Dancing through our house...

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Acordar deveria ser fácil, simplesmente abrir os olhos lentamente e após se acostumar com a claridade, encarar o teto por alguns segundos ou levantar de imediato. Mas aqui estou acordando, sempre no meu lado da cama, pois ainda não consigo nem ao menos dormir no seu lado. Ir para a cozinha, preparar um café, aparentemente uma tarefa simples. Não quando a sua xícara ainda está em um lugar visível, sempre ali para me lembrar de que você nunca mais irá utilizá-la. Nem mesmo brigar comigo toda vez que eu ter a ousadia de a usar sem sua permissão. Com o tempo, ambos aprendemos a dividir uma vida, mas ainda havia coisas que você nunca gostou de compartilhar. A droga da xícara com uma galáxia desenhada era uma delas.

Talvez se eu não realizasse o ato de acordar, nem o de olhar para a xícara, seria mais suportável. Se eu pudesse sonhar o suficiente, acordar bem depois de finalmente segurar sua mão outra vez, você diria que eu ficaria bem, você sempre tentou me manter de pé, Jimin.

"Eu vou ficar bem"

Apenas outra mentira que eu vivo contando para todos, para mim mesmo.

À noite, eu já não sou mais Jungkook, sou apenas um miserável que afoga tudo, como sempre faço. Talvez a culpa seja da garrafa de bebida que está em minha mão em todas as recaídas, mas começo a dançar feito louco pela nossa casa, com a visão de seu fantasma. A playlist feita por nós dois toca no último volume, pouco me importo se algum vizinho irá se incomodar com isso, o homem pelo qual me apaixonei está ali na minha frente, sentindo a música comigo. Em tais momentos esqueço como diferenciar a realidade e o que minha cabeça cria, porém acreditar que sua presença é real é mais reconfortante. Me dá a sensação de que eu não estou perdido.

De repente o fantasma do menor começa a correr e eu o persigo. E com um tiro de verdade, as lembranças atingem minha mente. Aquela noite, a noite em que eu perdi a maior luz que poderia conhecer na vida. Dançando pela nossa casa com o seu fantasma é quando me dou conta de que nunca terei a oportunidade de saber tudo sobre o ocorrido, apenas que um ser sem escrúpulos decidiu te tirar de mim.

Limpando a casa hoje, encontrei aquela velha camiseta do Zeppelin. Você a usava quando decidiu fugir de onde viveu por dezesseis anos, já fazia algum tempo que estava apenas suportando, preparando-se para dar um fim ao contínuo sofrimento. Ninguém poderia sentir sua dor, nem mesmo eu, que quando soube sobre seu passado, não tinha a menor noção do que fazer para o ajudar. Era um tanto estranho abraçar um quase desconhecido, mas meu amor, você estava tão vulnerável que eu não pude me conter.

Éramos tão jovens, tão burros para saber coisas como o amor. Demoramos para aceitar o fato de que estávamos nos apaixonando, ambos com medo de se entregar e acabar se ferrando no final, afinal você não era o único com uma enorme carga emocional. Quando se ama alguém, há sempre um certo receio, e isso nos atrasou, isso foi o motivo de algumas brigas. Mas agora eu sei melhor. Agora que você já não está mais aqui, sei com toda a certeza do mundo qual é a definição desse sentimento. Sei que dói. Sei que é uma das coisas mais lindas existentes.

Por sua causa, aprendi que um ambiente não fica sem sons por muito tempo. E comigo, você aprendeu a apreciar o silêncio. Muitas vezes, abraçados no sofá, ficávamos somente desfrutando da companhia um do outro, sem proferir palavra alguma, e tudo bem. Em outros momentos, você me fazia dar voz ao que me incomodava, preencher o vazio com minhas angústias para que assim conseguisse me ajudar em procurar alguma solução. No final de ambas as situações, quase sempre acabávamos afastando o sofá, enchíamos duas taças de vinho e começávamos a pular pela casa, isso se a atração física ainda bem presente não nos fizesse arrancar as roupas e nos amarmos no chão mesmo, ou quando eu estava um pouco mais sóbrio, te carregar para nosso quarto.

Sua risada, o sorriso que trouxe cores à minha vida, seu corpo. Sinto falta de cada pedacinho seu, Park. Até mesmo de nossas discussões, consegue acreditar nisso? Quando nos casamos, você me prometeu que nunca me deixaria, você era o único que conhecia minhas fraquezas e entendia muito bem meu complexo de abandono, então por quê você me deixou? Por qual motivo o universo quis foder comigo e te afastou?

Sei que devo seguir em frente, você estaria muito irritado comigo. Mas tudo o que faço é afogar tudo, ignorar a voz que tenta me convencer a viver outra vez. Eu prefiro ficar aqui, manter a luz acesa, dançar com seu fantasma por nossa casa. A casa que um dia poderia ser o lar de mais uma pequena criatura, além de você, óbvio. Posso até sentir um tapa em meu ombro nesse instante, sempre esqueço que não se deve fazer piada com a altura de Park Jimin...

Infelizmente minha pequena criatura está em um lugar difícil de se encontrar, mas eu ainda continuo perseguindo seu fantasma. E o tiro de verdade me atinge outra vez, o universo está rindo de minha cara.

Meus pés não dançam como dançavam com você.

Minha vida não funciona como funcionava com você.

I Know Better NowWhere stories live. Discover now