Ninna
— Ninna! Vamos acorde...- sinto alguem me chacoalhar sussurrando e logo percebo ser Mia
— o que foi? Já é hora?- pergunto me sentando na cama delicadamente sem fazer barulho
— sim, já é dia 29 - a ouço dizer - parabéns maninha - ouço a felicidade em sua voz e sei que esta sorrindo mesmo não podendo a ver - eu não queria estragar sua felicidade mas temos que ir agora!
Me levanto sem fazer barulho, calço meus tênis velhos e como já estou vestida pra fuga apenas enrolo meu cabelo em um coque esperando Mia pegar sua mochila.
Assim que ela vem ao meu lado, andamos devagar por entre as camas do orfanato, assim que chego na porta suavemente abaixo a maçaneta e quando escuto seu "clik" puxo a porta devagar abrindo o suficiente pra uma pessoa passar.
Quando Mia termina de passar pela porta, devagar entrego minha mochila a ela e passo delicadamente prendendo a respiração.
— temos que pegar os documentos - digo quase inaudível ao pé de seu ouvido e ela concorda
Andando devagar passando no corredor do quarto das freiras, paro em frente a porta da irmã Meredith.
Seguindo como no combinado pra conseguir a chave do escritório – onde fica o documento de todas as meninas – ao escutar um ronco alto pego a maçaneta com as mãos trêmulas e olho pra trás vendo se Mia esta de vigia. Assim que ela confirma que o lugar esta limpo giro a maçaneta e apenas forço para ouvir o "click" ao mesmo tempo em que ronca.
Entro no quarto abrindo a porta devagar e pisando em ovos. Ela dorme igual uma pedra, uma pedra que ronca, ando devagar até a mesa onde tem um abajur ligado, que da uma fraca iluminação e logo vejo brilhando no canto as chaves de todo o orfanato em um único molho.
Pego o molho de chaves tomando muito cuidado e apenas movendo junto com seus roncos logo que as chaves estão em meu bolso saio devagar e fecho a porta trancando logo em seguida, e depois de trancar os quartos de todas as freiras andamos devagar até a sala do escritório.
Pego a chave que tem uma etiqueta vermelha coloco na fechadura e giro escutando o barulho assim que ela destranca, Mia abre a porta em silêncio e entra enquanto eu fico de vigia.
Passados cinco minutos ela sai com nossos documentos e seguimos devagar pra saída, onde a parte mais difícil de nossa fuga está prestes a acontecer.
No corredor principal, onde liga a porta de entrada a sala, espiando, vimos o sentinela Brutus, o vigia do orfanato, pelo vidro da porta.
Como no combinado, me esgueiro no corredor e antes de chegar na porta entro no corredor das salas, entro na primeira sala e vou até a janela que deixei aberta mais cedo pego o molho de chaves coloco o braço pra fora sempre vigiando Brutus, taco o mais longe que posso e assim que faz barulho encosto a janela e o observo ir atrás do som - ainda bem que ele é muito burro - mas ele toca o alarme e todos já sabem que alguém está tentando sair.
Saio rápido da sala vou até Mia e escutando gritos das freiras trancadas saímos correndo em direção ao portão.
— não acredito que vamos conseguir - diz Mia sem muito folego
— temos que chegar ao portão primeiro - digo sentindo meu pulmão queimar por falta de ar
Um alivio, uma alegria, um peso tirado de meus ombros quando corremos na rua, já fora do orfanato.
Com o vento frio batendo em minha pele e apenas uma blusa fina me cobrindo, ando o mais rápido possível sendo seguida por Mia pra chegar logo em um orelhão e telefonar pra melhor pessoa desse mundo... Na verdade a única pessoa que disse que nos ajudaria.
- como vamos saber onde tem um? - Mia pergunta batendo os dentes
- eu sei onde tem um, falta só um pouco - respondo controlando a respiração - só mais duas quadras
Enquanto ando reparo na beleza da cidade escura, suas luzes e suas ruas de pedra passam a imagem de antigo, mas um antigo bonito.
Andamos até ver o orelhão, e quando nos aproximamos disco o número escrito em meu braço rapidamente.
Alo?
-Nicollae?
Ninna?
-To aqui naquele lugar já
Ela ta com você? Vocês estão bem? Alguma coisa deu errado?
-ela ta aqui sim, e ta tudo bem por enquanto, só vem logo, estamos morrendo de frio
To saindo daqui, chego em cinco minutos
- OK
Assim que encerro a ligação me sento ao lado de Mia na calçada.
- ele já esta vindo - Bato os dentes de frio e me encolho esperando
Alguns minutos depois um carro preto para ao nosso lado, e mesmo não vendo sei que ele o esta dirigindo.
Então entro com Mia, e ele da partida rumo ao seu apartamento.
...
Acordo já é de dia, não sei que horas são, a ultima coisa que me lembro e que encostei a testa na fria janela e depois acho que adormeci com as leves balançadas do carro.
Me levanto e abro a porta procurando por alguem, mas não encontro então vasculho a casa em busca de comida mas não há nada pronto, ou rápido pra fazer, a única coisa que me resta fazer é esperar.
Espero sentada no chão liso de pedra fria com as costas esticadas na parede e quando menos espero alguem entra.
- como assim não vai dar? - diz Nicollae serio no telefone com algumas sacolas em uma das mãos e o celular em outra - Remarque para as 15:00 horas, chego ai em quinze minutos - bufa e desliga
Mia entra com um sorriso no rosto e varias outras sacolas que logo coloca no chão.
- folgada você hein - diz Nicollae com um sorriso pegando um casaco e colocando - fiquem a vontade, tem comida nas sacolas roupas novas e caso precisem de mais algo tem um cartão de credito em cima da bancada, um pra cada sua senha é 0309, e Mia já sabe a dela, se precisarem sair tranquem a casa e peçam pro Hardy leva -las
Antes que passe pela porta eu o seguro.
- aonde vai? Achei que fossemos ficar todos juntos, pelo menos hoje - pergunto assim que me olha
- minha cara eu dirijo uma empresa de seguros e os imprestáveis fizeram merda de novo, tenho que resolver volto as 21:00 ai serei todo de vocês, temos que conversar agora tenho que ir - da um beijo em minha testa, e na Mia e sai fechando a porta atrás de si
Olho ela ficar corada enquanto um nó se forma em minha cabeça.
- nem me olhe assim depois eu te explico - me repreende com a cabeça baixa já arrumando as coisas das sacolas no lugar
- me explica agora, você não está fazendo nada de importante mesmo - reviro os olhos a encarando de braços cruzados
- senta então por favor...
Essa é nossa introdução espero que gostem!!
Deixem comentários e não se esqueçam de votar!!
👍👍👍
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Cartas Para Um Romeu (Livro 1)
RomanceDepois de fugir do orfanato onde cresceu com sua melhor amiga, Ninna acaba sendo presa, e encontra um bilhete destinado a um guarda escondido na parede. Curiosa com as ricas palavras de amor ela quer saber sua origem, mas sera complicado achar a pes...
