O Silêncio da Chuva

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Se trata da história de um garoto de 15 anos que se chama Marcs, gosta de escrever histórias, mas nunca chegou a mostrar nenhuma, exceto pra mim, é apaixonado por uma menina da mesma idade que ele e que estuda na sua sala, ela se chama Diane. Marcs é extremamente tímido, e também muito antissocial, não fala com ninguém da sua sala, prefere ficar sozinho no seu canto. Mas bem, vamos começar. Ah, eu me esqueci de dizer, me chamo Eric, e vou contar essa história...
Era uma manhã chuvosa, e Marcs adorava chuva, tanto quanto suas histórias, ele adora escrever em dias chuvosos, segundo ele, lhe dava ideias. Eu moro ao lado da casa de Marcs, somos amigos desde a infância, já estamos no meio do primeiro ano do ensino médio. Eu sei que Marcs gosta da Diane, ele pode não ter me dito, mas eu sei.
Estávamos meio atrasados pra escola, então fui chamar ele na sua casa, sai com meu guarda-chuva, estava chovendo muito. Marcs morava numa casa imensa , parecia uma "mini-mansão", e lá estava ele, sentado num pequeno degrau que tinha na porta de sua casa, geralmente ele ficava lá pra escrever suas histórias, chamei-o e logo ele veio correndo, vestindo uma capa de chuva cinza, segurando seu livro de cor preta embaixo de sua capa, perguntei se estava tudo bem com ele, se tinha uma coisa que eu não tinha escutado ainda, era a voz de Marcs, acho que ele era mudo, mas nunca cheguei a perguntar pra mãe dele se era mesmo, ele não me disse nada, só balançou a cabeça de forma positiva, logo após isso, caminhamos em direção a escola.
Conseguimos chegar antes do sinal bater, eu não estudava na mesma sala que ele, e isso me preocupava, Marcs não conseguia falar, então tinha dificuldade de expressar o que queria, eu esperava bater o sinal pra eu ir na sala dele. Já eram 8:00 horas quando chegamos na escola, dei tchau a Marcs e me dirigi a minha sala, quando deu a hora do intervalo eu fui na sala de Marcs, ele sentava sempre no mesmo lugar, na última cadeira do lado direito da sala, ele estava de cabeça baixa escrevendo algo, quando me aproximei dele ele escondeu rápido, ele estava me olhando com uma cara assustada, provavelmente me escondia algo, e eu precisava saber o que era.
Eu decidi deixar isso de lado e chamei Marcs para ir para o intervalo comigo, tinha que ter uma conversa com Marcs. Perguntei a ele o que ele estava escrevendo, ele sempre me mostrava o que ele escrevia, mas dessa vez ele não me mostrou nada. O que será que ele estava escrevendo? Tenho que descobrir.
Eu estava voltando pra sala com Marcs, estávamos conversando sobre ontem bastante distraídos, quando Diane bateu de frente com Marcs, que segurava seu caderno preto, na realidade ele o levava para todos os lugares que ia, o caderno caiu soltando várias folhas onde tinham várias histórias das quais Marcs fazia, eu me abaixei e comecei a recolher as folhas, quando ela se abaixou e recolheu junto comigo, Marcs se manteve imóvel, esperando receber seus papéis, assim que Diane deu-lhe as histórias, ele saiu correndo.
-Por que ele saiu correndo assim? -Perguntou ela a mim.
-Bem, ele é muito na dele, acho que deve ter ficado nervoso ou sei lá. -Respondi a ela.
-Entendi... Bem, agora estou atrasada, tenho que me apressar, me chamo Diane, e você?
-Me chamo Eric, Prazer.
-Prazer, até mais Eric. -Ela disse.
-Até...
Logo após tudo isso fui atrás do Marcs, ele estava no auditório, parecia preocupado com algo, ele apontava para os papéis como um louco, demorei a entender, mas pelo que eu entendi, estava faltando alguma história, que por sinal, era muito importante, disse a ele que não se preocupasse, eu iria atrás da história restante. Voltei ao local do acontecimento, mas não achei nenhum papel no chão, tinha uma porta no corredor, a sala de experimentos, aquela pagina perdida poderia ter passado por baixo da porta. Quando ia colocando minha mão sobre a maçaneta, a porta se abriu, era Diane, ela estava saindo da sala de experimentos.
