1. Jordan Adams

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Eu não estava respirando direito. Talvez eu estivesse exagerando um pouquinho, mas minhas mãos tremiam freneticamente e meus joelhos reclamavam enquanto eu me arrastava por cada degrau de escada até o quinto andar. Quando me mudei para este prédio que ficava próximo ao meu antigo campus da faculdade não imaginei que seria tão sortuda e ficaria no último andar do lugar.

Que não tinha elevador.

Meu corpo queimava por dentro, quanto mais ar eu tentava puxar dos pulmões, mas eles reclamavam e estremeciam no meu peito, meu coração tinha batidas aceleradas que se davam pelo de fato de eu ter subido os primeiros três andares correndo e soluçando, mas agora no quarto andar eu estava sem ar e sem lágrimas, eu só tentava chegar ao meu quarto viva.

Quando alcancei o último lance de escadas me agarrei ao corrimão, fechei os olhos e respirei fundo. De jeito nenhum eu teria capacidade de explicar para Amélia tudo o que havia acontecido nas últimas horas, mas se eu chegasse nesse estado no nosso quarto ela saberia e me obrigaria a falar.

Respirei fundo novamente.

Mesmo sem estar de maquiagem e não estar mais chorando, passei a mão pelos olhos e dei leves tapinhas nas bochechas para parecer que a vermelhidão era só de ter corrido até aqui, quando voltei a subir escutei passos ao longo do corredor e então eu encarei o chão evitando contato com qualquer que fosse o estudante que estava perambulando naquela hora, não estava com paciência e nem humor para aguentar um universitário bêbado. Me encolhi no lado direito do corredor e contive a vontade de olhar para o dono dos passos que ficavam cada vez mais próximos e só levantei meu olhar quando os tênis pretos entraram na minha visão e uma mão masculina me segurou pelo ombro enquanto a outra puxava meu queixo para cima.

-Tá tudo bem? –

Por um momento me vi perdida naqueles olhos verdes que me encaravam com uma intensidade que eu jamais havia visto, ainda um pouco surpresa me desvencilhei dele  e passei a mão pelos cabelos aproveitando para observá-lo melhor.

Não parecia um universitário bêbado.

-Eu tô legal, obrigada – Fui um pouco rude, mas não fazia ideia de quem era aquele cara, e eu estava sozinha as três da manhã num corredor sem câmeras com ele. Não iria dar bobeira só porque o cara era bonito.

Ele ainda me encarava com preocupação. – Seja lá o que ele tenha feito, não merece suas lágrimas-

Franzi a sobrancelha e o encarei sem entender. – Desculpe? -

-O babaca – Ele explicava enquanto se afastava um pouco de mim – que te fez chorar, ele não merece que fique assim –

Eu devia estar péssima, minha cara de choro não era nada encantadora. Encarei o chão e ele pareceu ler meus pensamentos pois sorriu. –Você é linda até descabelada e com a cara vermelha, mas não vale o esforço –

Eu sabia que tinha sido um elogio, mas minha cabeça não estava muito no lugar para poder entender aquela conversa melhor, para entender aquele estranho melhor. Eu só queria minha cama.

-Vou indo – Acenei com a cabeça e girei em meus calcanhares dando as costas ao estranho.

Ele não se deu ao trabalho de responder então apenas enfiei as chaves no meu apartamento evitando fazer barulho e quando olhei para o corredor brevemente observei o estranho caminhar até sumir do meu campo de visão e só então finalmente entrei.

Deixei meus sapatos e chave na entrada e caminhei diretamente para a cozinha bem devagar tentando não tropeçar em nenhum móvel da sala que estava completamente escura. Consegui chegar na geladeira em silêncio e tirei uma garrafa de suco de laranja e servi um copo.

Eu precisava colocar a cabeça no lugar, precisava me acalmar e aceitar aquela situação...

Tirei do bolso a coisa que me prendia aquele contrato absurdo, a luz do anel refletiu na bancada da cozinha e brilhou diante dos meus olhos, era um anel caro, lindo até, se eu fosse me casar de verdade não iria gostar de algo tão extravagante assim, mas não deixaria de admirar este aqui. Coloquei ele em meu dedo, era o tamanho perfeito, Jonas havia escolhido sob medida para mim, não achei que algum dia chegaria a este ponto na minha vida mas era meu irmão que estava em jogo e eu seria capaz de fazer qualquer coisa para mantê-lo bem, ainda que para isso tivesse que sacrificar minha própria vida.

Guardei o anel no bolso da calça novamente, terminei meu suco e caminhei até meu quarto, observei tudo ao meu redor com muita atenção tentando gravar a imagem e o cheiro dele na minha cabeça. Fechei os olhos e me forcei a pensar que um ano passaria num piscar de olhos, mas isso não impediu que a realidade me atingisse de qualquer jeito.

Eu iria sentir falta desse lugar. 

SINAWhere stories live. Discover now