1. Thomas

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O despertador
começa a tocar ao meu lado, eu em desespero intenso e sem saída bato com força para que ele pare de tocar. São seis horas da manhã e minha cabeça arde. Eu não sei exatamente o motivo, mas acredito que possivelmente seja
minha sinusite. As férias infelizmente acabaram. Primeiro de agosto, hora
de ir para a escola, assim que levanto, vejo que não só minha cabeça está
doendo, como também meu corpo inteiro, especialmente minha mão que arde como nunca. Sério, eu não quero ir para a escola, e meu corpo está doendo assim só era um sinal para que eu não fosse.
-Thomas, você vai se atrasar pro primeiro dia de aula! - exclamou minha mãe entrando no quarto com rapidez, ela já estava arrumada, e eu, com toda certeza, não. - Não acredito que você está deitado ainda! Por favor, sabe que eu não posso me atrasar, tenho que dar a primeira aula pra sua turma.
-Eu sei mãe, desculpe. É que, não estou me sentindo muito bem....
-Nada disso mocinho. Você não fez nada para ficar cansado as férias inteiras. Você tem que ir para a escola, é sua obrigação. Vamos lá! Te
espero no carro.
-Tá....
Por mais que meu
corpo estivesse doendo, eu fiz o que ela me pediu, eu não queria ver minha
mãe estressada, além de estar com saudades dos meus amigos da escola,
mas também quero ver uma pessoa em especial: Caio. Bem, nossa relação
não é exatamente o que eu diria amizade, e sim algo mais bem mais eu
diria. Tá, vamos lá; eu sou completamente apaixonado por aquele garoto, ele é a coisa mais linda que existe nessa terra, seu sorriso, seus olhos,
seus cabelos lisos que ondulam na ponta. Tudo. É incrivelmente
maravilhoso minha visão sobre ele. Nós não namoramos, ou algo do tipo,
mas gostamos de ficar juntos, de nos beijar e tudo mais. Pronto. Me visto
com o uniforme da escola: uma blusa azul com gola e a insígnia da escola
no peito direito. Colégio Leon Santori, melhor escola da sociedade paulista
atual. Como eles fazem questão de dizer. Passo a mão no meu cabelo liso e
o jogo pro lado. Meus olhos castanhos ainda ardem por causa do sono, ou
da sinusite, sei lá.
*****
Minha mãe entra na
garagem dos professores, descemos do carro e o gramado familiar de
sempre amacia meus pés. Ela vai na frente, pra sala dos professores e eu
vou procurar Caio.
Ando pelos corredores da
escola que são gigantes, o colégio inteiro é gigante. Localizado no centro
de são Paulo.
Falo "oi" para dezenas de
pessoas e grupinhos. Encontro Fernanda, a melhor amiga de caio que vem
na minha direção espantada e pálida:
-Bom dia Thomas! Você tem falado com o caio?
-Oi, não. Na verdade eu estava procurando ele. Você não sabe onde ele
está?
-Não! Ele não tem conversado comigo desde ontem. - ela falou se
aproximando de mim, sussurrando. - Ele tinha um encontro ontem. Estou
preocupada.
Meu rosto ficou vermelho no
mesmo instante, fiquei em estado de choque durante um bom tempo. Isso
significava que Caio estava saindo com outras pessoas.... Agora consigo
me lembrar que ontem eu não falei com ele. O dia inteiro sendo ignorado,
ou algo parecido em pensar que ele estava se arrumando para um encontro
-Ei, Thomas. Tudo bem? O encontro... - Fernanda perguntou, percebendo
que eu estava pálido com a situação. - não era com você, né?
-Não Fernanda. Não era. - respondi. - mas agora quero achar ele mais do
que nunca.
