Inglaterra se sentia sozinho.
Era uma noite de segunda-feira quando uma tristeza repentina atingirá seu peito. Uma tristeza sem explicação ou motivo, só um sentimento que o fazia querer chorar internamente e procurar refúgio nos braços de qualquer ser vivo que estivesse ao seu alcance.
Veja bem, Inglaterra nunca fora muito sentimental e na maioria das vezes era forte o suficiente para que aguentasse quando alguém o feria, realmente não ligava muito de se machucar se todos com quem se importasse estivessem bem.
Porém daquela vez era diferente.
Não havia motivo para estar triste mas, ele estava e tudo o que queria era o abraço de alguém que não perguntasse por que ele estava chorando. Queria poder conversar com essa pessoa abraçado a ela em sua cama. Não era como se quisesse algo a mais do que um pouco de atenção e carinho para seu coração ferido por coisas tolas.
Ele mentia pra si dizendo que não ligava de se machucar. Não era que ele não ligava de se machucar, ele simplesmente perdoava pois algumas coisas valem mais do que a magoa passageira que lhe assombrava durante raros momentos aleatórios de auto piedade.
Ao menos ele pensava assim.
Não era auto piedade realmente ou uma demonstração de fraqueza repugnante, era somente um momento de sensibilidade comum que todo o humano tem ao menos uma vez na vida. Um momento onde se sente sozinho mesmo cercado de pessoas, que procura o afeto até mesmo na sua própria imaginação: via a projeção de seu cérebro onde alguém o abraçava e isso o fez se sentir bem, imaginou o carinho e a palavras calmas seguidas de baixas risadas e seu peito se aqueceu.
Inglaterra não queria mais chorar de tristeza nesse momento. Deitado em sua cama à noite queria chorar de ternura, de carinho e por como aquilo lhe fazia bem.
Nesses momentos de aflição por achar que estava enlouquecendo em se entregar à sua própria criatividade e se sentir bem com um afeto falso criado por sua mente romântica demais para seu gosto, ele costumava a ligar para a França, atrás de consolo: eram amigos de longa data e muito próximos, porém o país do amor avia lhe dito que visitaria Canadá durante aquela semana e era muito provável que agora ambos dormissem juntos, aproveitando da rara companhia um do outro.
Sim, Inglaterra no final de contas era romântico, muita mais romântico que o próprio França na maoris das vezes. Suas histórias de amor verdadeiro e paixões ardentes que era tão comuns nos livros de seu país, a luta pelo amor que entorpecia a os sentidos, todos eles refletiam a si próprio apesar de ser mais bem refletido por aqueles romances escondidos nas entrelinhas.
Sim, aquele amor que se escondia nas páginas brancas e atrativas ao paladar de um leitor, de um sonhador, o amor escondido nas tintas pretas das letras bem alinhadas impressas nas páginas. Era aquele tipo de romance que estava lá, implícito, a mostra mas ao mesmo tempo escondido para quem quisesse ver.
O amor de dois inimigos que não se odeiam tanto assim, o amor banal de adolescentes ou um romance adiantado de mais para sua própria época, que apesar de não estar amostra para todos estava ali: sendo construído, criado e ganhado doçura e desejo, escondido entre as palavras que formavam a história( como o retrato de Dorian Gray por exemplo, onde estava ali o tempo todo, claro como o dia porém, ao mesmo tempo escondido em uma névoa).
Realmente... Inglaterra era um tolo apaixonado, escondendo nas suas entrelinhas todo o seu carinho para os poucos que soubessem como ver a verdade. Atrás de palavras rudes e sarcasmo estava seu amor e carinho por aqueles que considerava próximo... Bom, tudo bem! Talvez o sarcasmo nem tanto assim, mas fazia parte da personalidade do britânico.
E por esse seu romantismo gritante e outros motivos ele não podia ligar para França, acorda-lo no meio da noite com seus sentimentos frívolos e sua personalidade carente e depreciante.
Ele não percebeu quando ligou para um número um tanto diferente mas, por quem tanto almejava carinho.
-Inglaterra? O que foi? Alguma coisa errada?
A voz sonolenta de um certo americano atingiu os seus ouvidos, e sua voz sumiu. Simplesmente desapareceu ao ter a voz do outro atingindo seu ouvido, causando um impacto contra sua razão e sua emoção:
-Inglaterra... Sabe que horas são? Está muito tarde para suas brincadeiras de mal gosto, agora começará a passar trotes por telefone?
Inglaterra não respondeu, estava perdido de mais na sua ansiedade e na voz calmante do outro homem:
-Se você não vai falar nada, eu vou voltar a dormir porque amanhã eu vou ter um dia cheio e como herói não posso estar cansado, além de-
América fora cortado por um baixo barulho vindo do outro lado da linha.
Um soluço involuntário que escapará dos lábios do britânico, baixo para que quase não fosse ouvido, mas foi o suficiente para calar o outro:
-Inglaterra? Está tudo bem??? Você está chorando??
A aflição que tomará o outro fez o britânico sorrir, era realmente adorável:
-Hey, America... Estou me sentindo um pouco sozinho...
Sua voz sairá baixa e com um tom estranho, não era um que ele costumava a usar:
-Ingla-
-Desculpa por atrapalhar o seu sono, não sei o que deu na minha cabeça de te ligar a essa hora... Sinto muito...
O tom de sua voz, baixo, passivo e num leve tom doce melancólico carregando um ar de piada normalmente usado para esconder a dor não seria, em nenhum momento, conectado a si por qualquer um que não o conhece-se. Para América era simplesmente surreal, era a voz de Inglaterra no telefone, era o contato dele aceso na tela de seu celular mas o tom que aquela voz carregava, o soluço e o ar triste e afundado no vazio que vinha junto a voz tão conhecida por ele criava um paradoxo em seu cérebro.
Simplesmente não podia ser Inglaterra.
-Espere! Não desligue! O que eu posso fazer essa sua tristeza sumir?
O tom angustiado fez o inglês observar tristemente o teto do seu quarto:
KAMU SEDANG MEMBACA
Entrelinhas (usuk)
Fiksi PenggemarEm uma noite de segunda-feira, Inglaterra se vê perdido em uma tristeza repentina, quem sabe uma ligação para um americano idiota não o ajude a lidar com isso?
