Eu sabia que não era uma boa ideia nos separarmos do acampamento desde o momento em que Toni sugeriu, mas ele era daqueles tipos de garotos muito persuasivos, para quem não conseguimos dizer não. Quando ele falava parecia que nenhum mal podia nos acontecer, mas como estávamos errados.
- Vai ser divertido! - disse Cecília me cutucando com o cotovelo para me convencer a ir com eles naquela loucura que chamavam de aventura.
Tínhamos 15 anos e estávamos no último ano do fundamental. A Luz dentro da barraca era fruto de nossas lanternas.
- Se formos pegos estaremos encrencados! Esqueceu da regra 1? - Eu a lembrei da primeira regra do acampamento. - Jamais ande sozinho!
- Ah Isa, mas não vamos estar sozinhos, vai eu, você o Toni e o Lucca!
Encarei a garota de pele escura e cabelos de mola.
- Quem disse que eu vou com vocês?!
Cice cruzou os braços e suspirou.
- Do que você tem medo? Não me diga que é do fantasma do menino?
Era uma história de mal gosto que Toni contou para nós quando nos conhecemos quatro dias antes, quando o acampamento começou. Era sobre um menino que se perdeu nesse mesmo lugar, nessa mesma floresta em um acampamento como esse, a polícia fez buscas em toda parte mas não o encontraram. Depois, algumas pessoas que acampavam nesse lugar alegaram sonhar com o mesmo garoto pedindo socorro, pedindo que o libertassem. Nos sonhos ele dizia que uma criatura monstruosa que vivia naquela floresta o tinha devorado e feito dele seu escravo. É claro que eu não tinha medo de uma lenda boba de acampamento.
- Claro que não! Fantasmas não existem! - Bufei, desembaraçando um nó do meu cabelo ondulado. - Eu não caí na onda do Toni. Ele só queria assustar a gente! E Porque quer tanto ir? Eles só vão andar pela mata inutilmente atrás de um fantasma que nem é real!
- É, mas... - Ela fez uma pausa. - É que eu queria ir porque... Essa é a última noite e Sabe... O Toni é tão legal! - Ela disse olhando para o lado.
Aaah entendi tudo.
- Então você é afim do Toni! - Disparei. Ela não estava nem aí se íamos ser pegos ou não, todo interesse dela era passar mais tempo com o caipira do Toni!
- Não! Quer dizer, talvez... Só um pouquinho!
Acabávamos de conhece-lo e Cice já estava caidinha por ele. Toni era da nossa idade. Ele não era da escola. Era filho do caseiro do sítio Paraíso, o lugar onde estávamos, que normalmente era alugado para esses acampamentos escolares. Ele dizia que não morava muito longe dali, em uma fazenda a poucos quilômetros, e que o pasto do gado de sua fazenda era bem ao lado, embora eu nunca tivesse visto nenhum boi. Ele trabalhava na fazenda do pai o dia todo, por isso costumava aparecer só de noite, sempre com as mesmas roupas de fazendeiro e as bainhas da calça sujas de lama. Não sei o que Cice via nele.
- Por favor Isa! - Ela disse sacudindo meu braço. - Não quero ir sozinha! Por favor vem comigo!
Eu mereço.
Revirei meus olhos e depois de alguns minutos de petulância eu cedi derrotada.
- Beleza! Mas só vou por sua causa!
Ok, o Toni não foi o único culpado de eu ter embarcado naquela cilada.
Então, naquela madrugada de sábado, a última noite, quando todos do acampamento estavam dormindo em suas barracas e todas as luzes estavam apagadas, nos levantamos e saímos da nossa barraquinha. Estava frio então peguei um casaco para me aquecer e minha lanterna e Cice pegou uns salgadinhos caso tivéssemos fome.
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A Lenda do Acampamento
AcciónNa última noite de um acampamento escolar, Isa e um grupo de adolescentes, contrariando as regras, decidem entrar na floresta que cerca o local com o objetivo de encontrar a recompensa valiosa de uma lenda. Porém, a lenda também diz que há uma criat...
