Son of Man: Capítulo Um

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                Autocontrole. O controle sobre as capacidades humanas. E um dom a se dominar. E algo que o dinheiro não pode comprar.

Em algum lugar em um velho centro de uma grande cidade, um jovem, feliz com seu emprego encarava a entrada de um tradicional dojo. O bairro todo tinha muitos traços remanescentes de uma imigração oriental de décadas atrás, e muitos de seus costumes acharam um lar.

O jovem inspirou fundo, seu longo cabelo liso e preto preso em um rabo de cavalo, caía sobre as costas de sua camisa social, requerida pelo emprego. Estava tímido, e ansioso. Ele parou e olhou um pouco ao redor, tentando tirar o foco de seu próprio nervosismo. Era uma rua estreita, onde poucos carros podiam passar, mas pessoas trombavam-se aos montes, em horários de pico. Era alguma hora do fim da tarde, pessoas iriam começar a sair do centro, mas ainda estava bem vazio. Ele viu um trio de garotos com uniformes, rindo alto e andando despreocupadamente, viu um casal adolescente, de mãos dadas e algumas compras, viu um senhor de idade andando lentamente com uma bengala. Ao virar-se para trás, viu que o piso de madeira do dojo, que ficava acima do chão serviria como um bom banco para descansar suas pernas cansadas.

Voltando-se para as pessoas que passavam por ele, decidiu prestar atenção em mais detalhes, e concentrar-se mais em cada um. Os garotos que andavam rindo alto eram três: um era baixo e tinha uma barba arrumada, outro tinha cachos largos e usava uma camisa aberta sobre a camiseta da escola, o último era asiático, usava óculos e era alto e gordo, pareciam rir do garoto de barba, elogiando o jeito que ele falou com uma garota. O casal adolescente parecia ter dinheiro, estavam bem vestidos. O garoto tinha porte atlético, cabelo loiro, em um corte de modelo, a garota andava de mãos dadas com ele, tinha o cabelo cortado abaixo dos ombros e um sorriso de artista. Eles estavam já a uma distância, então o jovem não ouviu sobre o que falavam. O senhor andava arrastando os pés e usava um sapato de modelo antigo. Suas costas eram curvadas pra frente, sobre a bengala de madeira.

Tomados alguns galões de oxigênio e alguns bons e longos minutos, mas ele entrou. A porta de madeira abria-se correndo para a direita, e dentro o cheiro de chá quente e madeira aqueceu seu rosto, e à sua frente um sofá antigo, bem preservado, virado para uma mesa tradicional japonesa, baixa, cercada de almofadas finas. No centro da mesa, virado para a porta e o sofá, um senhor de idade, pequeno e magro, seus cabelos brancos se agarravam como marinheiros a um barco que está prestes a naufragar, e o tempo é a maré violenta que o afunda.

Cordialmente, ele apontou para o sofá, onde novos convidados, desacostumados com os costumes orientais devem se sentar. O jovem quase aceitou, mas ao ver um homem, com cerca de seus trinta anos, sentar-se sobre seus pés à mesa, ele reconsiderou, e sentou-se à frente do mestre.

Lhe serviram um chá em um copo grosso de porcelana, sem alça. Uma bebida fervente de um verde escuro. Ele tentou beber, com os lábios fechados, mas ao sentir que estava mais quente do que ele podia, devolveu o copo à mesa.

O mestre o estudava com olhos cansados que estudaram pessoas de outras gerações. Ele suspirou e descansou o copo na mesa.

-O que o traz aqui? – ele perguntou pacientemente.

Sua voz o deixou nervoso de novo, intimidado pela calma e tranquilidade do mestre.

-Eu quero treinar kendo – respondeu o jovem.

-Por que? – indagou o mestre, que olhou em seguida para o homem.

Ele parou e filosofou por um instante, mas como um músculo acostumado a fazer a mesma flexão, concluiu rapidamente.

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⏰ Last updated: Apr 03, 2019 ⏰

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