Um.

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6:00.
Acordo com o meu despertador. Eu consigo odiar a escola mais do que eu odeio a minha vida. Tomo um banho e visto minha farda.
Recentemente comecei a beber e a fumar, não que eu goste disso, eu detesto o cheiro e o sabor do álcool, e a fumaça do cigarro e o gosto amargo que fica na minha boca me fazem querer vomitar, eu me escondo no meio da bebida pra lavar minha alma e afogar esses sentimentos não correspondidos que tenho no peito e me acabo no cigarro pra nicotina acabar tomando lugar na minha mente, vou me envenenando e morrendo aos poucos com essas drogas, é bem melhor do que morrer por um amor que não existe todos os dias.
Terminei de me arrumar e fui a pé até a escola. Afinal era perto do inferno que eu chamo de casa.
-Olha só quem resolveu aparecer.
Era a voz do meu melhor amigo, Pedro.
-Não queria reprovar por falta. Senti saudades.
-Também senti saudades. Já viu como a escola está cheia de alunos novos?.
-Já, mas nem ligo.
-Quem sabe algum desses meninos amolece o seu coração! Loiro ou moreno?
-Nenhum, não estou a procura de homens.
-Mesmo assim, responde.
-Moreno. Agora me deixa em paz.
-Certo madame.
Fui em direção ao meu armário e notei que havia um menino no armário ao lado. Bonitinho até. Abri meu armário peguei meus livros e quando fechei dei de cara com ele.
-Olá sou o Ian.
-Oi
-Não vai me dizer seu nome?
-Lua.
Disse e fechei o armário com força fazendo com que ele se assustasse.
-Belo nome, podemos ser amigos?.
-Não.
- Por que não?. Você até me disse seu nome.
-Não é porque eu te disse meu nome que eu quero ser sua amiga. Muita gente sabe o meu nome, e adivinha?Não tenho muitos amigos.
Entrei para a sala e fingir estudar, na verdade fiquei ouvindo música todos os horários.
-É intervalo- Disse Pedro tirando meus fones.
-Jura?- Coloquei novamente meus fones.
-Lua você precisa interagir- Disse tirando meu fone mais uma vez-
- Não, eu não preciso.
-Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?
-Tipo o que? Minha mãe ter surtado novamente?. Não, não. Na verdade ela nem apareceu em casa ainda.
-Você não está preocupada?.
-Nem um pouco.- Coloquei meus fones e sai da sala. Na verdade eu estou sim, muito preocupada. Mas eu acho que fingir não está me dá uma certa esperança de que quando uma notícia ruim chegar eu sofra menos. Passei na lanchonete e comprei um lanche. Existe um lugar atrás da escola que ninguém vai. Eu chamo de meu Castelo. Onde eu sou a princesa e ninguém me incomoda. Sentei lá, abri minha bolsa tirei minha maconha e a seda. Comecei a fechar um baseado.
-OI
-Como você descobriu?
-Não foi tão difícil... Isqueiro?.
-Não, obrigada eu tenho o meu. Você não pode ficar aqui.
-Você não pode fumar maconha. Estamos empatados.
-Quer?.
-Quero.
Passei o cigarro de maconha pra ele, que tragou. E em seguida me questionou.
-Você fuma pra relaxar?
-Eu fumo pra morrer.
Percebi que ele realmente estava assustado e dei uma risadinha, não que seja brincandeira.
-Eu me chamo Ian.
-É, eu sei.
O Ian é branquinho, e tem os cabelos cacheados. E um sorriso de fazer qualquer menina delirar. Menos eu.
Terminamos de fumar e fomos embora. Já estava quase chegando em casa até que o Pedro para de carro do meu lado.
-Ei Carrie a estranha
-Fala perdedor
-Vai ter uma festa la em casa hoje, se puder ir.
-Agradeço porem dispenso.
-O Ian vai.
Fiz cara de desinteressada feat nojo e continuei a caminhar.
-Eu pago.
Pagar? Por que será que ele quer que eu vá?
-Quanto?- Respondi.
-10 reais para cada hora que você permanecer lá.
Eu realmente estava precisando de dinheiro. Então aceitei.
-Eu vou.
-As 21.-
Entrei em casa e fui direto pro meu quarto, e encontrei o Lucas lá.
O Lucas é o meu irmão, ele tem 7 anos.
-Cadê a mamãe?.
-Viajou.
-Quando ela volta?.
-Não sei. Deita aqui.
Ele deitou e eu fiz cafuné até ele dormir. Se tem uma pessoa que merece o meu amor e que não tem culpa de nada é ele.
20:00
Acordei sem fazer muito barulho ,peguei o Lucas no colo e levei para a cama dele. Eu não posso sair de casa, mas não significa que eu não saia. Ouvi passos em direção ao meu quarto e deitei rapidamente na cama. Fingi estar dormindo. Era o meu pai, ele sempre faz isso. Desde que me entendo por gente. Depois que ele fechou a porta fui me arrumar, tomei um banho, vesti um short e uma blusa preta do Nirvana um pouco larga e grande pra compensar o tamanho do short que é curto. Coloquei um tênis e fui me maquiar. Nunca tive mãe para me ensinar como que faz essas coisas de menininha. Então, eu resolvi aprender sozinha. Primeiro o lápis no olho, depois o batom vermelho, a sombra preta. E lá está, a nova vagabunda da cidade. Chamei um Uber e pulei a janela. 
-Fugindo de casa. Que feio mocinha
-Porem estou pagando a corrida.
Depois da minha resposta ele se calou. Cheguei e fui logo procurar o Pedro.
-Te achei.
-Que susto menina.
-Olha, são 21:15. 
-Eu sei, irei pagar. Relaxe e curta a festa-
Tomei o copo dele e virei com tudo.
Estou preocupada com minha mãe mas não quero que isso me atrapalhe. Comecei a beber, muito. Fui no banheiro pegar um ar e encontrei umas meninas da escola, estavam cheirando cocaína.
-Você quer?
Eu nunca tinha cheirado, já usei maconha, mas pó nunca.
-Quero- Disse pegando o canudo feito com uma nota de 10 reais e colocando no nariz, em seguida cheirei.
E que sensação meus amigos.
-Obrigada vocês são lindas!-
Sai do banheiro e esbarrei com o Ian.
-Eita, me leva.
-Lua?.
- Oii Ian.
-Você está bem?.
-Nunca estive melhor. Vem dançar-
Disse o puxando pra pista.
-Você tem drogas Ian?-  Perguntei.
-Maconha?- Respondeu.
-Não, não. Drogas pesadas.
-Não tenho, por que você quer isso?.
-Se você não tem também não interessa.-  Disse dando as costas.
Eu estava um pouco tonta, e com um pouco de falta de ar. Apaguei totalmente.

Hoje a noite não tem luar.Stories to obsess over. Discover now