Uma Guardiã

14 2 2
                                        

     ...

     - Ei eu não vou te machucar pode sair! – Disse ao menino que se escondia atrás de um tronco de árvore, ele me olhou desconfiado e aos poucos saiu detrás da arvore.

     - Qual o seu nome? – Perguntou ele emburrado.

     - Meu nome é Lara, muito prazer. – Disse ao menino e sorri.

     - Eu sou o Josh. – Respondeu ele ainda não muito amigável.

     - Olha Josh agora eu vou precisar que você confie em mim, está bem? – Eu sei o quão difícil seria convencê-lo a vir comigo, até porque estou suja de sangue e lama, como se não bastasse ele me viu bater em seus sequestradores. – Preciso que venha comigo sua mãe está preocupada.

     - Mas o moço disse que ia me levar no lugar aonde se faz balas. – Disse ele tristonho.

     - Olha Josh o moço que fez isso não ia te levar nesse lugar, vamos fazer um combinado todas as vezes que eu te encontrar pela cidade eu vou te dar um doce. – Disse a ele e vi os olhinhos cor de mel brilharem.

     - Você promete tia Lara? – Perguntou ele esperançoso.

     - sim pequeno. – Respondi.

     Ele ficou feliz, pulou e disse coisas sem sentido, mas além disso e mais importante agora ele estava a salvo longe dos perigos dos sequestradores andamos calmamente pela floresta, eu não tinha o porque ficar em alerta, tinha alguém me escoltando e guardando minhas costas, o que fez um sorriso bobo brotar em meus lábios.

     O caminho até os portões da cidade de Mapur foi algo um tanto quanto desgastante eu estava desidratada por conta da viagem de busca, e sentia que minha pressão poderia me derrubar facilmente a qualquer momento mas me mantive firme. Josh permanecia alegre, felizmente nos 4 dias que o sequestraram parece que não o maltrataram e o alimentaram bem. Os sequestradores não tinham a intenção de machuca-lo por agora, iriam o tratar bem e conquista-lo para então o levar para o árduo trabalho escravo nas terras do Platifo aonde ele seria castigado cruelmente pelo mínimo erro que cometesse.

...

     Passei rapidamente pelos portões de Mapur, que permanecia calma e serena. Até que um grito de alegria rompeu o ar, era Madalena a mãe de Josh que me encaminhara para a missão de resgatar seu pequeno filho de 6 anos apaixonado por doces.

     Ela veio correndo com um sorriso no rosto e o vestido cor creme balançando ao vento, Josh abriu os braços e correu em direção a mãe que o levantou do chão o agarrando fortemente em um abraço, eu ia me virar para ir em bora e não estragar o momento mas quando ia concluir meu ato uma mão pousou sobre meu ombro e o cheiro elegante de perfume masculino irrompeu o ar que penetrou em minhas narinas.

     - Esperar um pouco não vai te matar. – A voz grossa veio quase melódica aos meus ouvidos, realmente estou desidratada. Meu devaneio deu o tempo suficiente para o reencontro de Josh e Madalena que abriu o mais puro sorriso e veio em minha direção.

      - Guardiã Lara, muito obrigada! Meu filho voltou para mim, me perdoe não poder lhe pagar mais do que o contrato, mas saiba. – Ela se aproximou e com sua mão livre pegou meu pulso. – Qualquer ajuda que precisar, qualquer hortaliça não hesite em me procurar. 

     Era inegável a alegria no semblante da mulher ela exalava uma energia positiva, cheia de carinho e muita gratidão, esse momento me fez lembrar o motivo do qual batalhei tanto para fazer parte da P.G.U.E (Patrulha dos Guardiões Unidos do Estado).

        - Não precisa agradecer senhorita Madalena, o que precisar disponha. – Respondi deixando um sorriso tímido aparecer em meus lábios.

      Ela acenou positivamente com a cabeça, pegou Josh em seu colo e se foi . Já era fim de tarde minha visão falhou assim como as minhas pernas que quase me levaram ao chão, eu estava exausta havia passado 4 dias em viagem com pouca água, sem comida ou descanso. Kilian pousou suas mãos em meus ombros e injetou habilmente uma seringa em meu peito o que me fez despertar.

