Era outubro de 1987. Os galhos da árvore batiam na minha janela, tornando aquela noite mais horripilante do que possa ser. O barulho dos trovões invadiam completamente o quarto, no qual me assustavam cada vez mais. Meu único companheiro era o medo constante.
Deitado em minha cama, eu podia ouvir claramente as batidas do meu coração, que se aceleravam a cada barulho. No fundo eu sabia que havia algo a mais, o pavor que eu sentia naquele instante, nada podia descrever. Foi quando perdido em meus pensamentos, ouvi um estrondo que ecoou pela casa, vinha de baixo, na porta da frente. Sentei em minha cama e apenas observei a porta do quarto, que estava entreaberta, me arrependi amargamente de não a ter trancado, assim olhei para a janela vendo que também não a tinha trancado. Como posso ter sido tão descuidado de não ter conferido todas as trancas da casa.
Me deitei novamente e suspirei alto, foi aí que eu ouvi um segundo suspiro, que vinha dos pés da cama, me arrepiei inteiro e no impulso, cobri minha cabeça com o cobertor, foi quando ouvi a janela do quarto abrir, me descobri rapidamente e olhei fixo à janela , que o mesmo tinha uma criatura tentando entrar.
No início pensei ser uma pessoa tentando invadir, mas quando já estava no lado de dentro que pude ver claramente que aquilo não era humano. Sua aparência era grotesca, seus dentes eram enormes e estavam sujos de sangue, manchas na pele, tinha o que pode ser uma capa, toda rasgada, deixando a mostra uma boa parte do seu corpo. Eu jamais havia visto algo parecido antes, nem mesmo nos livros de ficção que eu costumo ler.
Pensei em me levantar, mas ao ver que a criatura estava ao lado da minha cama, eu congelei, não conseguia me mexer, estava apenas respirando. Eu fiquei paralisado de medo. Então, ele deu um salto, o que o fez flutuar em cima de mim, tinha um cheiro terrível de podre, me passava uma sensação de terror que eu não sabia explicar.
Sua respiração era ofegante, como se estivesse realmente animado com aquilo. O silêncio era ensurdecedor, estávamos apenas nos encarando, ele me observava sem fazer qualquer movimento. Tentei me mexer, mas foi em vão. Era como se eu estivesse preso na cama, sem controle do meu corpo, totalmente paralisado. O que me deixou ainda mais apavorado, só o que conseguia fazer era piscar. Eu podia sentir o suor escorrendo pela minha cabeça e as lágrimas descendo pelos meus olhos. Mas não podia fazer nada contra aquilo, se ao menos eu conseguisse me mexer.
Com seus olhos fixos aos meus, me fazia tremer até o último músculo do meu corpo. Na tentativa de sair daquela situação, depois de inúmeras tentativas em vão, consegui mexer minha perna. E foi então que a criatura sem exitar cravou suas garras no meu peito, o que me permitiu gritar de dor. Com uma ação rápida ele tirou meu coração pra fora do meu corpo e o esmagou.
Acordei no mesmo instante, colocando a mão em meu peito me garantindo de que meu coração ainda batia, sentia uma dor terrível. Eu estava em pânico, minhas mãos e pernas tremiam e eu não conseguia fazê-los parar.
O que diabos aconteceu? - pensei.
YOU ARE READING
A Morte
Science FictionQuem imaginaria que em uma simples noite de chuva, tudo poderia mudar, se apenas tivesse tomado mais cuidado, quem sabe como seria. Alguns dizem que sou louco por enxergá-los, mas loucos são eles por não quererem ver!
