Acordo de manhã com um som ensurdecedor, mais conhecido como despertador, me obrigando a sair de baixo das cobertas, porém quando saio, sinto uma leve brisa gelada vindo da janela, o que me obriga a ir para baixo dos cobertores uma segunda vez. Sem perceber acabo pegando no sono.
Mãe: - Ashley, levanta filha, você vai se atrasar pro primeiro dia de aula. - Arghh dormi demais. Odeio o primeiro dia de aula, sempre as mesmas coisas, os mesmos professores, as mesmas pessoas, as mesmas palestras...ainda bem que é meu último ano.
Resolvo levantar uns 5 min depois, vou para o banheiro e faço minha higiene matinal, tomo um banho rápido, escovo meus cabelos, e logo em seguida, ainda enrolada na toalha, paro em frente ao meu guarda roupa e uma dúvida enorme surge: "que roupa eu vou usar?", depois de pensar muito e atirar quase todas as roupas na cama, escolho um vestidinho branco com flores rosas, amarro uma jaqueta jeans na cintura e por último, para combinar, calço meu tênis branco.
Pai: - Bom dia flor do dia, pensei que não iria descer nunca. - Meu pai, sempre nesse bom humor, chega a dar inveja, quem fica tão bem humorado em uma Segunda-feira de manhã?
Eu: - Bom dia pai. - Dou um beijo na testa dele. - Bom dia mãe. - Contorno o meu pai e dou um beijo da bochecha dela. E por fim...- Bom dia pra você pequena. - Me direciono para frente da minha irmãzinha de 1 ano e meio, Lauren, e dou um beijo enorme em sua bochecha gorda, ela ri e pronuncia umas palavras esquisitas. Sorrio comigo mesma.
Depois de tomar o café da manhã, ajeito minha mochila, pego meus óculos, e vou para frente de casa esperar o ônibus escolar.
Meus pais não estão em boas condições financeiras, meu pai foi demitido a alguns meses atrás e até agora não conseguiu nenhum emprego, com isso minha mãe passou a trabalhar mais no hospital, ela é enfermeira, e agora, quase não para em casa. Nós éramos muito bem de vida, tínhamos uma vida tranquila, eu tinha tudo o que eu queria, saia quando queria, gastava o que podia em roupas, maquiagem, essas coisas. Mas minha irmãzinha ficou muito doente, leucemia, e meus pais fizeram de tudo para passar mais tempo ao seu lado, já que os médicos avisaram que ela teria pouco tempo, e não dava para fazer muita coisa porque ela não podia sair da cama de hospital. E a doença só piorou, tentamos vários tratamentos diferentes, o que acabou se tornando muito caro, já que meus pais haviam parado de ir trabalhar com frequência, e quando meu pai foi demitido as coisas só pioraram para nós, tivemos que vender a casa e um dos carros. Mas para compensar, minha irmã recebeu alta mês passado, o médico disse que seria bom ela passar um tempo em casa, com a família.
Então aqui estou eu, esperando o maldito ônibus escolar e pensando em como as minhas férias de verão se tornaram um pesadelo, um dos piores pesadelos que alguém poderia ter.
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Saio do ônibus e atravesso o gramado da escola, olho para os mesmos rostos que vejo todos os anos, claro com algumas excessões, mas logo vão se tornar rostos conhecidos e vai ser tudo a mesma coisa. O mais interessante são os grupinhos, que só interagem entre si.
- Os populares (time de futebol e as patricinhas, que se acham melhores do que todos)
- Os atletas
- O jornal da escola
- Os músicos
- Os maconheiros
- Os nerds
- E eu, junto com os excluídos
Quando meus pais perderam dinheiro as pessoas pararam de ver como a "Garota bonita e rica" e passaram a me ver como "A coitadinha pobre", e com isso foram me excluindo até não se lembrarem mais de mim.
Atordoada com meus pensamentos acabo esbarrando na Katharina, a garota mais popular da escola.
Katharina: - AI!! Não olha por onde anda não? - Ela levanta os olhos e me olha, de cima a baixo, com aquela cara de desprezo. - A fracassada da Ashley já começou o primeiro dia mal. - Ela falou com um ar cômico, o que levou o seu bando rir junto com ela. Bianca, Olivia e Audrey, seus cachorrinhos de estimação, onde a Katharina vai elas vão atrás.
Eu: - Vê se me deixa em paz, não tenho paciência nem tempo pra ouvir essa sua voz, agora se me der licença, eu tenho mais o que fazer. - Ela me lançou um olhar e abriu espaço para eu passar, mas antes que eu desse um passo ela se aproximou de mim e falou: - Se eu fosse você, tomaria mais cuidado com o jeito que fala comigo, sabe que eu posso muito bem destruir a sua vida. - Lancei um olhar pra ela e falei: - Querida, minha vida já está destruída, se esse era o seu plano, precisa arranjar um melhor. - Ao dizer isso passei por ela e desapareci do seu campo de visão.
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A primeira aula é de química, gosto dessa aula por causa das experiências que podemos fazer, mas essa aula de boas vindas tá um saco. Pela primeira vez reparo em todos os detalhes da sala, os troféus no armário no canto da sala, o chuveiro para o caso de alguém se contaminar, o armário com os diferentes tipos de frascos...olhando para tudo isso percebo o quão cega eu era, eu pensava em roupas, sapatos, maquiagem, pensava em ter a melhor aparência, agora sei que não adianta se arrumar tanto para no final não ter ninguém que vale a pena ao seu lado.
A aula acaba, sou a última a sair da sala quando esbarro em alguém e caio com tudo no chão.
- Ei!! Olha por onde anda, sua desastrada. - diz um guri, arrogante!
- Desculpa, eu estava distraída, não vi você. - Digo esfregando minha cabeça. Decido olhar para ele e...nossa ele é um gato! Cabelo despojado, olhos castanhos, um corpão que meu deusss!!!
- É eu percebi que não me viu...-ele me encara por alguns instantes - Deixe eu te ajudar a levantar.
Ele me ajuda, me entrega as minhas coisas, peço desculpas pelo incidente. Ele me encara por uns minutos e a única coisa que eu penso enquanto isso é beijar seus lábios carnudos, não posso pensar nisso, nem conheço o guri.
E sem mais nem menos, ele desaparece do mesmo jeito que apareceu, rápido e sem olhar pra trás.
Fim do capítulo 1
