Prólogo

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Esta não é uma história de amor, mas uma história sobre o amor. Tenho respondido a várias perguntas ao longo dos anos, e o que me perguntam muitas vezes é: se tudo valeu a pena?
Eu sempre respondo da mesma maneira, se é tudo que você já conheceu, então, você não sabe o que esperar. Em toda a honestidade, a fim de compreender a minha felicidade, você precisa conhecer a minha tristeza
Então aqui começa a minha historia meu nome é Katherine Svane
A garotinha com lágrimas nos olhos castanhos via o caixão baixar, sua querida mãe perdera a luta contra as drogas, Miranda Svane fora vítima de uma overdose em consequência da profissão que fora obrigada a seguir. Depois de ter sido abandonada pela família, e pelo homem que amava Miranda seguiu um novo caminho carregando Katherine no ventre, durante muito tempo ela fora garçonete, ganhava trocados que mal davam para pagar a pensão em que morava, tentou procurar outros empregos com a formação que tinha, mas nem o de secretaria lhe fora dado, ninguém queria uma mãe solteira como funcionaria.
Depois que deu à luz a Katherine, Miranda para ganhar um pouco mais de dinheiro, se viu obrigada a entrar no mundo da prostituição, por não suportar a profissão, Miranda começou a se drogar até que o que era apenas uma forma de alivio se tornou vicio. Katherine cresceu em um mundo violento. Diversas vezes viu sua mãe sendo violentada por clientes na porta de casa, a menina chorava e gritava pedindo para que parassem de maltratar sua mãe, mas ninguém nunca a ouvia. Durante os anos que se seguiram Katherine frequentava a escolinha que ficava perto do casebre onde moravam e as suas noites eram dedicadas aos cuidados com os cortes no corpo da mãe, aos chás para aliviar as dores e os efeitos das drogas que consumia.
Ela nunca soube do paradeiro de seu pai ou de seus avós, as duas recebiam visitas apenas de um homem que a tratava como sobrinha e do pequeno garotinho loiro que lhe levava brinquedos. Miranda sempre que podia lhe contava histórias e pedia para que nunca desistisse de seus sonhos, e de tentar ser feliz. Katherine havia aprendido com sua mãe a sempre ver o lado bom mesmo em uma situação ruim.
- Kate, levante-se daí querida, como você quer ser uma princesa se está toda suja de areia? Uma das freiras ajuda a limpar-se. – Você não pode estragar um vestido tão bonito Katherine. Todas as roupas do orfanato eram doadas, na verdade o lugar inteiro era sustentado por doações.
- Eu não quero ser uma princesa, eu só quero a minha mãe. A freira abraça a garotinha que chora de saudades.
- Oh não chore querida. – Irmã Alicia a abraça mais forte. - Nós vamos conseguir uma família que a ame como sua mãe.
- Eu só quero a minha mamãe. - Katherine corre até a sala da madre Cecília a pessoa que ela mais confiava, mas até esta pequena felicidade lhe foi tirada, a princípio ela havia ficado na casa de acolhida dirigida por freiras, as irmãs eram boas e Katherine era quase feliz, mas aos sete anos o Estado decidiu que ficar em um orfanato era prejudicial para as crianças além de gastar muito dinheiro, então resolveram que seria melhor para estes órfãos terem uma família mesmo que para isso o Estado tivesse que pagar um pequeno salário, essa decisão acarretou vários problemas, muitas pessoas apareceram, porém nem todas estavam ali pensando no bem estar das crianças, só queriam ter um empregado e receber o dinheiro que era destinado aquela criança, Katherine foi uma delas, na verdade já fazia 5 anos que passava de casa em casa, de família em família, sem nunca conseguir estabelecer-se, este ano estava com uma senhora de 52 anos, quando a tinha visto na primeira vez pensou que ela se parecia com uma avó, como tinha se enganado, Mabel podia ser tudo menos uma avó amorosa
- Depois de lavar os pratos, certifique-se de passar os lençóis, se vai morar aqui comigo, tem que ser útil.
- Sim senhora - Katherine tinha ouvido isso muitas vezes, ela vivia com Mabel já fazia dois anos, e nunca foi como nos programas de televisão, avós deveriam ser amorosas e gentis, Mabel era a antítese, dura e exigente e nunca deixava de lembrar a Katherine o seu lugar. O trailer pobre em que viviam nunca poderia ser descrito como uma casa, mas era tudo o que Bella tinha.
- Vou ter companhia. Seria melhor se arrastasse a tábua de passar para o quarto, as crianças não devem ser vistas ou ouvidas, especialmente quando são bastardos sem mãe ou pai como você.
Katherine tinha ouvido essa conversa várias vezes de Mabel, isso, realmente, não a feria mais, como a princípio a feriu.
- Tudo bem. – Tinha aprendido há muito tempo que discutir era uma perda de tempo, não havia como escapar desta situação, não era abusada fisicamente e Mabel a mandava para a escola.
- A propósito não quero mais você indo falar com aquelas freiras, elas põem ideias erradas na sua cabeça que já não é muito inteligente.
- Mas eu gosto da irmã Cecília, ela foi a primeira a cuidar de mim depois que a minha mãe morreu – disse Katherine quase chorando, não queria se separar da única pessoa que parecia importar-se com ela.
- Se você acha que aquela freira se importa com você pode esquecer, ninguém se importa, enfrente isso senhorita nariz empinado, a puta da sua mãe não se importava, seu pai provavelmente nem sabe da sua existência e eu também não me importo.
Enquanto Mabel continuou seu discurso sobre a gratidão extraviada de Katherine, ela abaixou a cabeça e fez a sua fuga, era preferível engomar que ser repreendida, quando os amigos de Mabel vinham para assistir televisão e beber cerveja, o lugar mais seguro para Katherine era estar fora de vista.
Fechando a porta do quarto, preparou a tábua de passar e plugou o ferro, colocou o dedo na chapa para testar seu calor e o pôs sobre a estrutura frágil de madeira. O que deveria pensar hoje? Escapar da sua realidade através dos sonhos era sua coisa favorita, quando deixou o ferro quente deslizar sobre os baratos lençóis finos imaginou como seria a vida para ela um dia. Oh! Sabia que isso não se tornaria realidade, mas era tão bom sonhar e viver isso em sua mente.
Um dia seu príncipe viria, seria alto, forte, inteligente, engraçado e bom para ela. Seu herói a olharia uma vez e se apaixonaria, ela ensaiou o que eles diriam e o que fariam, Katherine deixou a realidade para trás e durante esses momentos preciosos, estava feliz.


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