CALMARIA

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De todas as palavras que alguém pudesse usar para descreve-la, calma sempre foi a mais apropriada. Desde criança ela sempre foi assim, vista por todos como uma menina doce e inocente, alheia às realidades da vida. Demonstrava sempre uma calma nas expressões e serenidade nos cingelos sorrisos. Não importava como ela se sentise, não importava o que acontecia à sua volta, nada abalava sua calmaria. Mesmo quando seu mundo desabava, quando as pessoas não eram gentis, quando era provocada e assediada na escola ou ridicularizada por ser diferente ela nunca se exaltava, apenas sorria do seu jeito suave e escondia os sentimentos negativos em um canto da sua mente onde eles ficariam para sempre.

Neste canto escuro da sua mente onde ela não ousava espiar ficavam guardados seus desejos mais profundos, seus medos mais intensos e suas mágoas mais dolorosas. Tudo que fazia dela quem era e tudo que ela queria esconder do mundo estava guardado ali. Comfinado em uma prisão feita de medo. Medo do que os outros pensariam de si caso vissem quem ela realmente era, medo do rejeição e, principalmete, medo do que era capaz. Dentro de toda sua calmaria residia um caos inimaginável e, por mais que ela lutasse, não podia se livras dos sussurros que escapavam daquele canto escuro.

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