Procuramos em cada canto do
colégio, sem sinal dele, Fernanda foi até o banheiro, e eu fui procurar
Jonas, meu melhor amigo. Ele estava no refeitório, tomando café, o pai dele era caseiro da escola, e por isso ele era bolsista, seu cabelo pintado de
azul e seu suspensório que ele usava por cima do uniforme da escola eram
marcas registradas dele. Ele era a melhor pessoa que eu já conheci na vida,
embora nos conhecêssemos apenas desde o primeiro ano parece que são
décadas.
- Oi! - falei abraçando ele.
- e aí! - Ele me respondeu. Seu rosto estava estranho.
- Você está bem? - perguntei.
-ESTOU. - ele falou rapidamente, mas parecia assustado.
-Não, não está. Qual é? Eu te conheço, Sr. Cabelo azul. - falei, e ele deu
um sorriso amarelo. O sinal ecoou por toda escola.
- vamos subir? Minha mãe vai dar a primeira aula. - falei. Ele adorava
minha mãe, e amava ainda mais biologia. - E eu tenho que te contar sobre
um lance com o Caio.
-Ah... é.... Thomas, eu não vou subir para à aula. Meu pai precisa de mim
para resolver uma coisa.
-Sério? Tudo bem então....
****
Coloquei minha mochila em cima da mesa
com raiva. O que diabos estava acontecendo nessa escola? Primeiro, o Caio
some e tá se encontrando com outra pessoa, depois, meu melhor amigo está
todo estranho comigo. ARRRG.
Sara, uma garota loira e com olhos
extremamente azuis senta do meu lado.
-Posso? - ela pergunta.
- Pode! - respondo. Ela me olha de um jeito estranho, e eu sinto que ela
tem algo para me falar. -Quer me dizer alguma coisa?
- Uau. - Sara começa - Você é tão bonito de perto! Agora eu entendo por
que você é tão popular. Mas.... Um rostinho bonito esconde vários
segredos, não é verdade?
-Como assim? - Dou um sorriso debochado. - Eu, hein!
Minha mãe entra na sala com presa, nós
temos nossa própria sala de biologia, com animais em potes e tudo mais. A
janela na lateral na verdade é um único vidro gigante. Uma parede feita de
vidro, que dá para a quadra da escola, que tem muitas árvores e terra. A
sala tem ar-condicionado, que mantém o ambiente agradável, já que não
tem janelas e ar fresco. Minha mãe escreve seu nome na lousa:
"PROF. HILMA, BIOLOGIA."
-Bem vindos ao terceiro bimestre, turma. Espero que vocês tenham
estudado. Já estão no terceiro ano e o vestibular está batendo na porta. Esse
bimestre iremos continuar estudando.... - minha mãe foi interrompida por
um grande barulho de sirene.
-Olhem! -Gritou Lucas Brasil, que estava sentado perto da janela. Todo
mundo, incluindo eu levantou das mesas para olhar o que estava
acontecendo.
Toda terra ao redor da quadra estava sendo
revirada, com policiais ao redor e um grupo de bombeiros com pás e luvas.
Havia ambulância, carro de polícia e imprensa na quadra. Sirene fazendo
barulho e uma luz vermelha atingindo nossos rostos pelo vidro da sala. Quanto mais reviravam na terra, mais meu estômago embrulhava. Não
tinha uma boa sensação sobre aquilo. Até que eu vi, chocado, um corpo
sendo retirado pela perícia, colocado na maca e sendo embrulhado. Eu não consegui ver quem era, até que o braço do defunto saiu do plástico da
polícia enquanto era arrastado na maca pro carro da perícia. E eu reconheci a pulseira brilhante de prata com um golfinho no meio. Eu tinha dado uma pro Caio, igualzinha.... Aquilo não poderia ser real. Era só uma pulseira....
Eu estava tentando me enganar, mas meus olhos já estavam vermelhos e
lagrimas caiam sem parar. Corri.
-Thomas! - minha mãe gritou. Mas eu não parei. Desci as escadas o mais
rápido que pude.

DISSIMULADOSWhere stories live. Discover now