Prólogo

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   Meu corpo inteiro doía. Alguns lugares pareciam queimar. É, acho que treinei demais. Detesto confessar, mas mamãe parecia ter razão aquela vez. Eu tinha que diminuir o ritmo dos treinos, ou ia acabar cometendo suicídio.

    Abri os olhos com dificuldade. Era como se fazer isso exigisse toda a minha força. Mas consegui depois do que pareceu uma eternidade.

    Estava tudo claro. Não, estava tudo branco. O teto, as paredes, o chão, tudo estava com uma única cor. Parecia uma caixa branca, só que por dentro.

      Um ar gélido entrava em minhas narinas e um cheiro insuportável de remédios invadia o ambiente.  Próximo a minha cama, estava um soro que pingava sem parar e um barulho frenético e chatinho, insistia em me dizer algo: eu estava em um hospital. Que ótimo! AFF! Precisava sair dali. Sempre odiei hospitais, e estar naquele lugar, não me parecia algo bom.

    Queria levantar, mas não deu muito certo. Minha cabeça parecia pesar uma tonelada e meus músculos não queriam obedecer. Mas que droga! Desde quando o mundo girava tanto? Ok! Se eu me concentrasse o suficiente, poderia sair sem fazer barulho e assim descobriria o que estava acontecendo. Afinal, como fui parar ali?

    Saí devagar, um movimento de cada vez. A dor me obrigava a fazer mil caretas, mas continuei tentando. Tirei fio por fio, os dos braços, mãos, aquele que pinicava meu nariz e o último que fez o aparelho do meu lado praticamente “gritar”. “Maravilha”!

    Médicos e enfermeiras invadiram meu quarto como se alguém estivesse morrendo. Bem, eles achavam que sim né?

     Fiquei com certa vergonha, mas sabia que só estavam fazendo o trabalho que lhes era dado. Dei um sorriso amarelo e disse tentando imitar a doçura que mamãe tinha:

        - Desculpem pelo transtorno. Não queria causar tanta... preocupação. – respirei fundo e perguntei – Onde estão meus pais? Vocês... bem, os senhores sabem onde posso encontrá-los?

   O alívio deles pareceu passar e algo surgiu no lugar: o medo. Mas do que seria?  Uma das enfermeiras se aproximou de mim, parecia ter entre 30 a 35 anos e tinha um sorriso agradável e amigo.

      - Seus pais estão bem. Não se preocupe. – Disse ela – Agora que tal descansar um pouquinho em princesa?

    Aquilo me deixou frustrada. Como alguém poderia mandar você descansar depois de acordar em um hospital, repleta de dor, com uma camisola horrível e toda cheia de...

      Meu Deus! Eu estava parecendo uma múmia cheia de faixas na perna e braço esquerdos. O que tinha acontecido ?

      - Eu quero ver meus pais. Isso não é pedir muito. – Já estava ficando irritada. – Eu quero vê-los só isso. Por que posso ver vocês e não eles que são importantes? Isso é um saco!

      - Não podemos chamá-los agora Alice. – Foi um dos médicos que falou dessa vez – Você precisa está cem por cento antes deles aparecerem.

      - Eu só quero vê-los. Só isso! – tentei gritar, mas a garganta não permitia.

      - Vai vê-los mas precisa descansar. – disse o mesmo médico de cabelos e olhos escuros. Ele era bonito até, mas a paciente dele (no caso eu), não estava paciente naquele momento pra ouvi-lo

      - Chame meus pais. – Minha voz soou autoritária. Maravilha! – Depois que eu os vê, posso descansar o tanto que você quiser.

     Ele respirou fundo e tentou falar algo, mas eu virei o rosto e não ouvi. Queria ver meus pais caramba! Isso não era exigir muito. Eu os amava e precisava que estes estivessem ali comigo.

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