Notas iniciais.
Deixei recadinho lá nas notas finais, leiam por favorzinho combinado?
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Caroline's Point Of View
Você já sonhou tanto com uma coisa que poderia sentir seu mundo desmoronar a cada vez que tinha suas expectativas frustradas pelos planos aleatórios da vida? Eu sim. Desde que descobri que a música era o meu chamado de vida sonhei em estudar na Julliard School, a melhor escola de música do mundo inteiro e na cidade onde todos os sonhos podem ser reais: Nova York. Mas parecia que apesar de eu sentir nas entranhas do meu corpo que era aquilo que eu deveria fazer, a vida, destino ou carma - chame do que preferir - não me davam um empurrão sequer na direção do meu sonho.
Aquela era a quarta vez que eu me inscrevia em um processo seletivo da Julliard; na primeira vez eu tinha doze anos, me inscrevi escondido dos meus pais, estudava inglês e violão desde os seis anos e já jurava que podia ir para outro país viver o que eu amava, mas não passei. Nos dois anos seguintes tentei o mesmo programa, e como no primeiro: reprovada. E eu sentia que era por pouco, que eu sempre ficava à um pontinho de conquistar minha tão sonhada vaga na escola de música. Uma droga, eu sei.
Durante os seis anos que seguiram à minha última tentativa frustrada, eu guardei Julliard na gaveta e fui viver outras coisas. Comecei a dar aulas de violão para crianças na igreja que os meus pais frequentavam, aprendi outros instrumentos como banjo, teclado, ukulele, gaita e guitarra, comecei a namorar o melhor amigo do meu irmão - uma loucura, eu sei -, e o mais importante: aos 18 anos deixei Campo Mourão pra trás pra ingressar no curso de música da Faculdade de Artes do Paraná em Curitiba, o que ainda não era a Julliard, mas era um passo naquela direção certo?
André, ou Dreicon como todos chamam, já morava em Curitiba há pouco mais de um ano quando passei na FAP e fui morar em seu apartamento. Nós éramos daqueles casais que todo mundo sabia que se casaria um dia, quase não brigavámos e todos ao nosso redor diziam que fazíamos um par perfeito. O amor que eu tinha por Drei não chegava perto daquelas coisas que vemos descritas em livros ou filmes de amor, mas era fácil conviver com ele, sabe? Nós não precisavámos nos esforçar pra coexistir e eu estava longe de ser a namorada ciumenta, então ele continuava a ter sua vida social com os amigos, eu continuava a sair com os meus colegas da faculdade e assim completamos 4 anos juntos pouco antes do meu aniversário de 20 anos.
Apesar de amar Drei, meus amigos e meus pais naquele ano não contei a ninguém sobre a minha inscrição na Julliard. Me inscrevi e pronto! Naquele ano eu tinha um currículo melhor, ações sociais, experiência como professora, um inglês quase nativo, uma faculdade em progresso, projeto de iniciação como instrutora de música em um projeto social; eu juro que daquela vez podia sentir que era meu ano. Gravei minha música autoral no estúdio pequenino da FAP mesmo, mas não podia estar mais realizada.
Play na música.
Tá na hora de mudar
Percebi, pra mim não dá
Os meus passos tem sido incertos
Toda vez que esteve por perto
Não vai, não vai não, é o que me diz
Cansei de alimentar seu ego só pra te fazer feliz
VOUS LISEZ
Treacherous
FanfictionVocê já imaginou viver o seu sonho e vivendo-o descobrir um sonho ainda mais lindo, intenso e louco dentro dele? Nem eu, quando fui aceita para um curso de verão na Julliard School de Nova York jamais poderia dizer à alguém que a minha vida mudaria...