     - Isso vai te manter em pé por enquanto, vamos antes que o efeito passe. – Disse ele.

     Eu não quis debater sobre nada apenas deixei que ele me levasse até nossa sede. A sede dos Guardiões é um tanto quanto enorme, porém subterrânea apenas o local de designações de missões ficavam no térreo, estávamos perto da primeira entrada e eu já estava indo como de costume mas fui puxada por Kilian.

     -  Acha mesmo que você tem condições de aparecer na sede? – Perguntou ele em tom de ironia, eu não abaixava a cabeça para o Kilian e não estava disposta a abaixar mas o cansaço venceu a vontade de brigar e eu apenas abaixei a cabeça. – Vamos para o meu apartamento, quando estiver saudável sem precisar da adrenalina você vem para se apresentar.

     - Tudo bem. – Foi tudo o que eu disse.

     Kilian era o Capitão da 2° divisão de Mapur, e eu era sua tenente. O que quer dizer que sendo sua tenente eu teria que cuidar dos trabalhos que ele não poderia fazer e deixar organizada a parte burocrática, enquanto ele treina batalhões e nos prepara para guerra. Bom nem todos os capitães e tenentes são assim mas ele escolheu desse modo e eu não me importei. Dentre os privilégios de ser Capitão Kilian tem seu próprio apartamento atrás e acoplado a sede, já eu sua tenente fico nos dormitórios subterrâneos. Eu nunca me importei com este fato, mas o problema de entrar enfraquecida na sede são os outros guardiões, e principalmente se tratando de mim que criei inimizades por ser precoce e reconhecida.

     - Por que.... – Tentei falar mas fui interrompida por um dedo.

     - Poupe suas energias, falta pouco para chegarmos. - Disse ele sem ao menos me olhar.

      Continuamos em silêncio até o hall, tudo era de madeira e parecia descuidado nenhum Major dorme aqui eles se mudaram para o outro prédio porém, Kilian se sentiu feliz em estar só e continuou aqui. Ele abriu a porta de seu apartamento, completamente simples.

      - Entra. – Ordenou ele, eu entrei e fechei a porta.

       Ele sumiu pela casa, voltou sem a capa que trajava e com uma pequena maleta na mão.

      - Vamos, você precisa se deitar. – Disse ele fazendo menção para eu ir ao quarto. Eu me levantei e fui, observei o simples quarto que parecia antigo porém confortável.

      - Só tem uma cama. – Observei.

      - Eu sei, você dormirá na cama e eu farei um forrado e dormirei no chão. – Explicou ele.

      - Não... eu não posso dormir em sua cama sabendo que você vai dormir no chão eu sou a visita eu durmo no chão. – O enfrentei o fazendo suspirar.

      - Pare de ser teimosa! – Esbravejou ele. – Está ferida, cansada, desidratada e com sono.

       - Eu suporto... – Mas uma vez fui interrompida.

        - Tenente Lara deite-se agora é uma ordem. – Ele disse autoritário, ele quase nunca usava a expressão “é uma ordem” pois ele nunca achou que era necessário, então eu apenas me calei novamente e me sentei na cama me xingando internamente por deixar ele falar assim comigo. Ele se aproximou e pegou meu pulso que tinha um pequeno corte e vários hematomas devido a luta com os sequestradores, eu sentia de forma desajeitada um pouco de delicadeza, ele passou um pano quente com água pelos ferimentos, abriu a maleta e pegou uma pomada e começou a fazer curativos. Cuidou de todos os meus machucados um a um.

     - Capitão por que está fazendo isso? – Perguntei por fim, o silêncio estava me matando.

     - Porque você é a minha tenente e se feriu em uma missão que eu te encarreguei, é o mínimo que posso fazer. – Respondeu ele terminando o curativo da minha testa. – Durma um pouco, eu vou buscar comida e quando acordar poderá tomar um banho e se alimentar.

       - Capitão. – o chamei antes que ele sumisse porta a fora, ele me olhou curioso. – Obrigada. – Agradeci, ele acenou e se foi. Me deitei na confortável cama, que era um alívio para o meu corpo cansado e não demorou para o sono me atingir.

...

ColapsoStories to obsess over. Discover now