Prólogo

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                         Prólogo

Ele era a melhor pessoa do mundo, era o cara que vinha todas as tardes e mim levantava para o alto. Mas depois de algum tempo ele começou agir diferente, eu não entendia o porquê daquela mudança repentina, éramos tão felizes a mãe tinha o sorriso mais lindo desse mundo e ele era o cara mais forte que eu o conhecia. Alguma coisa havia acontecido para fazer mudar tanto, também tinha àquele negócio de ficarmos dias e dias escondidos no porão de casa eu e a minha mãe. Eu escutava alguns gritos, cadeiras sendo empurradas fortemente causando ruídos ao riscar o chão. Havia mais de três vozes na sala além da do meu pai, e sempre quando isso acontecia ele acabava todo machucado e minha mãe tinha que cuidar das suas feridas, um garotinho assustado como eu tentava sempre entender o por que que eu e mãe tínhamos que nos esconder. As vezes ele sofria em dobro, as vezes ele vomitava sangue devido as pancadas que levou. Eu percebia no olhar do meu pai uma mudança, a alegria que ele sentia antes de tudo vir lhe acontecer estava se esvaindo, mesmo pequeno eu sentir que meu pai estava morrendo por dentro pouco a pouco e logo não poderia dizer que era meu herói, porquê sempre que ia até ele , o mesmo me afastava dizendo.

— vá procurar a sua mãe garoto, não tenho tempo pra mimos!—

Até sua voz dele havia mudado, minha mãe percebeu também. E foi depois de alguns meses que meu pai estava demostrando ser uma pessoa nada agradável. Chegava sempre reclamando da comida, mas era só mais um protesto, pois não tinha nada errado com a comida. Eu queria tanto abraça-lo mas não sabia se devia chegar perto. Minha mãe olhou para mim franzindo a testa e depois olhou para o meu pai ela continuou a mim enviar o sinal, só depois entendi. Deixei o prato na mesa desci da cadeira e sem medo nenhum o abracei, ele levantou os braços, deixando a colher com a sopa cair sobre a mesa respingando em seu rosto a sopa que estava tomando.

— para com essa merda menino!. Resmunga apertando meus pequenos braços, meus olhos encheram-se de lágrimas meu queixo começou a tremer minha respiração ficou ofegante então ele gritou.

—engula a porra do choro seu moleque e trate de limpar essa merda. Ordena apontando para os pedaços de legumes que havia caído na mesa.

— Albert meu amor porquê você está agindo assim? — minha mãe era a única pessoa que o amava e iria sempre está do lado dele, ela quis saber olhando para ele depois voltando seu olhar para mim.

— Vai a merda você também, e faça uma comida decente!— Grita jogando o prato com toda sopa no chão. Minha mãe caiu aos prantos eu fiquei em pé tentando entender o que estava acontecendo. Corri até ela , e juntos choramos. No dia seguinte foi como se nada tivesse acontecido ele estava diferente eu até sorri para ele, e pude abraçar sem medo algum e ele retribuiu pedindo desculpas para a mãe beijando-a  na sua boca, passou a mão em minha cabeça em forma de carinho, e disse que eu seria o melhor de nós dois. E bem nesse dia que ele saiu todo contente, foi quando voltou bem pior e incapaz de voltar ser o pai bonzinho. Meu pai chegou arrebentado nem sei como o mesmo conseguiu chegar em casa. E quando minha mãe correu para o ajudar, bem alí diante dos meus olhos ele deu a primeira bofetada de muitas outras que estariam por vir. Gritou bastante com a mãe depois fitou-mim com um olhar medonho, corri feito um ratinho assustado direto para debaixo da cama, vi seus pés caminharem de um lado para o outro prendi a respiração para tentar controla-la. Mas não pude evitar que meus olhos derramasse as salgadas lágrimas. E dias como àquele iriam sempre se repetir e eu teria que ficar sempre me escondendo do meu pai por horas e horas  e tinha que se acostumar com os gritos da minha mãe. E a cada dia que passava eu sempre perguntava para minha mãe o motivo do meu pai está assim, e ela dizia que eu era muito novo e que era assunto de adulto. Foram dia após dia nessa vida e na maioria das vezes meu pai chegava sempre machucado, e quando ele chegava assim passava muito tempo dentro de casa, e eu nem poderia mais sair do quarto. Depois de um ano e meio a notícia que poderia o fazer ser quem ele era antes de tudo isso lhe acontecer. Lembro que ele chegou em casa mais um dia desses  difíceis de se lidar. Mesma coisa, mesma cena, quando se preparava para arrancar o sinto para chicotear minha mãe, ela logo gritou.

Páginas Perdida - O diário de Frederico BartStories to obsess over. Discover now