Inverno, 16 de outubro de 1889:
- Acabo de me deitar debaixo de um carvalho podre, e vejo o céu, começa a nevar, agora penso que estou a beira da morte. Estou a pelo menos cinco dias sem uma refeição decente e minha água está prestes a acabar, acho que não vou completar meu objetivo que é provar dos sabores de todos os lugares do mundo, e ainda tenho que me preocupar com minha caixa de lembranças que esta começando a ficar pesada. Tenho quase certeza de que minha peregrinação termina aqui.
Inverno, 17 de outubro de 1889:
- Hoje de manhã sou acordado por uma jovem gentil que usava uma flor como adorno em seus cachos loiros seu nome é Susana, digo que estou com muita fome e ela me convida a ficar alguns dias em sua morada, onde estou agora. É uma pequena fazenda, simples mas agradável, os pais de Susana, são também muito gentis e me deixam ficar o tempo que eu quiser em sua fazenda sem custo nenhum. É muito bom ver que ainda existem pessoas assim nesse mundo, gosto muito dessas pessoas.
Inverno, 19 de outubro de 1889:
- Hoje estou a pelo menos 8 dias faminto, já tonto e desorientado vou conversar com Susana, que parece estar apaixonada por mim, seus pais vão para a lavoura colher soja, Susana fica em casa para estudar pois quer se tornar professora, ela pergunta sobre minha caixa de lembranças e eu falo sobre ela, contando a história de cada uma lembrança e dos lugares que visitei e ela me olha fascinada, o que me deixa mais faminto ainda.
Inverno, 25 de outubro de 1889:
- Estou surtando, e cada vez mais faminto, meu estômago doe de fome, tenho certeza de que hoje morro, como de costume os pais de Susana saem para colher soja, e agora é a hora perfeita para um banquete que tanto anseio, Susana está estudando, calma e serena, até que ela me chama pedindo ajuda, eu pego um pedaço de madeira e vou ao seu encontro, desfiro um golpe na face de Susana que subitamente desmaia, o sangue jorra ao chão e eu a levo para cozinha, amarro na cadeira e aguardo a chegada de seus pais. Anoitece e seus pais chegam em casa, logo lhes acerto no rosto e os levo para cozinha e os amarro na cadeira ao lado de Susana, agora vou dormir e me preparar para amanhã que vai ser um grande dia.
Inverno, 26 de outubro de 1889:
- Hoje é um grande dia finalmente vou saciar minha fome, Susana e seus pais me olham com medo e aflição, o que me deixa com água na boca, logo começo o show.
Retiro cada parte do corpo de Susana para cozinhar melhor e faço um grande assado, depois sirvo na mesa.
Eu e os pais de Susana ficamos de barriga cheia, foi um grande café da manhã.
Logo chega o almoço e eu retiro cada parte do corpo do pai para cozinhar melhor e faço um grande guisado, depois sirvo na mesa.
Eu e a mãe ficamos de barriga cheia, foi um grande almoço.
Logo chega a janta e eu retiro cada parte do corpo da mãe para cozinhar melhor e faço um grande cozido, depois sirvo na mesa.
Eu fico de barriga cheia, foi uma grande janta, assim vou dormir hoje foi um grande dia.
Inverno, 27 de outubro de 1889:
-Hoje estou satisfeito me despeço de Susana e seus pais e continuo minha peregrinação, mas levo uma lembrança: A flor que Susana usava como adorno em seus cachos loiros.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Diário De Sabores
Short StoryNatanael escreve em seu diário uma de suas conquistas culinárias
