Acordei com o som do despertador quase explodindo os autos-falantes. Os 10 segundos do hino nazista como toque acordariam até os judeus queimados no holocausto.
Me levantei, fui até o banheiro e escovei meus dentes. Me olhei no espelho e vi a merda que meu cabelo tava, até que não importava tanto porque ele sempre tá uma merda.
_Será que eu passo chapinha nessa porra? - me questionei. - Não... Mas e se tiver uma ruivinha 10/10 de direita na campanha hoje? Foda-se, eu sou escroto.
Dei de ombros e voltei para o quarto.
_Que porra será que eu uso?
Abri o guarda roupa, vendo as 1001 peças de roupas pretas que haviam ali e peguei qualquer uma, mas antes cheirando para ver se estava em bom estado. Eu não sou porco, é só que minha empregada - digo - minha mãe não quer lavar minhas roupas mais. Eu fico puto com isso porque função de mulher é lavar roupa e fazer comida, mas ok, eu não ligo.
Passei um perfume qualquer e peguei meu celular, desci até a cozinha e me despedi da minha empregada, logo saindo de casa.
Hoje era a última campanha em apoio ao Bolsonaro, eu nem tenho idade pra votar mas gosto de babar ovo de político, adolescente é assim.
Não demorou muito pra que eu chegasse na praça que tava rolando a campanha. Encontrei o João Vitor logo de cara, muleque feio a gente enxerga de longe. Dei um soco nele, já que era assim que a gente se cumprimentava e ele retribuiu. Doeu mas eu fingi que não porque sou homem.
_Aí porra, tô com fome, vamo ali comprar uma coisa pra eu comer. - disse.
_Caralho Enzo, cê' não fica um segundo sem comer, se foder. - ele respondeu e eu quase quebrei ele na porrada mas o soco que ele tinha me dado ainda tava doendo.
Comecei a andar no meio da multidão até que esbarrei em alguém sem querer.
_Foi ma-
_Aê cuzão, tá achando que é quem pra empurrar os outros? - fui interrompido e me virei em direção a pessoa.
Eu paralisei.
Eu sou homem.
Eu sou homem.
Eu sou homem.
Mas...
Caralho ele tinha uns olhos tão lindos...
_Enzo? - João me chamou e eu acabei saindo do meu transe.
_EU SOU HOMEM. - gritei sem intenção e todos me olharam, o garoto a minha frente riu da minha cara e se virou começando a andar novamente.
O puxei pela manga do moletom da Thrasher que estava usando e ele me olhou confuso.
_Eu sou homem mas por você posso ser qualquer coisa.
Eu não sabia ao certo o que estava fazendo mas no futuro eu não me arrependeria nada disso.
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right love
Teen Fictiononde yan lima e enzo augusto se esbarram em uma campanha em apoio ao bolsonaro.
