O universo deve se sentir culpado de ter nos feito um casal.
Se ele fosse humano, poderia dizer que foi culpa da bebida, ou da tristeza infinita que invadia seu coração após o término, a dor da perda de um ente querido, um momento de raiva, ou qualquer outra desculpa humana para erros cotidianos.
Deve ser por isso que hoje chove, não uma chuva qualquer, mas uma chuva abundante, que inunda todos os lugares da cidade, torna o trânsito caótico para aqueles que voltam do serviço, cancela saídas, encontros, aniversários, negócios. Aquelas chuvas que atinge o emocional, faz namorados baterem a porta sem olhar para trás, faz as crianças perderem a inocência, pessoas darem baixa no hospital com uma doença gravíssima, aviões caírem, hotéis desmoronarem. Aquela mesma chuva que fez você ir embora. Como naquele mesmo dia em que o céu, as constelações, os planetas, e o sol, até mesmo o sol, choraram ao nos ver romper.
Talvez, nesse momento, algum casal oriundo de um fatídico erro cósmico, tenha rompido com uma de suas leis. Assim como nós.
Mas o que me deixa angustiada, é não saber se amanhã a chuva terá passado, se amanhã meu amor por você terá cessado, se amanhã...
Se amanhã te terei aqui.
E eu sei que o universo nunca falha.
Mas é que enquanto eu não te tiver, as ruas da cidade permanecerão cheias, e tudo será tão cinza e infeliz e sem amor.
Você nunca foi um erro cósmico, certo?
Porque quando você foi embora o universo chorou de desgosto.