-Ah, oi Eric, que bom ver você de novo, sabe onde está aquele seu amigo que saiu correndo? Preciso falar com ele. -Ela me disse.
-O Marcs? Ele perdeu uma história, ai eu vim ver se achava. Por acaso não achou um papel daqueles que caíram por aí?
Ela evitou dizer algo antes de me responder.
-Bem, eu achei uma folha sim, ao que parece ser do Marcs, mas não acho que seja bem uma história. -Ela riu.
-Como assim? O que é então?
-Leia aqui. -Falou ela me entregando a Folha.
-Tá bem.
Ela estava certa, não havia nenhuma história naquele papel, tinha um texto enorme na folha, e falava sobre uma pessoa, sobre Diane. O texto detalhava cada detalhe do rosto, da maneira de andar, do jeito do sorriso, tudo sobre Diane, era como se ele tivesse estudado ela por anos.
-Caramba. -Falei a ela depois de ler. -Estou impressionado, nunca imaginei que Marcs fazia outras coisas além de histórias.
-Eu achei isso muito legal da parte dele, meio que sem querer, ele me elogiou muito. -Ela disse rindo.
-Quer que eu te leve ate ele?
-Adoraria! -Falou ela animada
-Vem, me segue.
Começou a chover, estávamos a caminho de onde Marcs estava, chegamos lá e avistamos Marcs, ele estava mais calmo, sentado de frente a uma janela, fitando atentamente cada gota de água que caia, ele realmente adorava a chuva, cheguei por trás de Marcs e coloquei minha mão sobre seu ombro esquerdo, ele olhou para trás imediatamente, parecia assustado, olhou o papel na mão de Diane, em seguida olhou para ela e depois seu rosto corou, ele estava muito envergonhado.
-Marcs não é? Me chamo Diane, prazer em conhece-lo. -Ela disse estendendo a mão para ele.
Ele estendeu a mão sem dizer nada, apertou a mão dela e em seguida olhou para o rosto de Diane, logo após olhou pra baixo.
-Não vai falar com sua amiga aqui não? -Ela disse brincando.
Um sorriso meio desconcertado surgiu no rosto de Marcs.
-Bem, eu vou deixar vocês conversarem a sós tá. Tchau Marcs -Eu interrompi saindo em seguida acenando para eles.
Dias se passaram, já estava perto do fim do ano, e Diane e Marcs tinha virado grandes amigos, e eu também, quando digo grandes amigos quero dizer que eles fazem de tudo juntos, ela até ajudou ele em algumas histórias. Estava tudo ótimo, mas uma coisa estava prestes a mudar tudo isso...
Era sábado, eu e Diane íamos para a casa de Marcs todo sábado, Diane queria falar com a gente, entramos no quarto de Marcs.
-Bem gente, preciso falar com vocês. -Ela disse meio triste.
-Pode falar, estamos preocupados. Eu disse a ela.
-Vocês são ótimos amigos, eu me diverti muito com vocês esses dias, mas eu...
-Você o que?
-Eu vou ter que mudar de país agora no fim do ano, meu pai vai trabalhar no Canadá e eu tenho que ir com ele.
Diane ia embora, e Marcs não havia dito que gostava dela, eu precisava fazer algo, mas não ali, não agora.
-Será que não tem como você ficar aqui? -Eu disse.
-Não dá, se eu ficar aqui, não vou ter pra onde ir.
Depois da conversa, Marcs estava muito triste, fomos deixar Diane na porta da casa de Marcs, o pai dela estava lá de carro esperando.
Segunda-Feira. Eu tinha que ajudar Marcs hoje, e estava muito determinado, o dia passou muito rápido, na hora da saída estava chovendo, já sabia o que eu ia fazer, antes de Marcs ir na sala de Diane como ele sempre fazia, eu o chamei, entreguei meu guarda-chuva para Marcs, e pedi sua capa de chuva, tive que explicar para ele, o pai de Diane não ia buscar ela na escola dias de Segunda, e a gente levava ela na sua casa, como estava chovendo, ele ia ter que dividir o guarda-chuva com ela. Pegamos Diane na sala dela e saímos da escola, eu na capa de Marcs e ele com Diane no guarda-chuva, tínhamos andado uma distancia razoável, quando me aproximei de Diane e cochichei no seu ouvido.
