Flashback

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   Amberly
Em frente à lápide dele, eu me lembro do que ocorreu naquela noite, lembro exatamente de tudo, e principalmente, me lembro da promessa que fiz a ele.

Flashback
Era uma sexta-feira à noite, quando meu irmão Chris me liga pedindo para buscá-lo de carro em uma festa.
Levanto da minha cama totalmente a contra gosto, porém eu decido que vou buscá-lo, afinal eu sei que ele bebeu, e mesmo que não tenha bebido muito, com certeza não está em condições de dirigir.
Coloco uma roupa qualquer, não me importando muito com a minha aparência, pego a chave do carro e vou dirigindo até o local informado.
Era uma noite bem fria, e mesmo assim, eu observava vários adolescentes com roupas curtas como se não estivessem sentindo aquele frio absurdo que estava fazendo na rua, não conseguia entendê-los, os achava totalmente malucos e ficava pensando em como eu nunca faria algo daquilo.
Fui me aproximando do endereço que Chris me mandou por mensagem, eu já conseguia vê-lo no final da rua, ele provavelmente ainda não tinha me visto já que conversava com um amigo na calçada.
Encostei o carro do lado oposto a ele, abri a janela e fui chamar sua atenção
- EI, IDIOTA! - Eu gritei da janela do carro enquanto sorria para ele.
- EI, NERDZINHA! - Ele gritou do outro lado com um sorriso imenso no rosto.
- DA PRA VIR LOGO? EU NÃO TENHO TODO O TEMPO DO MUNDO! - Eu gritei.
- OK, JÁ ESTOU INDO, AFINAL, NÃO QUEREMOS DEIXAR OS SEUS LIVROS ESPERANDO EM CASA, NÃO É MESMO? - Ele grita pra mim.
Comecei a gargalhar do que ele tinha dito, porque sim, eu queria voltar pra casa para estudar ou então ler um dos meus romances.
Eu o observo se despedir de seu amigo, e esperar o sinal fechar para atravessar, mesmo que não tenha nenhum carro ali, isso é uma das coisas que admiro em Chris, ele sempre toma cuidado com tudo.
Quando o sinal enfim fecha, ele começa a atravessar a rua de forma tranquila, porém um carro surge do nada e  ultrapassa o sinal em alta velocidade.
Mal consigo acreditar quando assisto o corpo de Chris rolar pelo capô do carro.
Ouço um grito, mas não sei identificar se é meu ou dele, provavelmente é de nós dois, apesar de eu nem mesmo ter percebido o meu sair de minha boca.
Sinto o ar fugir dos meus pulmões, e eu já estou perto de chorar, saio correndo do meu carro, deixando até mesmo a porta aberta e vou até o corpo ensanguentado de Chris que está estirado no chão.
- Chris, acorde, por favor! - Eu peço chorando
- A-Amberly? - Ele pergunta com dificuldade por culpa de estar com provavelmente muita dor.
- Sim, sou eu, estou aqui! - Eu digo desesperada.
- Amberly, eu e-estou realmente muito mal, preciso t-ter certeza que tudo vai ficar bem se eu n-não resistir. - Ele diz com estrema dificuldade
- É claro que você vai resistir, seu idiota! - Eu digo tentando demonstrar uma convicção, que eu não tinha no momento.
- Amberly, eu aceito morrer, já curti bastante minha v-vida, fiz muitas coisas, e por isso p-preciso que você me prometa que vai parar de ser c-certinha, que vai curtir mais a vida e também que me prometa que independente do que acontecer, vai cuidar de si p-própria, não vai desistir nunca de seus s-sonhos e que vai cuidar de nossos pais! - Ele diz.
- Você não vai morrer, Chris! - Eu digo chorando.
- Amberly, prometa isso p-para mim! - Ele diz.
- Eu prometo! - Digo tremendo.
- Eu amo você, minha nerdzinha - Ele diz dando aquele lindo sorriso.
- Eu também amo você, maninho. - Eu digo e dou um sorriso em meio ao choro.
Ele não me responde, apenas sorri, mas isso não dura muito tempo, porque logo depois ele fica imóvel.
- Chris? - Eu pergunto meio desesperada.
Não obtenho nenhuma resposta, e então decido checar seu pulso, não sinto nenhuma pulsação.
- Não, não, não, não! - Começo a chorar. 
Eu não podia acreditar nisso, meu irmão não estava morto, ele não estava.
- CHRIS, ACORDE! EU TE IMPEÇO DE MORRER! VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! - Eu grito chorando e me jogando em cima dele, enquanto bato em seu peito.
Ouço uma sirene de ambulância, provavelmente alguém que estava presenciando a cena chamou, e então médicos descem e me tiram de cima dele.
- ME LARGUEM, EU PRECISO FICAR COM ELE! - Eu grito me debatendo.
- Ela está muito agitada, precisamos acalma-lá - Alguém diz.
- EU NÃO QUERO CALMA, EU QUERO O CHRIS! - Eu grito chorando.
Apenas sinto algo sendo injetado em mim, e logo depois tudo escurece.
Fim do Flashback

E foi assim que meu irmão morreu, de uma forma totalmente cruel e por imprudência de uma pessoa.
Enquanto eu observo sua lápide, decido honrar a promessa que fiz a ele, vou procurar Angel e pedir ajuda a ela, afinal, eu realmente preciso curtir minha adolescência, e se não farei isso por mim, farei pelo menos por Chris.

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