro semanas, e se repetiria por mais oito.
Quando sentei na cama naquela manhã, eu ainda era mais um dos Barret semidesnutrido e sardento. Por esse motivo evitei o espelho no caminho para o banheiro.
E esse foi o motivo de eu ter saído de casa com a palavra “Panaca” escrita de caneta esferográfica na minha testa.
Já não era ruim o suficiente ter o super gentil e amável treinador da minha escola me esperando no quintal de casa. Sem tirar o fato de eu ser obrigado acompanha-lo em uma viagem de meia hora para cumprir mais um sábado de detenção.
-Muito obrigado pela carona, Senhor Rogers.
-Tem uma coisa aí na sua testa muleque idiota.- despediu-se ele gentilmente.
Naquele momento foi que eu descobri que minha irmã caçula M.G, além de semidesnutrida e sardenta, também era uma artista nata.
Porque embora a intenção fosse bastante cruel a coisa na minha testa era uma excelente pichação, daquelas que os vândalos fazem nos muros da cidade.
Ela usou até três cores diferente de caneta.
Também questionei um pouco a capacidade do Senhor Rogers de me odiar, já que ele podia ter me avisado quando entrei no carro, não quando sai dele.
No curto caminho até às portas da instituição, eu estava tentando imaginar o que é que passara na cabeça do Senhor Rogers enquanto ele dirigia até ali.
Eu sabia que ele não ficava nem um pouco feliz por ser obrigado a acordar às 6 da manhã, em um sábado, para levar adolescentes idiotas para cumprir seus castigos em serviços comunitários. Mesmo que metade de nós, os adolescentes idiotas, só estávamos cumprindo pena porque foi ele quem nos mandou para lá.
No geral, ele não era muito fã de adolescentes. Principalmente dos pouco esportivos, sem talentos físicos ou inteligentes o suficiente para questionar o motivo que leva alguém a correr sem parar, durante duas horas em um gramado, atrás de uma bola.
Ele não gostava muito de mim. Muito menos quando eu tinha a palavra “Panaca” tatuada na testa. Essa última parte eu até podia entender.
Quando avistei a senhorinha que era responsável pelo asilo, eu fui obrigado a tirar o Senhor Rogers da cabeça. Por um momento até fiquei meio triste. Porque isso significava que meu cérebro entraria em hibernação pelas próximas 8 horas.
E era sempre assim.
Algo em mim, provavelmente a área cerebral que lida com traumas severos, simplesmente desligava tudo e eu passava a trabalhar no automático. E tudo que eu ouvia era.
-Bom dia Senhor Barret, blá blá blá, blá blá blá blá…Essa é sua lista de afazeres e você blá, blá, blá blá blá blá. Pode vir até mim se tiver alguma dúvida durante o dia…
Eu sempre acenava com a cabeça quando pagava a lista de traumas que eu deveria passar antes de finalmente ser liberado e ir para casa.
Tentava parecer corajoso, como o Superman ao avistar seu dark-inimigo, Pinguim, armado até os dentes de criptonita.
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AGAIN- O tempo que passei com você
Science FictionWade Barrett é um jovem brilhante, com uma inteligência acima da média e um ímã para atrair a irá de valentões. Após ter que cumprir trabalho voluntário em um asilo, Wade passa a conhecer mais sobre os mistérios do espaço/tempo com uma das senhoras...