-Marcs quer te falar uma coisa, pergunta a ele o que é... opa, tenho que ir agora. -Disse e sai correndo.
-É o que Eric? Não espera, vem cá.
Mas eu já estava longe, eu fui pra casa de Marcs esperar por ele, estava sentado bem na porta, quando ele chegou, ele segurava o guarda-chuva na altura do peito, cobrindo um pouco seu rosto, eu falei com ele.
-Marcs. -Gritei. -Como foi lá com ela? Falou tudo?
Ele balançou a cabeça na negativa, Diane ia embora amanhã depois da escola e ele não tinha falado o que sentia, estava disposto a ajudar, mas não desse jeito que estava acontecendo. Dei tchau a Marcs e fui pra casa.
No outro dia, Marcs não me esperou pra ir pra casa depois da aula, eu fui pra minha casa, troquei de roupa, e fui de bicicleta pra casa dele, cheguei lá, coloquei a bicicleta no jardim e fui até o quarto de Marcs, ele estava sentado no canto do quarto chorando, eu me aproximei dele.
-Marcs? Você tá bem?
Ele não esboçou nenhum sinal. Começou a chover...
-Marcs... você tem que ir atrás dela, eu sei que você gosta dela, por que não vai lá?
Mas continuou sem fazer ou dizer nada.
-Droga Marcs! Você também não ajuda e eu falei com sua mãe, ela disse que você sabe falar, então por que? Porque você não me fala nada?
Ele se levantou, saiu correndo para o jardim, pegou minha bicicleta, e pedalou na chuva, ele ia fazer a coisa certa, ia atrás da menina que mais amava. Pedi pra mãe dele me levar ao aeroporto.
Eu cheguei no aeroporto logo após ele, deixou minha bicicleta jogada no chão, ainda estava chovendo muito, e entrou molhado no aeroporto atrás dela, ele subiu a escada rolante correndo, eu segui ele, Marcs avistou Diane no portão de entrada do avião, ela estava entregando o passaporte para o funcionário, ele correu, mas... Marcs escorregou, ele não ia conseguir chegar a tempo, foi quando algo aconteceu.
-Diane! -Ele gritou.
A voz de Marcs ecoou por todo o aeroporto, foi a primeira vez que escutei a voz de Marcs, e era muito bonita. Diane olhou para trás, viu Marcs no chão, ele chorou, ela correu pra cima dele.
-Diane, eu sempre quis te falar isso. -Ele falou colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha. -Eu te amo, sempre te amei.
Ela não disse nada, apenas beijou ele.
E foi assim que eu escutei pela primeira vez a voz de Marcs.
O que? Mais? Ora, aqui acaba a história. Depois? Tá eu sei que você deve estar curioso. Ok, eu vou falar.
Acabou que a Diane não viajou, ela começou a namorar o Marcs, e foi morar na casa dele enquanto seu pai estava no Canadá. Marcs começou a falar mais. Eles estão juntos até hoje, temos 25 anos agora, pois é, muito tempo se passou. Eles se casaram também. Marcs? Ah, ele continua escrevendo suas histórias, virou até escritor. Diane? Ela ajuda Marcs nas suas histórias. Eu? Bem, eu só vivo na mesma casa que ele, trabalho como escritor também, e Marcs me ajuda muito, ele e ela escreveram muitos livros bastante conhecidos. Já eu... Meu maior sucesso foi a nossa história, essa que vocês leram é só um breve resumo, pretendo lança-la em breve por completo. O nome? É bem simples...
O silêncio da chuva.
Fim...
"As vezes deixamos pra fazer as coisas importantes nos últimos minutos restantes, só tenha coragem e faça, nada é tão difícil assim. Não é mesmo?"
-Marcs.

O Silêncio da Chuva [CONTO] (CONCLUÍDO)Stories to obsess over. Discover now