Prólogo.

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Narrador POV

Quarenta e quatro anos antes.

O sol mal havia aparecido e o grande Palácio já possuía uma movimentação incomum. Homens e mulheres percorrendo os longos corredores, com pisos de mármore e uma pintura clara reconfortante, os ruídos dos passos por toda a extensão do Palácio eram justificados por algo extraordinário. O maior evento de todos os tempos estava prestes a acontecer, em menos de vinte e quatro horas a cidade de Nova York teria o prazer de acompanhar o casamento do rei e da rainha.

O Palácio tinha um tamanho extremamente grande para apenas duas pessoas morarem. Todas as paredes eram pintadas com um tom de creme e os pisos eram lustrosos e brilhantes, não havia ao menos um sinal de imperfeição. Os objetos que enfeitavam o local eram revestidos de ouro, agradável aos olhos de todos, assim como os estofados macios e fofos dos sofás e poltronas. O rei e a rainha decidiram casar-se em seu próprio lar, apenas convidando alguns amigos e familiares. Mesmo com todos os bens que ambos possuíam, e com todo o poder que tinham na cidade, eram considerados pessoas humildes e de bom coração. Ninguém tinha o que falar do casal, era um bom exemplo para qualquer homem ou mulher se capacitar de seguir.

O casal se conheceu com seus vinte e dois anos de idade e não foi preciso muito tempo para que ambos notassem que suas imperfeições eram perfeitas quando estavam juntos. A ligação entre os dois era realmente forte: "Sinto que o conheço a minha vida inteira.", afirmou a rainha ao ser questionada sobre sua relação com seu futuro marido. Ambos acreditam, verdadeiramente, ter nascido um para o outro e nada os fazia parar de se apaixonar mais e mais.

Os contratados estavam a todo o vapor fazendo ligações e agendando coisas para os toques finais da grande festa de casamento que, mesmo sendo íntima, seria feita elegantemente para agradar a família e o próprio casal. Era óbvio que com tudo acontecendo o evento estaria nas primeiras páginas dos jornais mais famosos da cidade e sendo comentado nas rádios mais escutadas de todos os tempos.

A população ansiava participar da comemoração, assim como puderam participar da coroação da rainha, todavia sempre haviam moradores que pensavam o pior do rei e da rainha. Queriam suas cabeças decepadas em praça pública por não fazerem uma mágica que faça a parte mais nobre da cidade esbanjar riquezas de um dia para o outro. Pelo contrário do que estes moradores pensam, o rei e a rainha davam à parte nobre oportunidade de trabalho, melhor educação, davam a eles uma alimentação boa e saudável. O que mais queriam? Morar junto do casal? Por esta razão ambos decidiram por apenas uma reunião íntima.

A sala de estar estava repleta de rosas vermelhas, que seriam utilizadas na decoração da festa contrastando com o tom claro das paredes, foram escolhidas pela rainha por ser sua flor preferida e mesmo depois da tentativa do rei de decorar tudo com girassóis, sua flor preferida, ele acabou cedendo ao pedido meigo de sua futura esposa. Ambos tinham uma conexão e apego forte um no outro, mesmo tendo apenas um ano de convivência, pareciam se conhecer desde sempre. Dignos de uma relação admirável e, até mesmo, invejável.
O imenso jardim estava sendo arrumado por cerca de dez jardineiros, podando as flores e aparando a grama para que os responsáveis pela decoração da cerimônia pudessem se programar para decidir onde cada coisa ficaria.

A rainha estava experimentando seu vestido de noiva pela quinta vez, em pé em um tipo de banquinho luxuoso enquanto três mulheres ajustavam o vestido em seu corpo, costurando algumas coisas de última hora e fazendo a rainha experimentar diversas tiaras e acessórios. Mesmo com o sorriso amigável da poderosa mulher, ela já estava cansada de ter que experimentar o vestido tantas vezes, mas o fazia de boa vontade por querer perfeição no que viria a ser o melhor dia de sua vida. O vestido branco ombro a ombro, com botões de prata na frente e costurado manualmente pelo melhor estilista de Nova York combinava perfeitamente com as jóias de prata e tiara de flores brancas, e essa foi a decisão final da rainha. Os olhos da mulher brilhavam ao observar o quão bela estaria para casar-se com o homem de sua vida.

MetamorphosisWhere stories live. Discover now