PRÓLOGO

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Duas semanas atrás, Nova Iorque

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Duas semanas atrás, Nova Iorque.


Duas listras. Grávida. Droga. Droga. Droga.

Girei o bastão na minha mão e me sentei no chão frio do banheiro antes que viesse mais uma onda de náusea. Não adianta chorar, pensei. Sou forte, independente financeiramente e tenho uma bela casa, em um bairro bom. Vou ficar bem. Tentei sorrir com esses pensamentos, mas fui surpreendida com com lágrimas quentes descendo pela minha bochecha e molhando meu vestido. Não choro desde a morte da vovó, há 5 anos, quando ela me pediu para ser forte e me aconselhou a ir em frente com o meu sonho, cursar Medicina.

"Vovó, me ajuda. Me ajuda." Fiquei repetindo isso até as lágrimas secarem e, enfim, escutar o zumbido do meu celular no piso do chão, ao meu lado. É a mamãe. 3 chamadas perdidas. Merda. Solto um suspiro alto e pressiono atender.

- Oi, mãe...

- Ash? Onde você está filha? - ela me interrompe em um fluxo rápido de perguntas. - Já liguei para o hospital, para o seu consultório e nada. Que aflição! Já estava achando que ia ter que ligar para o IML. - dou uma risadinha, tão dramática. - não é engraçado mocinha, fiquei preocupada!

- Calma, mãe. Ainda estou no banheiro, trocando de roupa, antes de ir para casa. Não vi as ligações, desculpe.

- Hum... Tudo bem, que não se repita. - ela suspirou. - Liguei porque eu e seu pai precisamos nos reunir com você, Amy e Dylan. É urgente.

Meu coração acelera. Ofego. Meu Deus, será que eles já sabem da minha mais nova burrada? Não é possível! Eu só desmaiei uma vez e fiquei enjoada poucas vezes, perto deles. Não é possível, digo a mim mesma, de novo.

- O que não é possível, Ash? Eu sei que você não tem plantão até quinta. - olho para todos os lados do banheiro achando que ela pode me ver. Credo, estou ficando paranóica. O bebê era para trazer alegria e não paranoia, certo? Ai... O bebê. - Ashley! - minha mãe grita, impaciente.

- Aqui, mãe. Calma. Estou disponível, sim. Apenas pensando alto. Mas o que houve?

- A empresa da família... - a você dela quebra e sinto que está se segurado para não chorar.

- O que, mãe? Me fala! - pergunto aflita.

- Nós.. Não podemos pagar o novo orçamento. E... O novo vice-diretor de marketing quer comprar... - ela soluça copiosamente e sinto meu coração apertar. - nossas ações. Nossos 51% e assumir a empresa. Não podemos. A Nina SS parfum é tudo para mim, para nossa família. - ela chora.

- Vai dar tudo certo, mãe.- afinal, não deve ser uma grande quantia. - Chegarei aí, por volta das 20h. Vamos conseguir manter a presidência, eu tenho algumas economias...

- Ash, você não entende. - ela me corta. - São 150 mil. 150 mil, filha. - ela chora ainda mais.

Puta merda. O valor é alto. Eu só tenho 70 mil no banco e eles devem ter menos ainda, com os investimentos em campanhas e novos perfumes, devemos estar no vermelho. E agora, Deus?

- Eu vou dar um jeito, mamãe. Prometo.

Continuei sentada no chão do banheiro até dar a hora de ir para a casa dos meus pais. Uma ideia iluminou minha cabeça. Eu sei o que tenho de fazer, pela minha família, para o bem-estar deles. Vou fazer uma visitinha ao desgraçado do Nicholas, meu ex.

Bela Mentira (DEGUSTAÇÃO)Stories to obsess over. Discover now