Acordei levando chicotadas, em um local escuro, molhado, parece um barco, não há só eu aqui, existem mais pessoas aqui, todos negros, gritos ameaçadores dos homens brancos, com chicotes e armas, gritando, chutando e empurrando, preciso correr para que não seja morto. Os homens brancos nos prende todos em fileira para ninguém tentar fugir depois de sair do barco, enquanto somos alinhados, vejo brancos jogando corpos ao mar, esta imagem me aterroriza, mas não posso me desesperar ou irei fazer companhia para aqueles corpos.
Seguimos todos juntos até uma casa onde outro homem branco, sua aparência era parecida com a dos burgueses, começou a analisar a nós desde o primeiro, continuou até chegar no terceiro, que tinha machucado gravemente pernas e braços durante a viagem. O homem branco bem vestido disse que ele não servia para mais nada já que suas feridas faziam seu preço cair, então, o homem branco levantou a mão e apontou para o homem negro.
Um dos homens brancos que nos trouxeram, acenou com a cabeça, puxou sua pistola e disparou na cabeça do homem negro, alguns homens e mulheres gritaram depois daquela cena, mas eu não, sabia que se gritasse ou algo do tipo, poderia ser morto por eles, então abaixei a cabeça.
Ainda em silêncio, podia ver do canto dos meus olhos, o homem branco veio andando lentamente e parou na minha frente e me perguntou:
-Por que não gritou como os outros?
-N-Não era adequado ao momento- lhe respondi trêmulo.
O homem sorriu para eu e pediu para o mesmo homem branco que matou o outro, para que retirasse minhas correntes, demos alguns passos e ele me disse:
-Você gostaria de não ser mais escravo?
Eu não pensei duas vezes e lhe respondi com cautela:
-Claro.
Nós paramos, viramos para os outros escravos e ele pediu para que virassem para nós, em seguida, o que ele disse me deixou curioso:
-Escolha uma pessoa para compartilhar a liberdade, mas vá rápido.
Na hora não sabia o que fazer. Todos aqueles olhares desesperados para eu que me deixou desesperado, foi quando vi um idoso, dava de ver em seus olhos a perda da vontade de estar vivo, depois de visitá-lo, apontei meu braço lentamente para ele. O homem branco sorrindo disse em voz alta para o outro homem branco:
-Traga o senhor até aqui.
O outro homem branco logo o fez, deixando o idoso ajoelhado em minha frente. Logo em seguida, me entregou uma arma, fiquei paralisado pois descobri o que ele queria que eu fizesse, o homem branco impaciente logo disse:
-Então, o que está esperando? Atire e vamos sair daqui, ou achava que sua liberdade não tinha preço?
Trêmulo, engatilhei o revolver e levantei até a cabeça do idoso, o mesmo me encarava com a face limpa, sem demonstrar qualquer sentimento, neste momento fiquei paralisado. No momento, meus braços ficaram leves, os gritos dos escravos sumiram, o calor já não me afetava, as dores das surras já não existiam mais, meu corpo não me respondia mais, foi aí que o velho sorriu e disse:
-Garoto ingênuo!- Rapidamente ele retirou a arma de minha mão, mal consegui perceber e no momento que pensei em me mover, o velhote já estava pronto para atirar.
Antes de puxar o gatilho, acertei um soco em sua mão, que arremessou a arma no nosso lado esquerdo. Na tentativa de pegar a arma, o velhote acertou um prego, que conseguiu arrancando do navio e o atravessou em meu olho direito, senti o prego entrar com dificuldade, o atrito da terra com o metal, a minha visão escurecer e senti ele saindo junto com sangue e a minha íris.
Por sorte alcancei arma antes dele, engatilhei ela e acertei com o cano no olho direito dele, atordoado ele caiu no chão deixando cair o prego, louco pelo ódio, peguei o prego e esfaqueei seus olhos, podia sentir e escutar o barulho dele gritando e dos olhos sendo despedaçados, ele se debatia, gritando e chorando.
Peguei a arma e me levantei bufando e sentindo dor, mirei em seu peito e atirei. Senti a pressão de um disparo e a adorei, a fumaça que saia do buraco da bala me fascinava. Quando sai daquele confronto, pude perceber dois escravos querendo me atacar, mas sendo segurados, estavam tentando vir em minha direção, o qual foi um péssimo momento para tentar me atacar. Com a pistola ainda carregada atirei nos dois, me senti incrível, a vida deles agora tiradas pelas minhas mãos. Não conseguir me conter e comecei a gargalhar, um padre que passava pelo local me ouviu e ficou aterrorizado ao me ver, o encarei sorrindo e lhe perguntei:
-Padre! Você acaba de ver o meu renascimento, então...
Antes que eu pudesse terminar a minha frase, o padre se ajoelhou e com olhos arregalados desesperadamente gritava:
-OLHO DO DIABO, OLHO DO DIABO, NA TERRA PARA TRAZER O APOCALIPSE.
O padre começou a gritar e chorar enquanto eu entregava a pistola para o homem branco que me deu a liberdade, em seguida com sorriso me perguntou:
-Vamos trabalhar senhor?
-Diabolus, o olho do Diabo.- Lhe falei estendendo a mão.
-Certo senhor Diabolus- Continuou falando enquanto apertava a minha mão- Vamos aos negócios?
Em seguida, nos encaminhamos para sua casa, enquanto os outros escravos se encaminhavam para a venda.
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Olho do Diabo
AçãoOlá denovo, Nova história agora com uma pegada diferente. Caso você goste, compartilhe e curta por favor, assim saberei se devo continuar com este livro. Obrigado.
