capítulo 1&

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O inaceitável da verdade.

La luna en sangre y tu emoción.

Estranha essa vontade de ser pedra ou pó. Ao me deitar, sinto as mesmas dores, na barriga da perna, nas coxas e nos quadris. Nem banho morno alivia; teimosos, os músculos não relaxam.
Fecho os olhos. Parece que pairo sobre as pessoas, entre gôndolas, prateleiras e nuvens, correndo, esclarecendo dúvidas, levando troco para os caixas, buscando códigos de mercadorias.
De repente, o susto, a impressão de estar caindo, rápido, muito rápido. O frio na barriga, a corrente gelada subindo da espinha ao cérebro. Antes de me espatifar no chão, sinto a cama estreita. Respiro aliviada e o rosto enorme do meu pai preenche o escuro do quarto. Seus olhos tristes, seu sorriso com aquele ar que minha mãe chamava de cínico. Vejo o bigode grisalho, o movimento da boca tentando falar algo que não consigo ouvir, pois a faixa de luz sob a porta me desperta.
Rolo na cama. Ao meu lado, Luciana dorme tranquila, respira leve e em silêncio, como se estivesse com medo de incomodar. Lembro o dia em que nos conhecemos. Desespero e incerteza, caminhos sem volta, estradas sem fim. Meiga, me pegou a Mão e disse que não via motivos para pânico.
Sinto o aperto na barriga, vontade de chorar. E o fantasma de meu pai toma conta de mim, do quarto e do mundo...

 E o fantasma de meu pai toma conta de mim, do quarto e do mundo

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Foi tudo mentiraOnde histórias criam vida. Descubra agora