Capítulo 1✨

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Oi? Me chamo Jimin, Park Jimin

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Oi? Me chamo Jimin, Park Jimin. E se você está lendo isso, provavelmente já sabe que minha vida não é exatamente um conto de fadas. Mas, para ser justo, qual vida é?

A minha era normal à medida do possível. Quero dizer, só tinha um toque a mais de... irrealidade? Digamos que "um pouco fora da casinha".

Minha infância foi um borrão de cheiros de hospital e o som nada suave do motor de um carro atravessando as ruas da cidade. Minha mãe, Yuna, era enfermeira. Mãe solteira, batalhadora, e com turnos que pareciam engolir o dia e a noite. Ela era a minha rocha, mas também a minha ausência.
Lembro-me de vê-la exausta, o uniforme amassado, e o olhar de culpa que ela tentava esconder. Ela se culpava por tudo: por ter que trabalhar tanto, por eu ser filho único, e principalmente por não ter notado antes.

Antes do quê? Antes dos meus amigos.

Eles surgiram cedo, como um bando de coelhos de cartola, um mais excêntrico que o outro. Havia a Lily, que só falava em rimas, e o Max, que insistia que era um super-herói com poderes inusitados. Para mim, eles eram tão reais quanto o ursinho de pelúcia na minha cama. Conversávamos, brincávamos, e eles preenchiam o silêncio da nossa pequena casa enquanto minha mãe estava salvando vidas ou, como ela dizia, "cuidando dos dodóis das pessoas".

Mas aos sete anos, o mundo real e o meu mundo colidiram. Minha mãe me pegou no meio de uma discussão acalorada com o Max sobre a melhor forma de voar. Ela parou, o rosto pálido, e me perguntou com quem eu estava falando. Eu apontei para o canto vazio do quarto.

Aquele dia marcou o fim da minha infância despreocupada.

O diagnóstico veio rápido: esquizofrenia de início precoce. A palavra era grande, assustadora, e pairava sobre nós como uma nuvem de tempestade.

Minha mãe chorou por dias, convencida de que, se tivesse passado mais tempo comigo, se tivesse notado os sussurros mais cedo, talvez... Mas não havia talvez. Havia apenas a realidade e, de repente, uma prateleira cheia de frascos de remédios.

Os anos seguintes foram uma tortura química. Remédios fortes que me deixavam lento, com a cabeça pesada, o estômago embrulhado. E o pior: eles afugentavam meus amigos.

Lily parou de rimar, Max perdeu seus superpoderes e, um por um, eles se desvaneceram como fumaça.
Minha mãe estava aliviada, mas eu me sentia mais sozinho do que nunca. Até que restou ele: Jeon Jungkook.

Jungkook foi o último a ficar. Ele era diferente.

Não era um coelho de cartola, era mais como uma sombra sarcástica.

Ele não se importava com os remédios, parecia apenas ficar um pouco mais quieto, mas nunca sumia de verdade.

Eu o conheci quando tinha uns dez anos.

Ele já era alto, mesmo para um garoto daquela idade, com o cabelo preto, liso, caindo em franja sobre os olhos negros atentos demais para alguém que, em tese, não deveria existir. Seu visual era sempre escuro, meio emo, como se não pertencesse totalmente a lugar algum.

Jungkook gostava de rock, do tipo barulhento e cheio de guitarras. Falava muito sobre bandas, especialmente Linkin Park, como se aquelas músicas dissessem coisas que ele não precisava explicar.

E até que ele era divertido, sabe? Ok, incrivelmente divertido. Admito.

O mais inusitado era que ele era o oposto de mim. Éramos como Yin e Yang, luz e escuridão. Ou seja, de alguma forma a gente se completava.

— Sério, Jimin, você vai tomar essa pílula de novo? — ele disse uma vez, enquanto eu lutava para engolir um comprimido. — Parece que você está engolindo um tijolo.

— É para você ir embora, Jungkook. — murmurei, sentindo o gosto amargo na garganta.

Ele deu de ombros, um sorriso de canto.

— Eu sei. Mas você realmente quer que eu vá? Quem mais vai te contar que o professor de matemática claramente te odeia?

Ele tinha um ponto. A vida sem ele era cinza, silenciosa. A vida com ele era uma trilha sonora de rock, piadas internas e a sensação de ter alguém que realmente me entendesse.

Foi aí que comecei a negociar com a realidade. Uma pílula a menos aqui, um dia sem medicação ali. O enjoo e a sonolência passavam, mas a maior recompensa era Jungkook aqui, nítido e presente.

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Olá? Aqui é Isa, ou Deusa, como preferirem. Essa história é linda. Fala de saúde mental.

Há muito tempo eu queria trazer algo sobre esquizofrenia, então a inspirada veio em boa hora. No meu perfil tem um shipp, aqui no segundo perfil eu adaptei para jikook. Sem briga, vou continuar criando histórias, independente dos personagens, tá bom?

Espero que gostem de Até Você Ser Real. Ela é uma história pequena, tem 7 capítulos, mas muito preciosa. Sendo honesta, eu sou durona, mas quando escrevi derramei algumas lágrimas, então tomara que a história toque vocês também.

Até Você Ser Real Stories to obsess over. Discover now