Castelo Courcel, Cartago
Diana entrou no seu aposento em passos largos, sua pele marrom dourada coberta por uma fina camada de suor e uma expressão enraivecida em seu rosto. Todas as suas servas se assustaram, mas, assim que notaram-na, se tranquilizaram. A guerra havia chegado ao reino de seu pai, o homem que sempre a protegeu, desde o dia que pôs os olhos sobre ela, quando era uma menina morta de fome e esquelética encontrada na sarjeta, enquanto revirava lixo nas ruas do vilarejo, por algum motivo ele a adotou e cuidou como se fosse seu próprio sangue, acreditando que a grande deusa a havia mandado para levar grandes conquistas e descendência a casa Courcel, mas, Diana pouco sabia se a deusa realmente havia planejado alguma coisa grande para ela ou foi apenas a bondade do coração de um homem bom, e que agora havia sido brutalmente assassinado.
— O meu pai, o rei, está morto, e os soldados...— ela lamentou — não irão sobreviver muito mais, creio eu.
— O que será de nós ? — perguntou Solandis, uma de suas servas. Diana percebeu medo e pavor em seu rosto delicado.
— Certamente irão nos molestar e depois, matar-nos e deixar nossos corpos para os abutres, eu deveria ter fugido! — Kirsi começou, sua voz tinha um tom irônico, certamente culpava o rei e Diana.
O Cartago era um pequeno mais rico pedaço de terra situado nas margens do lago Fidon, onde cresciam as mais belas figueiras e pinheiros e entre as rochas da base até no topo do monte podia-se ver muitas sarças e lírios de fogo, em tons do vermelho mais suave ao mais escuro. O cartago crescia rapidamente, pois tinha um comércio muito forte e a casa Courcel administrava muito bem toda a cidade. Mas no fim, reino de Domhnall, havia posto as mãos no Cartago, conquistado pelos selvagens do norte, todos sabíamos que era quase impossível vencê-los na guerra, muitos acreditavam que aqueles brutamontes eram abençoados por Kheron, o deus da guerra e da morte. E ainda assim, seu pai decidiu morrer lutando pelo seu povo, para ele qualquer coisa era melhor que ver seu amado povo sendo dado aos selvagens.
Agora o reino de Domhnall possuía três dos quatro reinos das terras conhecidas, o que era terrível, um mundo monopolizado, onde se conheceria apenas um tipo de povo, vivendo na desarmonia causada pela guerra.
— Está errada Kirsi! — disse friamente, interrompendo seus próprios devaneios — irei pedir clemência ao Lorde de Domhnall, vocês serão poupadas, implorarei por suas vidas, mesmo que custe a minha!
Kirsi não acreditava que aquilo adiantaria, os selvagens do norte eram conhecidos por brutalidades contra aldeões de reinos que se opuseram ao seu desejo de conquistar, jamais haveria piedade para elas, a crueldade chegaria rapidamente. Odiava sua senhora por isso, aquela mulher que surgiu de maneira misteriosa na vida dos Courcel, sem sangue nobre, certamente cortaram a garganta da pobre coitada que nenhuma serventia tinha...Kirsi tinha odiado vê-la se tornar princesa de seu povo e ter toda atenção, jóias e amor quando nem ao menos possuía sangue do rei. Apesar de sua própria desgraça iminente, estava feliz que cortariam a garganta de Diana primeiro. Apesar do pensamento traiçoeiro, a ruiva se encolheu e gritou ao ouvir som de espadas tintilando e gritos de soldados sendo cortados pelas lâminas dos selvagens. Já Diana não deixou o medo a desestabilizar,, tirou a capa e a jogou no chão e foi até cama cheia de almofadas, sentou-se ereta e encarou as pesadas portas de madeira, a qualquer momento a porta se abriria e homens sedentos por sangue passariam por ela.
— Tragam minha coroa! — Ordenou a princesa, sua pose se tornou arrogante, morreria com todo o orgulho de não ter se curvado a eles, e embora toda a tensão pela espera da invasão pelos selvagens, Solandis correu para servir sua senhora, pondo na sua cabeça uma coroa pequena de folhas de prata e incrustada de pedras brilhantes. O som das espadas cessaram e os gritos também, as servas se esconderam ao lado dela, buscando qualquer resto de proteção que Diana ainda pudesse oferecer, ela se sentiu carregando o fardo do mundo todo nos ombros, era responsável por estas vidas e elas esperavam dela algo que ela mal tinha para si.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Seduzindo um Bárbaro
Romance"Ela cheirava a pecado e a frésias, era tentadora e perigosa, ele deveria que mantê-la afastada ou iria correr o perigo se apaixonar pelo inimigo?". Em um mundo onde a guerra se alastrava como fogo, um homem conquistou reino após reino e quando ach...
