1885, Paris, França
"Um assassinato no meio de uma multidão de vidas sacrificadas.", "Mais um dia fatídico para Paris.", "Um casal de jovens foi assassinado na noite de ontem". Notícias assim percorriam cada esquina da doce Paris. Fosse pelas vozes dos parisienses ou pelos jornaleiros que anunciavam o homicídio, nas bancas.
- Um crime como esse, sem nenhum responsável? - dizia uma moça de vestido e chapéu matinê, brancos
- Isso é muito estranho, psicopatas costumam deixar rastros, mas a única coisa que esse deixou foram um punhado de pétalas no chão. - argumentava uma velha senhora à moça de branco
Os crimes em Paris não eram divulgados desta maneira a séculos, porém este foi o mais obscuro e romântico que a "cidade das luzes" já viu. Um relato policial dizia que o assassino foi calteloso, mas que deixou para trás um buquê com rosas ao chão. Ele não era normal, ele sentia algo em seu coração que o deixou tão amargurado que quando os matou, ele deixou suas lagrimas marcadas no chão.
Foi pouco tempo para que os rumores aumentassem impulsionados pelas mídias.
"Casal parisiense é morto e o assassino não deixa pistas", "O Hotel Fleurs Madeleines, é o local mais falado no momento por conta do homicídio que parou Paris", "Policia inicia corrida para achar o assassino".
Essas manchetes eram capa nos jornais, que estavam acabando cada vez mais rápido, tornando as bancas grandes pontos de conversas. Mas com o tempo a poeira abaixou mesmo estando ainda sendo criadas especulações sobre o que aconteceu realmente.
O clima em Paris ficou pesado durante a semana, as pessoas andavam na luz do dia com olhar de desconfiadas, e eram escravizadas por um medo momentâneo.
Mas para que está história seja compreendida, é necessário voltar para aquele sábado.
Tudo começou com um grito às onze horas da noite, vindo do segundo andar, quarto de número 103, do hotel Fleurs Madeleines. O grito foi de dona Madalena, a dona do hotel, que fazia uma ronda noturna para verificar os quartos e os corredores, mas, durante a ronda ela reparou em algo estranho, a porta de um dos quartos estava meio aberta.
Seu coração calmo e pacifico de uma senhora sessenta e três anos, começou a disparar de forma rápida e preocupante. Ela colocou a mão na maçaneta, empurrou a porta aos poucos e viu uma sombra na sala, de dois corpos sentados, depois viu um líquido brilhoso que refletia a luz da lua que entrava pela janela.
Então ela acendeu a lâmpada de querosene que estava ao seu lado em um pequeno armário de livros, e foi quando viu dois corpos sentados, cada um em uma cadeira, amarrados.
Soltou um grito muito alto, onde todo o quarteirão ouviu, não importa se está dormindo ou acordado, todos ouviram, seus corações começaram a disparar rápido assim como o de dona Madalena. Ela ficou olhando aqueles corpos sem vida e paralisou, quase tendo um leve infarto. Alguns segundos após o grito, o recepcionista e a camareira subiram rapidamente até o quarto. Chegando lá viram dona Madalena mal se aguentando em pé, apenas um sopro de vento seria necessário para derrubá-la.
- Helena, pegue-a e leve até seu escritório, cuide dela, eu vou chamar a polícia. - fala Stephen passando a mão em seu bigode grisalho e vai correndo até o telefone.
- Sim, senhor. - ela pega dona Madalena e a guia até o escritório dela, onde dá um chá para ela se acalmar.
Enquanto isso Stephen, chamou um outro empregado e deu ordem para chamar a polícia, o mais rápido possível. O empregado pegou o cavalo mais veloz e atravessou as ruas até a delegacia.
As caminhonetes vinham a todo vapor fazendo um barulho alto, acordando a cidade como se estivesse gritando com suas sirenes: "Ocorreu um crime". Janelas se abriam naquela noite de sábado e as pessoas acompanharam as caminhonetes com seus olhos rumo ao hotel.
ESTÁS LEYENDO
Rosas e Sangue
RomanceMuita das vezes nosso coração faz com que tenhamos sentimentos que só podemos experimentar através do amor. Rosas e Sangue é um conto, que tenta trazer uma perspectiva de como as pessoas são guiadas pelos seus sentimentos, e como no final de contas...
