Uma década inteira havia se passado desde que Han Jisung estivera em solo coreano pela última vez. A lembrança era clara do dia em que ele, com apenas oito anos de idade, recebera a notícia de que precisaria deixar para trás tudo o que ele conhecia e tinha como lar. Tão jovem quanto era na época, não conseguira compreender a proporção do que aquilo significava até sentir na pele o rompimento de todos os laços que tinha. Deixou sua escola, seus amigos, sua casa, sua nação.
Começar do zero não havia sido a parte difícil. O difícil mesmo foi superar a dor que vinha em ondas intensas todos os dias, sempre que se deparava com um novo rosto e uma nova paisagem, totalmente diferente de tudo com que estava acostumado, e todas as noites, juntamente com as lágrimas, enquanto piscava para o teto (que não era o seu teto), relembrando a fisionomia de cada amiguinho que deixara para trás, como que para marcá-los em sua memória, sob a promessa de jamais esquecê-los, religiosamente antes de dormir. Para todos os efeitos, demorou um bom tempo até compreender que aquele agora era o seu lar, um processo longo, árduo e doloroso.
Por muitas vezes – ele sequer se dera o trabalho de contar –, ao longo de todo aquele tempo em que viveu na Malásia, Han tentou imaginar como seria quando – ou se – finalmente pudesse voltar à sua terra natal.
Dez anos depois, lá estava ele, com o comprovante de matrícula de uma universidade da cidade de Seul impresso nas mãos. Mesmo quando recebera sua carta de aprovação para o curso de música, sua ficha ainda não havia caído por completo. Mesmo no momento em que finalmente pôs os pés no país em que nascera, sabia que nada poderia tê-lo preparado para aquele momento. Han Jisung estava de volta ao lar, por fim... Porém, por que ainda se sentia como um forasteiro? O que faltava?
Guardou tais pensamentos para mais tarde, talvez quando já tivesse se instalado em seu novo quarto e se livrado do peso de todas as aquelas malas. Fez seu caminho através do campus, explorando tudo quanto seus olhinhos maravilhados eram capazes de ver, até os confins do território universitário, onde se concentravam os prédios dos dormitórios.
Mal se importou por ter que arrastar suas malas pelos corredores estreitos, ou com o caos sonoro dos passos e coral de vozes estridentes dos outros alunos que transitavam num fluxo intenso de início de semestre. Estava feliz demais, empolgado demais com o fato de estar ali e começar uma nova etapa da sua vida naquele lugar, para poder se incomodar com coisas pequenas como aquelas.
Não demorou a encontrar a ala dos meninos (graças a excelente sinalização através dos halls e corredores) e seguiu direto para lá, com toda sua bagagem e positividade. Assim que localizou seu nome na plaquinha de identificação do quarto, desdobrou-se em manobras mirabolantes para encontrar seu cartão magnético na mochila e equilibrar tudo. Infelizmente, sua destreza não foi suficiente, pois assim que abriu o segundo zíper do bolso externo, vários objetos caíram estrondosamente pelo chão do corredor.
Han Jisung passou alguns bons segundos ali, parado, com cara de idiota, diante da bagunça que havia feito. Só tornou a olhar para cima quando a porta se abriu bem na frente dele, revelando dois pares de olhos curiosos e levemente entretidos.
— Ei, mate, precisa de ajuda aí? — perguntou um dos garotos, com o cabelo tingido de loiro platinado e um sotaque diferente. Ele parecia coreano, com todos os traços étnicos, mas aquele sotaque realmente era um mistério.
— De certa forma, você já ajudou — respondeu Jisung, com um dar de ombros e um sorriso resignado nos lábios. — Eu só queria abrir a porta mesmo.
Ainda assim, os dois rapazes o ajudaram a carregar as bolsas para dentro, enquanto Han se virava para guardar seus objetos espalhados de volta na mochila. Quando finalmente conseguiu entrar, suspirou aliviado e sorriu para as duas figuras que o observavam atentamente.
BẠN ĐANG ĐỌC
Segure Minha Mão |Minsung| CONCLUÍDA
FanfictionApós dez anos morando na Malásia, Han Jisung finalmente voltou a Coréia do Sul, seu país natal. Sentia-se um estrangeiro na própria terra, mas era lá onde seu coração estava. Ao ingressar na faculdade de música em Seul, Jisung logo fez amigos e uma...
