Tudo começou com uma das minhas caminhadas matinais, dessa vez a caminho da escola. Não gostaria de chegar atrasada, mas uma pilha de folhas chamou muito minha atenção. Para algumas pessoas pode ser algo sem valor algum, mas pra uma jovem colecionadora de folhas é um baú de tesouros. Caminhei com a esperança de encontrar uma folha em bom estado, afinal qualquer folha podia enriquecer minha pequena coleção, que comecei a menos de um mês. Quando me aproximei consegui ver uma que parecia estar perfeita e corri para pegá-la, mas algo pareceu se mexer debaixo da pilha, já que sou uma colecionadora preciso lidar com qualquer tipo de animais certo? Então sem hesitar pego a folha... e tenho uma surpresa. O que estava escondido e se mexendo em baixo, não era como esperava, não era inseto algum. E parecia um tipo de cachorro machucado, bem filhote por sinal, não poderia simplesmente deixa-lo ali. Quando o peguei ele fez um grunhido de dor, vi que estava com a pata quebrada. A primeira coisa que pensei foi passar em algum mercado para comprar uma pequena mamadeira, e leva-lo pra casa depois, e convencer minha mãe a pagar um veterinário, essa seria a parte difícil.
Chegando em casa, subi as escadas para deixa-lo no meu quarto, desci as escadas e coloquei o leite pra esquentar. Droga! como vou dar leite se ele é um filhote? Dou uma olhada pela cozinha, que não arrumei sorry pai, vejo o pote de louça que minha mãe esconde moedas, pego algumas e vou até a mercearia comprar uma mamadeira. Antes disso, vou dar uma olhada no meu pequeno filhote, vou confessar que a aparência dele é meio estranha, mas isso não é um problema, quando ele sente minha presença no quarto tenta se levantar mas não tem muito sucesso, dou um beijinho na sua cabeça e o enrolo no edredom.
Meu bairro não é muito grande, é um bairro antigo e as casas não podem ser reformadas, então os portões são baixos e as sacadas tem sempre uma janela grande o que facilita as fofocas das vizinhas. Todas são bem coloridas o que não pode ser mudado já que são considerados patrimônios históricos da cidade e mais sofisticadas possuem arcos nas janelas, eu as acho lindas é um dos motivos dos quais me fazem caminhar de manhã, fora ir para a escola. A mercearia ficava a dois quarteirões da minha casa, no caminho me senti um pouco estranha, será que o pão com presunto me fez mal? No caminho encontrei meu vizinho, seu Bernardo, dono da mercearia, mas por algum motivo ele nunca trabalhava lá. Estava passeando com sua cachorra idosa, era um poodle que tem a mesma cara desde quando eu vim morar com meus pais.
- Bom dia Elisa, está indo à mercearia?
Eu não tinha muito tempo livre, mas resolvi conversar com ele, é um velhinho solitário só tem a cachorra e a filha que vive na mercearia.
- Bom dia, estou sim, encontrei um – tive que pensar um pouco – um filhote de cachorro hoje de manhã.
- Mais um? Você é uma boa menina! Espero que esse sobreviva. – disse enquanto tentava puxar a cachorra de perto de um saco de lixo.
- Ah, vai sim dessa vez estou empenhada, parece que já temos até uma ligação. – Eu tenho essa fama na vizinhança, sempre encontro animais feridos na rua, e sempre tento cuidar, mas por algum motivo eles não sobrevivem uma semana comigo, mas precisamente uma noite, por isso decidi colecionar folhas, estas pelo menos já estão mortas... – Bom, se o senhor me de licença, preciso comprar a mamadeira rápido.
- Tudo bem, eu e a senhora Janice temos muito que caminhar hoje, até mais Elisa – seguiu caminhando, quando se virou – Diga a Daniela que pode pegar a mamadeira de graça.
- Muito obrigado seu Bernardo. – Ele me deu um sorriso, eu poderia dizer que triste, e seguiu seu caminho.
Chegando na mercearia Daniela estava atendendo um cara, que eu poderia jurar estar flertando com ela. Daniela podia ter seus 30 anos de idade, já foi noiva uma vez, mas fiquei sabendo que o cara sumiu e ninguém mais viu ela envolvida com ninguém, bom até hoje. Enfim sigo pelo corredor das coisas de plásticos, vejo uma pequena mamadeira que parece super combinar com meu novo filhote, afinal era pequena igual, pego e vou em direção ao caixa.
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A lenda da Mancha
Teen FictionElisa vive uma vida quase normal, sempre estudou em casa, mas após um crise financeira em sua cidade, seus pais optaram pelo ensino público o que significa contato com o mundo adolescente, mas esse um pequeno desafio comparado com o que vem pela fre...
