Uma garota solitária, que vivia para o laboratório era como se descreveria Jennifer a estudante mais promissora de biologia da universidade de Salamanca. Estava em seu último ano de pesquisa quando esbarrou em um novo tipo de alucinógeno. As caracteristicas deste não podia ser mais tentadoras, não deixava qualquer rastro sanguíneo, não tinha a capacidade de causar dependência e ainda seria muito barato de produzir.
Sabia que não devia, mas não resistiu a se gabar ao seu professor, que não teve a reação esperada. Ele começou a andar de um lado para o outro, quando parou, já havia se decidido a destruir todas as provas, cadernos de anotações, fórmulas, vidraçaria, tudo foi incinerado e a seguinte ordem foi dada: " Esqueça tudo isso! ".
Os meses se passaram, sem que soubesse exatamente o que houve. Sabendo que o segredo pertencia somente a ela e seu professor. Seis meses se passaram, exatamente o tempo que ela precisou para terminar seu curso e iniciar seu mestrado em engenharia quimica.
Foi nesse momento, exatamente ai que o pesadelo começou.
- Jennifer, rápido... levante-se acorde, vamos! Oh droga.
Sentiu sua namorada virar-se na cama e ir até o chão, enfiou-se de baixo da cama e puxou o taco de beisebol. Levantou-se e ficou atrás da porta, a garota ainda via tudo embaçado quando obrigou suas pernas ainda trêmulas pela adrenalina a ficarem perto de Marrie. Engoliu seco ao ouvir que tinha alguém na parte de baixo da casa, nunca havia sofrido um assalto, seria assustador de certeza. Marrie vinha de uma boa família, sua casa havia sido invadida três vezes e duas ela estava presente. Porém, depois de vários cursos de autodefesa, não havia medo nela. Sempre repetia a mim que se acontecesse de novo, não era para reagir. "Só entregar o que eles querem!" Dizia ela.
O que não sabia, era que o que eles buscavam desta vez era Jennifer e seu conhecimento sobre o entorpecente, qualquer informação que pudesse ter sobrado em sua mente.
Os passos aumentaram, o barulho foi ficando cada vez mais distante, as orientações de Marrie eram claras: " Pegue o telefone, ele está discando para a polícia, vá ao banheiro, eu guardo a porta. Avise-os do que está acontecendo e onde estamos!".
A jovem entrou e fechou a porta, o segundo barulho foi a mulher gritando alô do outro lado da linha, a atenção foi desviada por causa dos homens falando alto, a porta se abrindo e um barulho de grito tão alto, que até as vozes que se mantiveram distantes o tempo todo, ao sair um disparo e o mundo ficou escuro.
Sete horas mais tarde (...)
O barulho de um pingo que vinha do teto e caia dentro de um balde cheio de água, era aquele "tum tum" no fundo da minha mente, ao me fazer acordar em um ambiente escuro e dar de cara com uma luz alva e arredondada.
- Olá Jennifer, bom dia!
A voz grave entrou por seus ouvidos ainda confusos. Ela fez todo o esforço do mundo para ignorar a dor na lateral de sua cabeça e forçar seus olhos a abrirem. Vagarosamente olhou em sua volta e percebeu que a claridade que a estava a incomodar de certa forma, vinha de frestas das paredes do cômodo mal terminado.
Ao olhar finalmente para sua frente, encontrou o objeto menos esperado uma câmera que estava ligada e apontada pra ela com sua luz vermelha piscante. Seu desejo era de levar as mãos aos olhos, mas a luz da câmera estava cegando a parcialmente. Seu coração batia tão alto, os sons ainda estavam distantes, nada era muito nítido daquela cena. A única coisa que ela sabia era que Cláudia estava do outro lado das luzes, seu sotaque era inconfundível.
A luz diminuiu e ela puxou uma cadeira e sentou a frente da jovem, uma regata preta e uma calça verde musgo, um coque meio frouxo, foi possível ver os olhos castanhos escuros da traficante, ela possuia um olhar que não demonstrava nada, seria impossível causar qualquer emoção naquele ser humano.
- Eu tenho um acordo para te propor, ouça muito bem!
Antes que ela começasse a falar, a jovem já sabia. Iria ser algo como: "Você me dá a fórmula e eu te mato rapidamente", "Você não me dá a fórmula e eu te mato lentamente". Essa mulher a frente da jovem era nada mais, nada menos que Cláudia Vaz a mulher dona de metade do Cartel Português. A garota não ousou se enganar, seja qual for a proposta era o fim de sua vida, era tão jovem, tão promissora e cheia de sonhos, tudo iria acabar ali.
A cadeira se moveu novamente e o barulho alto da mesma sendo arrastada apenas por uma mão da traficante acordou a jovem de seus devaneios. Sentou-se mais próxima a ela.
- A proposta é que você trabalhe pra mim, o que acha? Em troca de dou abrigo, segurança e sua vida! Acho mais que justo! Seu trabalho vai pagar minha proteção e não vai precisar de nada, as acomodações que irei fornecer irão mais que suprir qualquer necessidade que tenha.
Não que houvesse outra resposta, mas parecia que ela sentia prazer em ter dobrado tão rápido os principios da jovem, oferecendo algo ao qual ela sempre teve direito, sua vida. Era tudo muito surreal, a jovem mal conseguiu articular uma resposta, mas sorriu sem felicidade alguma, um sorriso de simples incredulidade e balançou a cabeça positivamente.
Desculpem se Jennifer se vendeu rápido demais, mas se quer parecia real, ela iria viver.
Aqui se inicia todo o trajeto da jovem no tráfico português, deixando a cidade de Salamanca para trás. Assim que Cláudia tirou uma faca de sua bota e cortou as cordas e a outra sentiu o cheiro que vinha daquela mulher que lembrava um aroma amadeirado, evitou qualquer proximidade com ela, pois via claramente que seu corpo se afastava e colocava aquela distância como natural e de certa forma a jovem agradeceu por isto.
Mas ao tentar se levantar sentiu as pernas bambas e vacilou, ao pensar ingenuamente que iria encontrar onde se apoiar, caiu de joelhos e ao levantar os olhos encontrou a mulher observando a, sem se quer uma mão estendida.
A estudante obrigou seu corpo a ficar de pé e esfregou os pulsos que ainda tinham a sensação e as marcas das cordas, se moveu seguindo sua nova "orientadora". Tudo parecia fácil demais. Porém, logo ela descobriria com o que realmente concordou e que havia vendido sua alma ao próprio demônio e este estava disposto a tudo para tirar cada gota de sua sanidade e dignidade.
Ao sair na claridade, percebeu sua roupa com sangue. Marrie! Foi o que fez sua primeira lágrima rolar pelo seu rosto. Marrie estava morta e a Jennifer que ela conheceu também havia morrido com ela.
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A Droga Do Amor
General FictionJennifer era uma estudante de biologia que sonhava com a fama. Entrava em todas as pesquisas da universidade, até que a última pesquisa que ela entrou era tão secreta que nem mesmo ela sabia o que estava desenvolvendo até ser tarde demais. Com sua n...
