O despertador berrou às seis da manhã, e Nanon só queria tacar ele na parede. Primeiro dia de aula do último ano do Ensino Médio. Quem inventou isso de acordar cedo? Ele resmungou, jogando a coberta para o lado e encarando o teto. O violão, encostado na parede, parecia rir dele. Se a música falasse, diria: "Mais um ano de sofrência, amigão!"
Do outro lado da parede fina que separava o quarto dele do quarto de Ohm, Nanon ouviu um baque. Certeza que era Ohm caindo da cama. De novo. Um sorriso bobo brotou no rosto de Nanon. Só o Ohm mesmo pra começar o dia assim.
E era exatamente aí que o problema começava. Esse sorriso bobo. Essa sensação quente no peito quando ele pensava no amigo. Nanon se levantou, caminhando até a janela. A casa dos Chivaree ficava bem ao lado, e a janela do quarto de Ohm estava aberta. Deu pra ver a sombra dele se movimentando lá dentro.
- P-uta que pariu, Ohm! Você não vai me acordar, não? A voz da irmã de Ohm, Puimek, cortou o silêncio da manhã. Nanon riu. Puimek era a versão feminina do Ohm em termos de explosão, mas tinha um coração gigante. E um senso de humor incrível.
Nanon foi para o banheiro, tentando afastar os pensamentos que invadiam sua mente. Amizade. Era só amizade. Eles eram vizinhos desde que nasceram, tipo um pacote de pão de forma: inseparáveis e sempre juntos. Mas, nos últimos tempos, alguma coisa tinha mudado dentro de Nanon. O jeito que Ohm bagunçava o cabelo dele, o toque casual no braço, o olhar focado quando Nanon tocava violão e cantava... tudo isso virou uma bagunça de sentimentos que Nanon não conseguia arrumar.
Enquanto descia as escadas, sentiu o cheiro de café e algo queimado. Provavelmente a torrada do Ohm.
- Bom dia, bela adormecida!, Dona Lek, a mãe de Nanon, disse da cozinha, com um sorriso. "Seu amigo já tá te esperando."
O coração de Nanon deu um salto. Ele tentava disfarçar, mas era inútil. Ohm estava na sala, a mochila jogada no sofá, mexendo no celular e chutando o ar com o pé impaciente. Ele vestia uma camiseta preta folgada e uma bermuda cargo, o cabelo ainda um pouco bagunçado, mas com um charme natural que irritava Nanon. E que fazia o coração de Nanon fazer um truque de mágica e bater mais rápido.
- E aí, nanico! Achei que tinha morrido na cama, Ohm provocou, levantando uma sobrancelha.
- Nanico é teu... nariz, Nanon respondeu, já pegando uma fruta na cozinha. "E você, como sempre, com a paciência de um caracol."
Ohm revirou os olhos. - A gente vai se atrasar. E eu não quero pegar trânsito pra chegar na escola. A gente tem que pegar a galera."
A "galera" era o grupinho deles. Bright, o piadista da turma, sempre com uma cantada pronta e um sorriso maroto. E Dew, o mais sensato, que tentava manter Bright na linha e que geralmente bancava o motorista responsável. E claro, as meninas: Milk, a mais fofa e organizada, e Lovepat, a observadora e mais misteriosa do grupo, que sempre parecia saber de tudo antes de todo mundo. Ah, e a Puimek, que se juntava a eles quando dava.
Nanon terminou de comer rápido e pegou a mochila. - Vamo nessa, general!
Ohm sorriu, e Nanon sentiu de novo o calor no peito. Era um sorriso que ele conhecia há uma vida, mas que agora tinha um significado diferente.
Eles saíram de casa, e o sol já começava a esquentar. A moto de Ohm estava estacionada na calçada, reluzente. Era o xodó dele. Uma paixão que Nanon não entendia muito bem, mas que admirava.
- Cê tá animado pro último ano?, Ohm perguntou, colocando o capacete.
Nanon deu de ombros, subindo na garupa. - Animado pra acabar logo. E você? Pra mais corridas secretas e broncas da diretora?
Ohm riu, ligando a moto. O ronco do motor era alto, mas Nanon se sentia seguro ali, abraçado na cintura do amigo. Era a rotina deles. A proximidade era tão natural que Ohm nem percebia o quanto Nanon se segurava para não apertá-lo mais forte.
Enquanto a moto cortava o vento pelas ruas de Bangkok, Nanon fechou os olhos por um instante. O cheiro do Ohm, o jeito que o corpo dele se encaixava no seu, o ritmo da cidade... Era tudo tão familiar, tão bom. Mas também tão confuso.
- Pronto pra mais um ano de caos?, Ohm gritou por cima do barulho do vento.
Nanon abriu os olhos, o sorriso um pouco forçado. - Mais do que pronto, Ohm. Ele só não sabia se estava pronto para o caos que seus próprios sentimentos iriam causar.
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Sintonia Secreta
RomanceSinopse: Ohm é o melhor amigo, o protetor, o cara das motos. Nanon é a melodia, o violão e a voz que ninguém sabe que já guarda um segredo: ele está completamente apaixonado por Ohm. Vizinhos e inseparáveis desde sempre, eles navegam o caos do ensin...
