O ar já não chega a meus pulmões, as minhas mãos tremem incontrolavelmente, as lágrimas descem pelo meu rosto traçando uma linha de fogo pelo mesmo, um bolo se faz presente em minha garganta. Meus soluços começam a se dissipar pela barreira de som assim que minha cabeça se põem abaixo da água. Meus olhos estão abertos, bolhas de ar são formadas no topo da água turva.
Eu estou me afogando. Não há ninguém para me salvar.
A água já se encontra parada, estável, sem uma bolha de ar sequer em seu topo. Eu já me encontro sem vida. Meu corpo não se move mas meus pensamentos continuam correndo dentro de minha cabeça.
Avisto alguém em terra me olhando afundar, por mais que meus olhos permanecem fechados eu consigo ver tudo. Por mais que o sangue já não circule mais em minhas veias e meu coração tenha parado com suas batidas frenéticas e ritmadas me sinto mais viva do que nunca.
As pessoas costumam dizer que você tem até 3 chances de se salvar antes de afundar, até que o fôlego e a força de continuar lutando escape por entre seus dedos.
Eu poderia dizer que nunca fui alguém que luta, mas eu lutei, excessivamente. Eu lutei pra me salvar.
Quando eu finalmente tinha ar em meus pulmões e estava no topo daquele mar sem fim. Quando eu achei que estava a salvo, nadando, flutuando naquele local. Algo sempre me puxava para baixo, para debaixo daquela água congelante. Todas as 3 vezes, em que achei que estava tudo bem. Mas agora estou aqui. No fundo do mar sem fim. Assistindo as pessoas observarem o sorriso de alguém que já não está mais entre eles.
Não há escapatória, pode parecer tudo bem, mas algo sempre vai me puxar pra baixo.
Agora eu já não tenho mais chances de continuar lutando. Já não tenho mais vontade.
Então, por favor querida, tire meu corpo daqui e faça com que fique tudo bem.
Me salve. Me tire daqui e faça com que a dor desapareça.
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O último fôlego
No FicciónO ar não chega mais em meus pulmões, estou me afogando, eu sei disso, só que eu não faço nada para voltar ao oxigênio que está acima da água
